{"id":1317,"date":"2026-07-01T06:10:00","date_gmt":"2026-07-01T09:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=1317"},"modified":"2026-07-01T06:10:00","modified_gmt":"2026-07-01T09:10:00","slug":"onde-o-cristao-sangra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/onde-o-cristao-sangra\/","title":{"rendered":"Onde o crist\u00e3o sangra"},"content":{"rendered":"<h1>Onde o crist\u00e3o sangra<\/h1>\n<h3>H\u00e1 dores para as quais a igreja parece n\u00e3o ter liturgia.<\/h3>\n<p>Em &ldquo;<strong>007<\/strong> <strong>\u2013<\/strong> <strong>O<\/strong> <strong>Mundo<\/strong> <strong>n\u00e3o<\/strong> <strong>\u00e9<\/strong> <strong>o<\/strong> <strong>Bastante<\/strong>&rdquo;  (ou &ldquo;<strong>007 \u2013 O Mundo N\u00e3o Chega<\/strong>&rdquo; para os lusitanos) h\u00e1 um di\u00e1logo que ficou gravado em mim quando assisti:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Q (para Bond):<br \/>\n \u201cEu sempre tentei te ensinar duas coisas. Primeiro: <strong>nunca deixe que eles vejam voc\u00ea sangrar<\/strong>.\u201d<br \/>\n Bond: \u201cE a segunda?\u201d<br \/>\n Q: \u201cTenha sempre um plano de fuga.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Sem perceber muitas comunidades crist\u00e3s ensinam exatamente isso. N\u00e3o em seus p\u00falpitos, mas em suas culturas.<\/p>\n<p>N\u00e3o falamos de casamentos acabando, do filho que morreu, da depress\u00e3o, da pornografia, da incredulidade, do adult\u00e9rio, do suic\u00eddio, da viol\u00eancia intrafamiliar, do adult\u00e9rio, da solid\u00e3o. Simplesmente colocamos cara de paisagem e continuamos. Uns fazendo de conta que n\u00e3o sabem e outros n\u00e3o deixando perceber que est\u00e3o sangrando. \u00c9 uma f\u00f3rmula para uma tempestade perfeita.<\/p>\n<p>E isso n\u00e3o \u00e9 porque Cristo n\u00e3o possa lidar com essas quest\u00f5es. Mas porque temos medo de como os irm\u00e3os lidar\u00e3o. E d\u00e1 para entender. O medo da fofoca institucionalizada (que eu sempre insisto, fica f\u00e1cil condenar a mulher que fornicou e engravidou, ou os v\u00edcios vis\u00edveis, mas aquele que pratica fofoca sempre fica de fora. E isso n\u00e3o apenas numa denomina\u00e7\u00e3o, mas em v\u00e1rias. Logo \u00e9 estrutural, institucional), como vinha dizendo, o medo da fofoca institucionalizada faz com que a gente, quando enfrenta um problema de gente real, fique de bico calado ou quando abre o bico, encontra um vazio terr\u00edvel que as igrejas &#8211; via de regra &#8211; nem consideram a possibilidade de buscar ajuda fora. <\/p>\n<p>Ao final de contas, se Cristo satisfaz todas nossas necessidades, como \u00e9 poss\u00edvel que o crist\u00e3o chegue a cogitar sequer a ideia de lan\u00e7ar m\u00e3o de um psic\u00f3logo? E eu respondo: da mesma forma que quando algu\u00e9m tem um acidente e quebra uma perna a gente corre para a UPA e n\u00e3o para o templo a orar. \u00d3bvio que se a mente desfalece ou quebra, precisamos de ajuda de outros &#8211; que nem os traumatologistas &#8211; conseguem enxergar a humanidade de forma transversal e n\u00e3o de forma unilateral ou vertical.