{"id":1397,"date":"2026-08-12T06:10:00","date_gmt":"2026-08-12T09:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=1397"},"modified":"2026-08-12T06:10:00","modified_gmt":"2026-08-12T09:10:00","slug":"medo-de-crer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/medo-de-crer\/","title":{"rendered":"Medo de crer"},"content":{"rendered":"<p>Crer \u00e9 permitir que a palavra de Cristo tenha mais autoridade sobre n\u00f3s do que aquilo que aprendemos a considerar verdadeiro, seguro e poss\u00edvel.<\/p>\n<p>T\u00falio era um empregado banc\u00e1rio exemplar. Os \u00faltimos 20 anos os passou de ag\u00eancia em ag\u00eancia at\u00e9 que estabilizou naquela cidade. Formou fam\u00edlia, teve filhos, ele e sua esposa criavam seus filhos de perto e com zelo. Criado numa fam\u00edlia crist\u00e3 de tradi\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica frequentava a igreja local com a sua fam\u00edlia. Domingos, Ter\u00e7as e s\u00e1bados estavam presentes. Contribu\u00eda financeiramente, era di\u00e1cono ativo. Internamente era um homem equilibrado. Sem d\u00edvidas. De boa reputa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 tinha um medo danado de crer. Mas nem ele estava ciente disso.<\/p>\n<h2>O problema n\u00e3o \u00e9 simplesmente acreditar.<\/h2>\n<p>Podemos acreditar em Jesus sem permitir que ele mexa profundamente naquilo em que j\u00e1 acredit\u00e1vamos antes dele. Chegamos \u00e0 f\u00e9 carregando uma interpreta\u00e7\u00e3o do mundo formada pela fam\u00edlia, cultura, religi\u00e3o, experi\u00eancia pol\u00edtica. O problema come\u00e7a quando Jesus contradiz algumas dessas certezas. Nesse momento descobrimos se cremos nele ou apenas conseguimos acomod\u00e1-lo dentro do que j\u00e1 acreditamos.<\/p>\n<h2>Pedro sobre as \u00e1guas &#8211; quando a experi\u00eancia diz que n\u00e3o pode ser.<\/h2>\n<p>O texto de Mateus 14:22-33 \u00e9 bem conhecido. Em resumo: os disc\u00edpulos est\u00e3o num pequeno barco no meio do mar sob vento forte. Jesus se aproxima. Os disc\u00edpulos o veem andando sobre as \u00e1guas. Pedro pede para provar que \u00e9 ele andando sobre as \u00e1guas. Jesus o convida. Pedro vai. Caminha. Se assusta. Come\u00e7a a afundar. Jesus lhe estende a m\u00e3o e lhe disse &ldquo;Homem de pequena f\u00e9, por que duvidaste?&rdquo;<\/p>\n<p>Pedro n\u00e3o \u00e9 qualquer pessoa. Ele \u00e9 um homem de meia idade que tinha por oficio pescador. Conhecia o mar. Ele tinha na sua experi\u00eancia sobradas raz\u00f5es para permanecer no barco. Sabia claramente que n\u00e3o era poss\u00edvel para um homem andar sobre as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Talvez exatamente por isso, ele pede para poder caminhar at\u00e9 Jesus como prova de que ele era quem aparentava &#8211; \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211; ser.<\/p>\n<p>E talvez pelo mesmo motivo, Jesus n\u00e3o faz nenhum milagre, apenas fala &ldquo;Vem&rdquo;.<\/p>\n<p>Uma \u00fanica palavra.<\/p>\n<p>Por alguns instantes, Pedro permite que essa palavra especifica de Jesus tenha mais peso que sua experi\u00eancia. Depois olha novamente para aquilo que ele conhecia de longa data: vento, \u00e1gua, perigo. Teve medo. Come\u00e7ou a afundar.<\/p>\n<p>Claro, como todo texto ele se mostra capaz de segurar uma reflex\u00e3o aleg\u00f3rica. Poder\u00edamos dizer que a \u00e1gua e o vento s\u00e3o os problemas e que o caminho sobre o mar \u00e9 o caminho que estamos trilhando, isto \u00e9, nossa vida. E se bem isso soa muito bonito &#8211; e n\u00f3s vamos acabar tirando uma li\u00e7\u00e3o moral ou espiritual disto, o relato \u00e9 hist\u00f3rico e como tal deve ser tratado.