{"id":1089,"date":"2025-08-23T09:51:01","date_gmt":"2025-08-23T12:51:01","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=1089"},"modified":"2025-08-23T09:55:28","modified_gmt":"2025-08-23T12:55:28","slug":"chamados-a-infancia-do-reino-proteger-acolher-e-formar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/chamados-a-infancia-do-reino-proteger-acolher-e-formar\/","title":{"rendered":"Chamados \u00e0 inf\u00e2ncia do Reino: proteger, acolher e formar"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 algo profundamente errado quando uma crian\u00e7a deixa de brincar cedo demais. O fen\u00f4meno da \u201cadultiza\u00e7\u00e3o\u201d infantil n\u00e3o \u00e9 apenas sobre roupas inapropriadas, exposi\u00e7\u00e3o a conte\u00fados violentos ou press\u00f5es escolares exageradas. \u00c9 sobre uma inf\u00e2ncia sequestrada pela pressa do mundo \u2014 uma pressa que transforma filhos em miniaturas de adultos ansiosos e pais em espectadores cansados diante da avalanche de telas e discursos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg\"><img data-opt-id=930323270  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:1024\/h:576\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg\" alt=\"Robert Raikes\" class=\"wp-image-1092\" srcset=\"https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:1024\/h:576\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg 1024w, https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:300\/h:169\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg 300w, https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:768\/h:432\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg 768w, https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:1536\/h:864\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg 1536w, https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:1920\/h:1080\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/robert-raikes-escuela-dominical.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><\/a><figcaption>Robert Raikes &#8211; Fundador da Escola B\u00edblica<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antes um pouco de hist\u00f3ria.<\/h2>\n\n\n\n<p>Se tomarmos em conta a Idade M\u00e9dia at\u00e9 o in\u00edcio da Idade Moderna (S\u00e9culos V a XVII) observamos que a inf\u00e2ncia n\u00e3o era vista como uma fase diferenciada da vida. Assim que sa\u00edam da primeira inf\u00e2ncia, as crian\u00e7as eram tratadas como adultos em miniatura. Ou seja, usavam roupas semelhantes \u00e0s dos pais, participavam do trabalho familiar (Tarefas dom\u00e9sticas, oficinas, campo, etc.) e a educa\u00e7\u00e3o formal era restrita a poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o da pedagogia nos s\u00e9culos XVII-XVIII, do pensamento iluminista e mais tarde de Rousseau, surge a ideia de que a crian\u00e7a \u00e9 um ser em desenvolvimento, com necessidades pr\u00f3prias. A educa\u00e7\u00e3o passa a valorizar o ritmo infantil e a inf\u00e2ncia come\u00e7a a ser vista como uma etapa espec\u00edfica da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesse contexto que surge a primeira escola b\u00edblica em moldes bastante parecidos com as atuais e cujo espirito far\u00edamos bem em resgatar. <strong>Robert Raikes<\/strong> (o senhor na imagem anterior. Um anglicano leigo que era jornalista e filantropo) organiza a primeira Sunday School (Escola Dominical). O objetivo era educar as crian\u00e7as pobres e trabalhadoras, ensinando-as a ler e escrever a partir da B\u00edblia. E isso acontecia aos domingos, pois as crian\u00e7as passavam a semana em f\u00e1bricas. Se bem era um projeto social e mission\u00e1rio, estava longe de ser proselitista. (Hoje temos um problema serio com isso, somos t\u00e3o mesquinhos que se a pessoa n\u00e3o congrega, n\u00e3o damos ajuda. Uma vergonha)<\/p>\n\n\n\n<p>Se avan\u00e7amos para o s\u00e9culo XIX com a sua revolu\u00e7\u00e3o industrial, vemos que ela trouxe (a um ritmo alarmante para a \u00e9poca) s\u00e9rias contradi\u00e7\u00f5es. Crian\u00e7as eram exploradas em f\u00e1bricas e minas, mas, ao mesmo tempo, come\u00e7aram os primeiros movimentos de legisla\u00e7\u00e3o protetiva que eram contra o trabalho infantil na Inglaterra a partir de 1833. A escola p\u00fablica obrigat\u00f3ria (final do s\u00e9culo XIX) refor\u00e7ou a separa\u00e7\u00e3o entre inf\u00e2ncia e vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi durante esse per\u00edodo que o movimento se espalhou rapidamente pela Inglaterra e depois pelos Estados Unidos e outras partes do mundo. Lentamente a \u00eanfase passou de alfabetiza\u00e7\u00e3o para instru\u00e7\u00e3o religiosa