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea, como crist\u00e3o, permite que os outros vejam voc\u00ea sangrar, se exp\u00f5e ao rid\u00edculo perante o grupo de pessoas que deveria ser o grupo mais seguro do mundo. Simplesmente porque o perd\u00e3o, o amor, a solidariedade, o carregar com os fardos dos outros, \u00e9 mat\u00e9ria &ldquo;espiritual&rdquo; como se fosse uma mat\u00e9ria &ldquo;te\u00f3rica&rdquo; apenas. <\/p>\n<p>Quando vemos pastores fracassando (como \u00e9 o caso do acontecido em nossa cidade nos \u00faltimos meses) observamos o vazio que ocorre ao redor. Pessoas simplesmente saindo escandalizadas em lugar de ficarem firmes para curar. Nisso, como me explicava um colega esta semana, as igrejas que t\u00eam uma estrutura episcopal (isto \u00e9, hier\u00e1rquica) correm com certa vantagem perante as que tem um governo congregacional (ou mais descentralizado\/representativo). <\/p>\n<h3>Perante o abismo que nosso irm\u00e3o enfrenta, nos retra\u00edmos como se tivesse lepra.<\/h3>\n<p>Se a psicologia a psican\u00e1lises e outras correntes de tratamento similares tem cada vez mais presen\u00e7a e usabilidade acontece por duas coisas: <\/p>\n<p>Primeiro porque Deus assim o permitiu porque &ldquo;as coisas reveladas pertencem aos homens&rdquo;, logo, nenhum avan\u00e7o humano pode se dizer que \u00e9 um avan\u00e7o meramente humano. Tivemos a permiss\u00e3o e a vontade de Deus colocada naquilo de alguma forma. <\/p>\n<p>Segundo porque parte da igreja acabou desenvolvendo uma espiritualidade que sabe falar sobre a eternidade, mas tem dificuldades para permanecer ao lado de quem est\u00e1 afundando hoje. Ou seja, a &ldquo;teologia do escapismo&rdquo;, das coisas apenas espirituais, centradas em si mesmas e vivendo apenas para si &#8211; ou seja &#8211; a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a sociedade para a qual deve ser luz e sal. Ela deixou de se interessar no ser humano a n\u00e3o ser para fazer n\u00famero ou assentir &ldquo;espiritualmente&rdquo; (novamente no sentido de &ldquo;te\u00f3rico&rdquo; vs &ldquo;pr\u00e1tico&rdquo;) com um conjunto de ideias que, no melhor dos casos, responde a perguntas que ela fez e respondeu no s\u00e9culo XVI<\/p>\n<p>Escrevo isso porque j\u00e1 descobri mais de uma vez o que significa atravessar uma dor profunda quase sozinho. Em momentos diferentes da minha vida, esperei que a igreja soubesse como cuidar. Na maior parte das vezes, ela simplesmente n\u00e3o soube. N\u00e3o houve persegui\u00e7\u00e3o. Houve aus\u00eancia.<\/p>\n<p>A igreja n\u00e3o falha porque \u00e9 m\u00e1. Ela falha porque foi treinada para responder perguntas e n\u00e3o para permanecer ao lado de quem sofre. <\/p>\n<h3>Jesus nunca teve medo de tocar em quem sangrava<\/h3>\n<p>E ele pr\u00f3prio sangrava (diferente do conselho de Q para Bond)<\/p>\n<p>A mulher do fluxo de sangue. O leproso L\u00e1zaro, que j\u00e1 cheirava mal. Pedro, depois da nega\u00e7\u00e3o. Tom\u00e9, depois da d\u00favida. <\/p>\n<p>Cristo nunca exigiu que algu\u00e9m escondesse a ferida para ent\u00e3o aproximar-se dele.<\/p>\n<p>E todos foram transformados depois do seu toque.<\/p>\n<p>E talvez o t\u00edtulo afirmativo de &ldquo;<strong>Onde o crist\u00e3o sangra<\/strong>&rdquo; pudesse ser transformado em uma pergunta: &ldquo;<strong>Por que construimos comunidades onde esconder o sangue parece mais seguro do que mostr\u00e1-lo, se seguimos justamente um Senhor que decidiu n\u00e3o esconder suas pr\u00f3prias feridas?<\/strong>&ldquo;<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que temos aprendido a anunciar um salvador que recebe pecadores enquanto constru\u00edmos comunidades onde pecadores precisam esconder o pr\u00f3prio sangue?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onde o crist\u00e3o sangra H\u00e1 dores para as quais a igreja parece n\u00e3o ter liturgia. 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