{"id":1047,"date":"2024-05-15T09:21:31","date_gmt":"2024-05-15T12:21:31","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=1047"},"modified":"2024-05-15T09:21:34","modified_gmt":"2024-05-15T12:21:34","slug":"informe-kinsey-a-la-tupiniquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/informe-kinsey-a-la-tupiniquim\/","title":{"rendered":"Informe Kinsey \u00e0 la Tupiniquim"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um pouco de hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Alfred Kinsey e sua equipe foram respons\u00e1veis por uma mudan\u00e7a profunda nas pesquisas sobre sexualidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado nos Estados Unidos, o primeiro volume, &#8220;<em>Sexual Behavior in the Human Male<\/em>&#8221; (1948), e o segundo, &#8220;<em>Sexual Behavior in the Human Female<\/em>&#8221; (1953), revolucionaram a compreens\u00e3o p\u00fablica e acad\u00eamica sobre o comportamento sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo trouxe luz sobre a realidade (em compara\u00e7\u00e3o com o ide\u00e1rio popular) sobre assuntos t\u00e3o variados como Diversidade do Comportamento Sexual, Incid\u00eancia de Comportamentos Homossexuais, Masturba\u00e7\u00e3o e Fantasias Sexuais e Infidelidade e Rela\u00e7\u00f5es Extraconjugais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Informe Kinsey foi controverso e enfrentou cr\u00edticas por sua metodologia e por desafiar as normas sexuais vigentes. No entanto, tamb\u00e9m foi elogiado por sua contribui\u00e7\u00e3o para a compreens\u00e3o cient\u00edfica da sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar a tais resultados t\u00e3o diferentes do que era o ide\u00e1rio popular, Kinsey e sua equipe lan\u00e7aram m\u00e3o de uma metodologia rigorosa e inovadora para a \u00e9poca envolvendo entrevistas detalhadas e padronizadas para coletar dados sobre o comportamento sexual de milhares de americanos como entrevistas pessoais e question\u00e1rios estruturados.<\/p>\n\n\n\n<p>Kinsey tamb\u00e9m fez um esfor\u00e7o consciente para incluir uma amostra diversificada de pessoas de diferentes idades, g\u00eaneros, orienta\u00e7\u00f5es sexuais, ocupa\u00e7\u00f5es e origens geogr\u00e1ficas. Por\u00e9m, vale ressaltar que a amostra n\u00e3o era totalmente representativa da popula\u00e7\u00e3o geral, o que foi uma das cr\u00edticas ao estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja como for, os entrevistadores foram rigorosamente treinados para que todas as entrevistas fossem feitas de forma consistentes e sem julgamentos visando garantir a precis\u00e3o e a confiabilidade dos dados coletados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a coleta a equipe tabulou esses dados e usando os melhores m\u00e9todos estat\u00edsticos avan\u00e7ados analisaram as respostas identificando padr\u00f5es e tend\u00eancias no comportamento sexual. Esses dados s\u00e3o a base de muitos estudos e tamb\u00e9m de v\u00e1rias pol\u00edticas publicas n\u00e3o apenas no grande pais do norte, mas em quase todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Kinsey para Pesquisa em Sexo, G\u00eanero e Reprodu\u00e7\u00e3o foi fundado em 1947 pelo Alfred Kinsey na Universidade de Indiana nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma reflex\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Entendo ser um ponto bastante comum dizer que o que \u00e9 verdade nos Estados Unidos n\u00e3o necessariamente \u00e9 verdade no resto do continente e muito menos no resto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso bem pode ser verdade com aquelas coisas que s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancias das decis\u00f5es culturais de cada povo ou na\u00e7\u00e3o, mas eu tenho a forte suspeita que at\u00e9 essas decis\u00f5es s\u00e3o fruto de uma coisa mais profunda e viceral chamada natureza humana. Com isso n\u00e3o necessariamente me refiro a algo que seja completamente natural, mas sim adquirido na sociedade da qual a menor e mais importante representante \u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia que absorve e promove certos valores ou o que elas acham serem os valores certos.