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o vento n\u00e3o come\u00e7ou quando Pedro teve medo. O vento, a \u00e1gua, as ondas, o barco, Jesus ao longe, os outros disc\u00edpulos no barco. Tudo estava l\u00e1 antes. Isso estava assim quando ele pulou a borda do barquinho e come\u00e7ou a andar sobre as \u00e1guas at\u00e9 Jesus. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que mudou? O conhecimento pr\u00e9vio entrou na mente dele e ele teve medo.<\/p>\n<p>O medo tem essa particularidade de querer nos proteger de alguma coisa. Dizem que \u00e9 melhor um covarde vivo do que um her\u00f3i morto. (A B\u00edblia diz que &ldquo;\u00e9 melhor um c\u00e3o vivo do que um le\u00e3o morto&rdquo; &#8211; Eclesiastes 9:4)<\/p>\n<p>O conhecimento anterior \u00e0 caminhada estava errado? N\u00e3o. De fato foram esses dados os que o tinham ajudado muito na tarefa no mar, o qual demanda um grande respeito. Ent\u00e3o a cren\u00e7a dele nessas experi\u00eancias anteriores (pessoais ou n\u00e3o) n\u00e3o estava errada.<\/p>\n<p>Dessa forma, h\u00e1 momentos em que crer significa admitir que nossa experi\u00eancia \u00e9 verdadeira, mas n\u00e3o tem a palavra final.<\/p>\n<h2>Nicodemos &#8211; Quando a religi\u00e3o n\u00e3o tem categoria para o que Deus est\u00e1 fazendo<\/h2>\n<p>Um outro texto bem conhecido e interessante para nosso ponto de hoje \u00e9 Jo\u00e3o 3:1-15<\/p>\n<p>&ldquo;Bem sabemos que \u00e9s Mestre, vindo de Deus&rdquo;. Essa foi a frase introdut\u00f3ria de Nicodemos naquela noite.<\/p>\n<p>Nicodemos n\u00e3o \u00e9 um incr\u00e9dulo ignorante. \u00c9 justamente seu conhecimento religioso que torna a conversa interessante. Eram dois mestres judeus sentados numa noite fresca conversando sobre suas cren\u00e7as. Um di\u00e1logo de igual a igual em certo sentido. E seus conhecimentos n\u00e3o estavam errados. Jesus n\u00e3o os descarta. S\u00f3 que ele v\u00ea uma sombra nisso tudo. Alguma coisa querendo aparecer atr\u00e1s das palavras dele que n\u00e3o chegaram a cristalizar na primeira coloca\u00e7\u00e3o de Nicodemos.<\/p>\n<p>Jesus (na sua vers\u00e3o &ldquo;Corte r\u00e1pido Tramontina&rdquo;) n\u00e3o perde a oportunidade e lhe prop\u00f5e um dilema existencial que n\u00e3o pode ser respondido pela religi\u00e3o de Nicodemos: &ldquo;aquele que n\u00e3o nascer de novo, n\u00e3o pode ver o Reino de Deus&rdquo;<\/p>\n<p>Jesus fala de nascer de novo e Nicodemos tenta encaixar aquilo nas categorias que j\u00e1 possui: &ldquo;Como pode um homem nascer, sendo velho?&rdquo;<\/p>\n<p>A pergunta de Nicodemos muito mais do que \u00f3bvia. O era naquela \u00e9poca e agora tamb\u00e9m. E a resposta &#8211; dentro do plano f\u00edsico &#8211; continua sendo \u00f3bvia.<\/p>\n<p>Todavia, da fonte de males que nos acometem, o corpo \u00e9 o mais virtuoso. J\u00e1 as afli\u00e7\u00f5es existenciais radicadas na alma precisam de um outro tipo de resposta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, pare um pouco e analise: O dilema de Nicodemos naquela noite, n\u00e3o se assemelha ao nosso? Ele estava tentando compreender a novidade de Deus usando somente categorias religiosas que trouxe consigo. A bagagem.<\/p>\n<p>Logo, \u00e0s vezes nossa dificuldade para crer n\u00e3o vem da falta de religi\u00e3o, mas da dificuldade de admitir que Deus seja maior que nossa compreens\u00e3o religiosa dele.