sistem\u00e1tica. A primeira escola b\u00edblica em solo tupiniquim foi realizada em 1855 em Petr\u00f3polis\/RJ organizada por Sartah Kalley, mission\u00e1ria escocesa da Igreja Congregacional e esposa do Dr.Robert Kalley considerado um dos pioneiros do protestantismo no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, no s\u00e9culo passado, se consolida a concep\u00e7\u00e3o moderna da inf\u00e2ncia como tempo de prote\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. As roupas se diferenciam nitidamente, brinquedos e literatura infantil se multiplicam e conven\u00e7\u00f5es internacionais (como a declara\u00e7\u00e3o dos direitos da crian\u00e7a da ONU em 1959) cristalizam a inf\u00e2ncia como categoria pr\u00f3pria<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as em solo tupiniquim<\/h2>\n\n\n\n<p>Vivemos num pa\u00eds em que, paradoxalmente, se discute tanto a prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e, ao mesmo tempo, se normaliza a explora\u00e7\u00e3o dela. As redes sociais transformaram crian\u00e7as em produto. A publicidade lhes rouba o encanto da descoberta. O sistema educacional, muitas vezes, lhes imp\u00f5e competitividade antes de tempo. E n\u00f3s, fam\u00edlias e igrejas, ficamos atordoados diante de um cen\u00e1rio onde o \u201cdeixai vir a mim os pequeninos\u201d (Mc 10:14) parece ecoar contra n\u00f3s como acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escritura nunca romantizou a inf\u00e2ncia. Mas Jesus a ressignificou como met\u00e1fora da entrada no Reino: depend\u00eancia, confian\u00e7a e vulnerabilidade. A crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um adulto em miniatura, nem um projeto de consumo. Ela \u00e9 dom de Deus, heran\u00e7a preciosa (Sl 127:3), chamada a florescer sob cuidado e disciplina que n\u00e3o provoque \u00e0 ira, mas \u00e0 vida (Ef 6:4).<\/p>\n\n\n\n<p>A neo-ortodoxia de Barth e Tillich lembraria que n\u00e3o se trata de um problema moral isolado, mas de um sintoma da queda: nossa tend\u00eancia de instrumentalizar o outro, inclusive os mais fr\u00e1geis. N.T. Wright acrescentaria que a comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a ser sinal do novo mundo de Deus, onde os pequenos n\u00e3o s\u00e3o explorados, mas acolhidos como protagonistas da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atitudes necess\u00e1rias a partir do Reino<\/h2>\n\n\n\n<p>O que fazer, ent\u00e3o? A primeira resposta n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica p\u00fablica, embora ela seja necess\u00e1ria. \u00c9 convers\u00e3o comunit\u00e1ria: fam\u00edlias que redescobrem o tempo da escuta, igrejas que n\u00e3o apenas \u201cd\u00e3o espa\u00e7o\u201d \u00e0s crian\u00e7as, mas reconhecem nelas mestres da f\u00e9. Um espa\u00e7o onde brincar n\u00e3o \u00e9 perda de tempo, mas sinal de eternidade; onde a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 press\u00e3o, mas cultivo paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>A pressa em fazer das crian\u00e7as adultos cedo demais revela, no fundo, nossa incredulidade. N\u00e3o confiamos no tempo de Deus, n\u00e3o confiamos no Reino que cresce como semente em sil\u00eancio. Transformamos filhos em fardos ou vitrines, quando dever\u00edamos receb\u00ea-los como par\u00e1bolas vivas da gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o nos arrependermos, repetiremos o ciclo: filhos cansados, fam\u00edlias esvaziadas, igrejas sem inf\u00e2ncia. Mas se ousarmos, como comunidade, recuperar a inf\u00e2ncia \u2014 n\u00e3o apenas a das nossas crian\u00e7as, mas a nossa diante de Deus \u2014 ent\u00e3o seremos, de fato, \u201cpequenos\u201d no Reino. E ali, paradoxalmente, encontraremos grandeza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A igreja perde seu espa\u00e7o na sociedade como instrumento de luz quando v\u00ea a escola b\u00edblica e o culto infantil como um meio de entreter crian\u00e7as para que n\u00e3o atrapalhem os adultos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1090,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[11,15],"tags":[],"class_list":["post-1089","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","category-vida-politica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/sunday-school-1920x1152-1-1536x922-1.jpg","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4RFIP-hz","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1089"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1089\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1097,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1089\/revisions\/1097"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}