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, devo concluir que informes do tipo dirigido por Alfred Kinsey trazem \u00e0 tona uma coisa que o te\u00f3logo j\u00e1 conhece: o ser humano \u00e9 completamente depravado. Mas me aguarde antes de tirar suas conclus\u00f5es tipo rede social. Isso aqui n\u00e3o \u00e9 para passar por alto rapidinho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Umas brutalidades<\/h2>\n\n\n\n<p>Dois fatos recentes t\u00eam exposto em nosso pr\u00f3prio solo a validade n\u00e3o apenas do informe Kinsey, mas de outros similares e da validade da Escritura em pleno s\u00e9culo XXI assim como a necessidade de um <em>aggiornamento<\/em> nos nossos arraiais evang\u00e9licos (no excelente e bom sentido da palavra <em>evang\u00e9lico<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pandemia de COVID-19<\/strong> revelou v\u00e1rias coisas. N\u00e3o apenas o perigoso desleixo com que vivemos a vida pol\u00edtica p\u00fablica representativa (que nada mais \u00e9 do que isso, uma representa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da nossa pol\u00edtica mais viceral amarrada aos nossos medos e fal\u00eancias) mas tamb\u00e9m o qu\u00e3o enviesados somos assim como o quanto estamos longe, como fam\u00edlias comuns, dos ideais que a pr\u00f3pria sociedade promulga. Al\u00e9m dessas coisas, a pandemia tamb\u00e9m revelou o completo descalabro da igreja institucionalizada que demorou a usar os meios de comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nicos e insistiu em aberra\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias como a essencialidade do culto publico.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra coisa que a pandemia, ou melhor, o isolamento social decorrente da pandemia demonstrou \u00e9 a incapacidade que temos de lidar com o diferente. H\u00e1 v\u00e1rias fontes cientificas (isto \u00e9, que t\u00eam m\u00e9todo mensur\u00e1vel por outras) que poderiam ser citadas, mas um bom resumo disso, vem da Anafe ao dizer:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Estudos demonstram que, durante o segundo ano de isolamento social decorrente da pandemia, o n\u00famero de <strong>div\u00f3rcios<\/strong> feitos em cart\u00f3rios de notas do pa\u00eds subiu 26,9% de janeiro a maio s\u00f3 em 2021, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2020. Se comparado a igual per\u00edodo de 2020, o crescimento foi de 36,35% em 12 meses.<\/p><p><a href=\"https:\/\/anafe.org.br\/divorcios-na-pandemia-que-dizem-os-dados\/\">https:\/\/anafe.org.br\/divorcios-na-pandemia-que-dizem-os-dados\/<\/a><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esses dados s\u00e3o seguros pois na conforma\u00e7\u00e3o social em que vivemos, um divorcio formalizado impacta a cria\u00e7\u00e3o dos filhos, mas &#8211; e isso \u00e9 mais importante para muitos &#8211; as finan\u00e7as do casal que se desmancha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o para al\u00e9m desses rompimentos formais, deveriam ser adicionados os informais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta brutalidade da pandemia com todas suas conseq\u00fc\u00eancias, e sendo um evento natural, exp\u00f4s &#8211; como se o recuo das \u00e1guas de um rio se tratasse &#8211; as pedras afiadas que est\u00e3o no leito.