<\/p>\n<h2>Pedro e os animais impuros &#8211; Quando Deus contradiz aquilo que aprendemos ser fidelidade<\/h2>\n<p>Este outro texto tamb\u00e9m \u00e9 bem conhecido. Talvez n\u00e3o tanto quanto os outros, mas acho que se encaixa naqueles textos que merecem um segundo olhar (e qual n\u00e3o?) Atos 10:9-20<\/p>\n<p>Diferente do Pedro de Mateus 14, aqui nos encontramos um Pedro diferente. Particularmente forte na f\u00e9. J\u00e1 \u00e9 ap\u00f3stolo, j\u00e1 confessou a Cristo. J\u00e1 recebeu o Esp\u00edrito Santo. J\u00e1 pregou corajosamente a Jesus. J\u00e1 foi encarcerado. J\u00e1 disse aquela frase c\u00e9lebre &ldquo;\u00e9 necess\u00e1rio obedecer a Deus antes que aos homens&rdquo;.<\/p>\n<p>Contudo, havia um pequeno peda\u00e7o de seu \u00edntimo que ainda precisava ser iluminado. Ele precisa ter algumas cren\u00e7as desmontadas.<\/p>\n<p>Uma ideia que muito me perturbou durante anos \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o plena e instant\u00e2nea de uma pessoa quando se converte. Todo meu conhecimento b\u00edblico me levava a concluir que a transforma\u00e7\u00e3o na hora da convers\u00e3o \u00e9 profunda, radical e duradoura. Isso, inevitavelmente, me colocava outras d\u00favidas no cora\u00e7\u00e3o: quando me converti? ser\u00e1 que de fato eu sou convertido? Minhas cren\u00e7as precisavam ser desmontadas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando Pedro ouve &ldquo;levanta-te, mata e come&rdquo; a resposta mais direta, correta, simples e natural que surge da sua cabe\u00e7a est\u00e1 aliada ao conhecimento b\u00edblico e \u00e0 pratica de uma vida: &ldquo;Nunca comi coisa alguma comum e imunda&rdquo;.<\/p>\n<p>Assim como aconteceu com a trai\u00e7\u00e3o e na sua restaura\u00e7\u00e3o, Pedro precisou de tr\u00eas vis\u00f5es redundantes (que nem as tr\u00eas nega\u00e7\u00f5es ou as tr\u00eas perguntas sobre o amor) e uma voz clara e forte que colocava fim a uma \u00e9poca na vida dele (que nem o galo e que nem Jesus na praia), disse &#8211; nas \u00faltimas duas vezes &#8211; afirmava: &ldquo;N\u00e3o fa\u00e7as tu comum ao que Deus purificou&rdquo;<\/p>\n<p>Pedro, assim como Paulo perseguindo a igreja. Era firme nas suas convic\u00e7\u00f5es. Era fiel. Isso \u00e9 f\u00e9 hebraica na pr\u00e1tica: fidelidade que torna quem cr\u00ea parte do corpo. (&ldquo;o justo pela sua f\u00e9 [fidelidade] viver\u00e1&rdquo; Habacuque 2:4) <\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Nota aos que j\u00e1 conhecem o texto<\/strong>: O grego &ldquo;pistis&rdquo; n\u00e3o consegue transportar todo o conceito do hebraico &ldquo;emun\u0101h&rdquo; mesmo chegando muito perto. A palavra hebraica transmite f\u00e9, fidelidade ou firmeza\/const\u00e2ncia. J\u00e1 &ldquo;pistis&rdquo; carrega mais f\u00e9 no sentido de confian\u00e7a e pode sim carregar algo de fidelidade ou ader\u00eancia. Todavia, n\u00e3o esgota o termo hebraico, mesmo sendo o melhor termo no grego para expressar o hebraico sem recorrer a neologismos. O termo grego traz a ideia de um ato ou atitude de crer ao passo que o hebraico arrasta o conceito de firmeza, const\u00e2ncia confi\u00e1vel. Logo, Romanos 1:17 &#8211; para Lutero e todo o mundo protestante e depois reformado e por extens\u00e3o fundamentalistas e evang\u00e9licos &#8211; \u00e9 lido como &ldquo;O justo pela f\u00e9 <strong>,<\/strong> viver\u00e1&rdquo; (repare na v\u00edrgula. Com isso quero representar que em Paulo podemos entender que a pessoa chega \u00e0 justi\u00e7a a partir (&ldquo;\u1f10\u03ba&rdquo;) da