<\/p>\n\n\n\n<p>O que muito afligiu \u00e9 que a igreja (em particular a ala evang\u00e9lica em contraposi\u00e7\u00e3o da fundamentalista) n\u00e3o deveria ter sido pega de surpresa. Ou seja, somos plenamente cientes n\u00e3o apenas da deprava\u00e7\u00e3o humana (e com isso concordamos com o fundamentalismo) mas tamb\u00e9m temos acesso e aceitamos informes n\u00e3o ortodoxos como o de Kinsey que nos falam dos problemas e das agruras reais dos relacionamentos para l\u00e1 dos ideais que pregamos. Voltaremos sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As enchentes no Rio Grande do Sul<\/strong> (e \u00e9 preciso falar em plural n\u00e3o apenas pelo fato ter se repetido mais de uma vez nos \u00faltimos anos, mas porque desta vez &#8211; em maio de 2024 &#8211; se repetiram v\u00e1rias vezes e de forma devastadora em um curto per\u00edodo de tempo) empurrou boa parte da popula\u00e7\u00e3o dos mais diversos estratos sociais a terem de viver e conviver de um modo diverso ao que estavam acostumados.<\/p>\n\n\n\n<p>Se vendo nessa situa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a do seu habitat natural, o bicho ser humano manteve seus instintos mais viscerais funcionando em um numero que &#8211; espero &#8211; n\u00e3o \u00e9 o total, mas o suficientemente alto como para alarmar. Tanto assim que o pr\u00f3prio governo do Estado do Rio Grande do Sul teve que disponibilizar abrigos separados para as mulheres e crian\u00e7as numa volta r\u00e1pida e obvia ao velho ditado de &#8220;mulheres e crian\u00e7as primeiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos in\u00fameros reportes televisados e &#8220;youtebizados&#8221; aos que assisti, um deles me chamou a aten\u00e7\u00e3o em que o rep\u00f3rter ou &#8220;youtuber&#8221; (n\u00e3o me pe\u00e7a para lembrar agora) mostrava uma rata escapando da agua da enchente. Triste representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica do que acontece n\u00e3o apenas no RS mas no pais inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 redundante dizer o obvio: a popula\u00e7\u00e3o toda (ou pelo visto a grande maioria) sofre com o que est\u00e1 acontecendo no estado mais ao sul do nosso pais. Fam\u00edlias inteiras mortas, mulheres e crian\u00e7as sendo abusadas, casas sendo assaltadas e a infraestrutura t\u00e3o necess\u00e1ria para a pronta recupera\u00e7\u00e3o quase que completamente destru\u00edda pelo poder da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sofrimento &#8211; que j\u00e1 de por si seria terr\u00edvel &#8211; se v\u00ea incrementado pela resposta irrespons\u00e1vel de alguns cidad\u00e3os. Algumas coisas me chocaram se bem que n\u00e3o mais deveriam porque eu sei que \u00e9 fruto da mesma \u00e1rvore e tenho visto esses frutos em repetidas ocasi\u00f5es das mais diversas formas.<\/p>\n\n\n\n<p>A mais simples dessas e aparentemente superficial \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de noticias mentirosas, ou fake news. Isso aliado com as teorias conspirat\u00f3rias. Lia esses dias de que quem vive sozinho \u00e9 mais propenso a crer e a disseminar teorias conspirat\u00f3rias. Faz sentido. A noticia mentirosa &#8211; que muitas vezes surge como piada, sarcasmo ou informa\u00e7\u00e3o parcial &#8211; encontra seu combust\u00edvel nos vieses confirmat\u00f3rios que todos n\u00f3s temos. Ou seja, todos n\u00f3s tendemos a aceitar e repetir informa\u00e7\u00e3o que de alguma forma confirma ou refor\u00e7a uma cren\u00e7a previa. Se bem ela encontra seu combust\u00edvel na subjetividade individual, a via pela qual trafega atualmente \u00e9 a das redes sociais onde um certo espirito de aparente anonimidade governa os usu\u00e1rios das mesmas as que &#8211; por sua vez &#8211; apenas lhe interessa o lucro sem lhe importar de forma s\u00e9ria e aut\u00f4noma alguma forma de verifica\u00e7\u00e3o de fatos. O rem\u00e9dio para isso? O mesmo que para a velha e conhecida fofoca: n\u00e3o repita se n\u00e3o sabe se \u00e9 verdade. Se a &#8220;noticia&#8221; confirma alguma coisa que voc\u00ea