f\u00e9) ao ponto que Habacuque poderia ser lido &ldquo;O justo, pela f\u00e9 (fidelidade, const\u00e2ncia) viver\u00e1&rdquo; o que traz consequ\u00eancias profundas nos conceitos de justifica\u00e7\u00e3o, reden\u00e7\u00e3o, salva\u00e7\u00e3o, etc. A\u00ed surge o problema das tradu\u00e7\u00f5es ao portugu\u00eas. O que fazer? Ela \u00e9 fiel ao texto literal original ou segue a linha interpretativa por entender que Paulo (de f\u00e9 hebraica convertido a Jesus) escrevendo em grego segue a septuaginta? Eu sou da ideia que deve permanecer fiel ao texto original e cabe a n\u00f3s &#8211; por meio da exegese e a hermen\u00eautica &#8211; mostrar evid\u00eancias claras dessa distin\u00e7\u00e3o em lugar de adotar a interpreta\u00e7\u00e3o dos reformadores como sendo verdade absoluta. Mas isso tudo merece um outro artigo. Apenas baste dizer que salva\u00e7\u00e3o, justifica\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o dependem de f\u00e9 e se estendem \u00e0 f\u00e9. Fora dela (e exclusivamente ela), nada feito.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Voltemos ao assunto de Pedro e sua vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Como est\u00e1vamos dizendo: Pedro (assim como Paulo) estava sendo fiel ao seu conhecimento b\u00edblico. A Lei lhe impedia comer coisas impuras, e ele era fiel nisso.<\/p>\n<p>Mas as coisas tinham mudado. E os disc\u00edpulos (e muitos de n\u00f3s) n\u00e3o entendiam cabalmente do que se tratava isso tudo ao final.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, algumas das cren\u00e7as que Deus precisa corrigir em n\u00f3s s\u00e3o <strong><em>justamente<\/em><\/strong> aquelas que aprendemos a defender em nome dele.<\/p>\n<h2>Pedro repreendendo Jesus &#8211; Quando Cristo amea\u00e7a o Messias que queremos.<\/h2>\n<p>Leia o texto de Mateus 16:13-23. Eu sei que \u00e9 conhecido. Mas com tudo o que voc\u00ea leu at\u00e9 aqui, h\u00e1 algumas coisas que devem saltar aos seus olhos agora mesmo que n\u00e3o seja o que eu vou dizer a continua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 muito \u00edntimo, pessoal. Est\u00e1 o grupo pequeno de disc\u00edpulos e Jesus. Acabam de chegar a Cesareia de Filipe. E o mestre judeu, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica dos rabinos, inicia com uma pergunta: &ldquo;<em>Quem dizem os homens ser o Filho do homem?<\/em>&rdquo; Ou seja o que as pessoas pensam ao respeito da minha pessoa? Quem sou eu na ideia deles?.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que Jesus sabia o que as pessoas pensavam. Ele j\u00e1 mostrara isso em repetidas ocasi\u00f5es por meio de di\u00e1logos, discursos e confronta\u00e7\u00e3o direta. Os seus disc\u00edpulos sabiam que ele sabia. Logo, a pergunta apontava em outra dire\u00e7\u00e3o. Uma mais \u00edntima talvez.<\/p>\n<p>E as respostas vieram, espont\u00e2nea e estrepitosamente. &ldquo;Jo\u00e3o o Batista&rdquo;, &ldquo;Elias&rdquo;, &ldquo;Jeremias&rdquo;, &ldquo;ou qualquer um dos profetas&rdquo;. <\/p>\n<p>Chegaram ao final das op\u00e7\u00f5es que conheciam e eu imagino que se fez um sil\u00eancio. Aquele que antecede a pergunta de verdade. Posso imaginar Jesus olhando a todos eles como quem est\u00e1 pronto a apresentar seu ponto mais sens\u00edvel. Logo ele falou.<\/p>\n<p>&ldquo;<em>E v\u00f3s, quem dizeis que eu sou?