acredita, desconfie. Se vem por uma rede social, desconfie mais ainda. Se vem apenas da fam\u00edlia, tenha todas as reservas poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra coisa que me chocou e que acho cada vez mais repugnante \u00e9 a falsa ideia propagada em nosso meio (falo do nosso por n\u00e3o ter autoridade para falar de outros, mas presumo que seja parecido) de que essas brutalidades como a tsunami na Indon\u00e9sia ou a pandemia de COVID-19 ou as enchentes no Rio Grande do Sul s\u00e3o um castigo divino. Ou na sua express\u00e3o mais simples, desrespeitosa e carente de conhecimento tanto b\u00edblico como social: &#8220;mereceram&#8221;ou &#8220;bem feito&#8221; ou &#8220;\u00e9 castigo divino&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pessoas que n\u00e3o tem o mais m\u00ednimo temor ao falarem uma coisa dessas. Vamos primeiro pelo lado social. Conhe\u00e7o o povo gaucho. Viajei muito nos estados do Sul com meu pai. Se h\u00e1 algum lugar em que me sinto seguro \u00e9 com os ga\u00fachos. E n\u00e3o que n\u00e3o me sinta bem ou seguro em qualquer outro lugar j\u00e1 que sei dos anjos que o Senhor coloca em sua provid\u00eancia para cuidar-nos. Mas \u00e9 que minha viv\u00eancia com os ga\u00fachos \u00e9 de viceral confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro de que quando minha primog\u00eanita tinha alguns meses a levamos para que minha fam\u00edlia a conhece-se. Era julho de 1996. Fomos de Corcel II movido a \u00e1lcool numa viagem de 1700KM aproximadamente. Chegamos no Chu\u00ed, RS no hor\u00e1rio limite para poder encontrar um lugar onde deixar o carro e pegar o \u00f4nibus para atravessar a fronteira at\u00e9 a casa dos meus pais. N\u00e3o haviam servi\u00e7os de internet como agora que pud\u00e9ssemos ir abreviando tempo. Tinha que ser face a face. Dei uma olhada naquela noite escura e fui num posto de combust\u00edveis que costumava ir com meu pai de pequeno. Fazia uns doze anos que n\u00e3o passava pela cidade. Enquanto orava, olhei para os frentistas e escolhi um. Chamavam ele de &#8220;alem\u00e3o&#8221; por raz\u00f5es not\u00f3rias. Falei &#8220;Boa noite, voc\u00ea mora aqui no Chu\u00ed, correto?&#8221;. Ele me respondeu &#8220;sim&#8221;. Ai afirmei &#8220;Voc\u00ea tem lugar onde eu deixar minha ximbica (j\u00e1 declarando que n\u00e3o morava em RS pois ximbica \u00e9 carro velho em SP). Quanto me cobra para deixar ele vinte dias?&#8221;. Ele olhou assombrado para os lados atr\u00e1s de mim e atr\u00e1s dele e falou &#8220;Mas voc\u00ea me conhece?&#8221;. &#8220;Nem um pouco&#8221; &#8211; lhe disse &#8211; &#8220;mas conhe\u00e7o quem te conhe\u00e7e&#8221;. Ele terminou de abastecer e me levou at\u00e9 a casa onde larguei o carro ap\u00f3s desconectar a bateria e fui correndo para o terminal rodovi\u00e1rio. Quando voltei l\u00e1 estava meu breguinha azul-calcinha completinho esperando por mim. Bateria conectada e duas partidas depois ele estava em marcha&#8230; a \u00e1lcool e em pleno inverno gaucho.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algu\u00e9m te diz que \u00e9 merecido por causa do car\u00e1ter deles, pergunta de imediato pela experi\u00eancia que eles tem com tal povo. Pode ser que seja superficial, parcial, inexistente ou apenas est\u00e1 repetindo um \u00f3dio que recebeu de algu\u00e9m. Agora, mesmo que alguns se comportem de um jeito inapropriado, \u00e9 isso motivo de assegurar que \u00e9 um merecimento para a popula\u00e7\u00e3o em geral?<\/p>\n\n\n\n<p>Me \u00e9 necess\u00e1rio atacar finalmente o problema do &#8220;castigo divino&#8221;. N\u00e3o porque negue o castigo divino, mas porque nego a falta de seriedade e temor com que essa frase \u00e9 dita. H\u00e1 uma passagem de simples compreens\u00e3o na escritura que deveria selar nossos l\u00e1bios para dizer uma barbaridade dessas:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>1 E, naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrif\u00edcios. 2 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais v\u00f3s que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? 3 N\u00e3o, vos digo; antes, se vos n\u00e3o arrependerdes, todos de igual modo perecereis. 4 E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Silo\u00e9 e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusal\u00e9m? 5 N\u00e3o, vos digo; antes, se vos n\u00e3o arrependerdes, todos de igual modo perecereis.<\/p><p>Lucas 13:1-5 (ARC2009)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 meu problema. No fundo da express\u00e3o &#8220;Deus os castigou&#8221; est\u00e1 o pensamento de que eles s\u00e3o piores que os outros. N\u00e3o, os ga\u00fachos s\u00e3o iguais aos nordestinos, aos paulistas, aos paraenses, enfim&#8230; No sentido de culpabilidade perante o juiz eterno, somos iguais.<\/p>\n\n\n\n<p>E pensamos assim, ao respeito de tudo, governo, fam\u00edlia, op\u00e7\u00e3o sexual, religi\u00e3o, etc&#8230; Quando acontece uma desgra\u00e7a nos apressuramos a dizer &#8220;E tamb\u00e9m, com a conduta que t\u00eam, o que voc\u00ea esperava?. Merecido foi.&#8221; N\u00e3o apenas ao respeito de uma cat\u00e1strofe natural, ou do estado do Sul, de tudo e todos. Nos parecemos ao fariseu da par\u00e1bola:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>11O fariseu, em p\u00e9, orava em seu \u00edntimo: \u2018Deus, eu te agrade\u00e7o porque n\u00e3o sou como os outros homens: roubadores, corruptos, ad\u00falteros; nem mesmo como este cobrador de impostos. 12 Jejuo duas vezes por semana e dou o d\u00edzimo de tudo quanto ganho\u2019.<\/p><p>Lucas 18:11-12 (KJA)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pat\u00e9tica condi\u00e7\u00e3o humana<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi a pandemia chegar ou as aguas subirem que se colocaram em funcionamento duas coisas: pessoas realmente interessadas em ajudar o pr\u00f3ximo e os aproveitadores de plant\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o primeiro grupo, n\u00e3o tenho nada a falar a n\u00e3o ser que nunca \u00e9 de menos e de que &#8211; mesmo a pr\u00f3pria tarefa sendo ingrata ou inc\u00f4moda &#8211; o resultado final \u00e9 muit\u00edssimo bom e agrad\u00e1vel. Vale a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sobre os outros, gostaria de me distanciar dos pensamentos de segrega\u00e7\u00e3o como se eles fossem outra coisa que n\u00e3o seres humanos. Precisam sim serem tratados de forma diferenciada porque seus atos (alguns deles bestiais) demonstram o qu\u00e3o baixo ca\u00edram e o conv\u00edvio com o restante da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Esse \u00e9 um desafio constante para a sociedade mas \u00e9 bem simples de resolver se aceitamos que h\u00e1 inocentes ou que &#8211; de fato &#8211; h\u00e1 pessoas mais vulner\u00e1veis que outras. O velho adagio de &#8220;mulheres e crian\u00e7as primeiro&#8221; deveria ter aparecido antes nessa equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o que estes seres de conduta r\u00e9proba colocam em claro \u00e9 que a ra\u00e7a humana est\u00e1 degradada. H\u00e1 os que escondem melhor que os outros. H\u00e1 alguns que nunca ser\u00e3o tido como pessoas de baixo cal\u00e3o ou de alma imunda. Pelo menos n\u00e3o deste lado da eternidade. E h\u00e1 os outros que &#8211; quase como animais &#8211; mant\u00eam suas pr\u00e1ticas privadas em ambientes de conv\u00edvio p\u00fablico emergencial. (Como a grande maioria faz nas redes sociais)<\/p>\n\n\n\n<p>Em lugar de assustarmos e apontarmos o dedo, devemos de aceitar que sob a camada idealizada de uma sociedade composta por fam\u00edlias que funcionam de acordo com um determinado padr\u00e3o, h\u00e1 uma realidade obscena, suja, violenta que insiste em se manter com vida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que os ideais n\u00e3o estejam corretos. Os ideais est\u00e3o certos. Mudar os ideais por ideias mais simples \u00e9 apenas baixar a barra. Diminuir o ideal apenas contribui para descobrirmos novas formas de viol\u00eancia talvez mais sutis e sorrateiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, declararmos que vivemos em disson\u00e2ncia com o ideal proposto com a B\u00edblia, ajuda grandemente na resolu\u00e7\u00e3o dessa equa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s \u00e9 apenas o primeiro ponto para uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o coisas que devem ser ventiladas em nossas Escolas B\u00edblicas, nos nossos cultos e nos nossos estudos b\u00edblicos nas casas. N\u00e3o se trata de abandonar o ideal, se trata de reconhecer que acreditar num ideal n\u00e3o \u00e9 de forma alguma uma garantia de que nossa constru\u00e7\u00e3o social est\u00e1 em conson\u00e2ncia com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum sentido o ideal b\u00edblico \u00e9 uma utopia. Ou seja, \u00e9 um lugar que n\u00e3o existe. Uma fantasia, um devaneio, um sonho. Ou dito de outra maneira: n\u00e3o existem fam\u00edlias perfeitas. Ficou mais f\u00e1cil assim? Ent\u00e3o, a formula f\u00e1cil esconde a dificuldade. A <em>utopia<\/em> nos prop\u00f5e um local para al\u00e9m da realidade. Ou seja, um ponto no infinito para ser o alvo pelo qual caminhar nesta vida. Alvo este que &#8211; sabemos desde o in\u00edcio &#8211; n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado em 100%, mas o mais perto que cheguemos do alvo \u00e9 melhor do que trazer o alvo para n\u00edveis mais palat\u00e1veis ou &#8220;menos ut\u00f3picos&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As enchentes no Sul, assim como o informe Kinsey, nos escracha uma realidade pat\u00e9tica da nossa sociedade que tentei expor brevemente aqui. \u00c9 uma forma brutal de expor a realidade. O apelo deste pequeno escrito \u00e9 a lidar com essa realidade sabendo que &#8211; assim como o informe Kinsey tem se comprovado na observa\u00e7\u00e3o de outras sociedades distintas da estadounidense &#8211; essa mesma realidade est\u00e1 presente em nossa sociedade em geral e em nossa igreja em particular. Viver em nega\u00e7\u00e3o al\u00e9m de n\u00e3o ajudar em nada a n\u00e3o ser piorar as coisas, \u00e9 uma vergonha e perca de tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pouco de hist\u00f3ria Alfred Kinsey e sua equipe foram respons\u00e1veis por uma mudan\u00e7a profunda nas pesquisas sobre sexualidade humana. Publicado nos Estados Unidos, o primeiro volume, &#8220;Sexual Behavior in the Human Male&#8221; (1948), e o segundo, &#8220;Sexual Behavior in the Human Female&#8221; (1953), revolucionaram a compreens\u00e3o p\u00fablica e acad\u00eamica sobre o comportamento sexual. Este &hellip; <a href=\"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/informe-kinsey-a-la-tupiniquim\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Informe Kinsey \u00e0 la Tupiniquim<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1049,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[133,11,15],"tags":[134,135,137,136],"class_list":["post-1047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-catastrofes","category-sociedade","category-vida-politica","tag-enchentes","tag-estupros","tag-vandalismo","tag-violencia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Enchente-RS.jpeg","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4RFIP-gT","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1047"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1048,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047\/revisions\/1048"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}