<\/em>&ldquo;<\/p>\n<p>Imagino mais sil\u00eancio. No olhar de Jesus a sinceridade de quem com a pergunta procura ensinar algo mais. E Pedro quebra o sil\u00eancio: &ldquo;<em>Tu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo<\/em>&ldquo;<\/p>\n<p>E eu, adivinha, imagino mais sil\u00eancio. Na cabe\u00e7a dos outros judeus disc\u00edpulos com certeza haviam pensamentos do tipo: &ldquo;Enlouqueceu&rdquo;. &ldquo;\u00c9. O calor do deserto fritou os miolos dele. Chegou aqui com vegeta\u00e7\u00e3o abundante e desandou de vez&rdquo;. &ldquo;Meu&hellip; ele est\u00e1 blasfemando&rdquo;. &ldquo;Como assim um indiv\u00edduo ser filho de YHWH?&rdquo;<\/p>\n<p>Jesus se volta para ele e lhe diz: &ldquo;<em>Bem-aventurado \u00e9s tu, Sim\u00e3o Barjonas, porque to n\u00e3o revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us.<\/em>&ldquo;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Para os que gostam de estudar mais:<\/strong> a teologia natural &#8211; aquela que pretende se sustentar apenas da revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o b\u00edblica e que \u00e9 obtida por meio dos sentidos &#8211; consegue chegar at\u00e9 a conclus\u00e3o de que,  tendo em vista o que a natureza revela,  deve existir um deus criador. Paulo parece apontar nessa dire\u00e7\u00e3o em Romanos 1:19-23ss. J\u00e1 para entend\u00ea-lo como criador \u00fanico e pessoal, \u00e9 necess\u00e1ria a revela\u00e7\u00e3o especial: a B\u00edblia. Ent\u00e3o, esse conhecimento geral, universal, ao alcance de qualquer indiv\u00edduo, serve &#8211; pela conduta que esse indiv\u00edduo tem depois &#8211; apenas para conden\u00e1-lo. J\u00e1 para abra\u00e7ar a f\u00e9 salvifica \u00e9 necess\u00e1ria a revela\u00e7\u00e3o especial. (Cabe lembrar Romanos 2:12-15 e depois o vv16)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Voltando \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de Pedro, ela \u00e9 t\u00e3o grandiosa que \u00e9 a divisora de \u00e1guas do evangelho segundo S\u00e3o Mateus. Veja o in\u00edcio do 16:21: &ldquo;<em>Desde ent\u00e3o come\u00e7ou Jesus&hellip;<\/em>&ldquo;<\/p>\n<p>Algo havia mudado. Algo tinha transformado profundamente o minist\u00e9rio de Jesus. De terem estado pelo menos dois anos em um plat\u00f4 bem conhecido, agora o mestre estava resoluto em ir para Jerusal\u00e9m e ele sabia claramente o que o esperava em Jerusal\u00e9m. <\/p>\n<p>A mudan\u00e7a foi muito abrupta. Em especial para Pedro. Pedro amava Jesus &#8211; assim como os outros com exce\u00e7\u00e3o de Judas Iscariotes que estava no grupo nessa ocasi\u00e3o tamb\u00e9m. Nesse amor instou Jesus a praticar o que hoje a psicologia chama de auto-cuidado. &ldquo;<em>Senhor, tem compaix\u00e3o de ti<\/em>&rdquo;. <\/p>\n<p>N\u00e3o havia d\u00favidas que Pedro estava plenamente ciente de que o panorama que Jesus pintara, n\u00e3o era nada confort\u00e1vel e acabava em morte. A parte da ressurrei\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m entendia direito do que se tratava por mais que os fariseus e outros tinham introduzido essa no\u00e7\u00e3o havia j\u00e1 duzentos anos.<\/p>\n<p>A resposta de Jesus deve ter ressoado no local afastado em que Pedro e Jesus estavam: &ldquo;<em>Para tr\u00e1s de mim, Satan\u00e1s, que me serves de esc\u00e2ndalo; porque n\u00e3o compreendes as coisas que s\u00e3o de Deus, mas s\u00f3 as que s\u00e3o dos homens.<\/em>&ldquo;<\/p>\n<p>Estupefacto deve ter ficado Pedro.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouquinho Jesus tinha dito que ele era muit\u00edssimo feliz porque o que falara tinha sido revelado pelo Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. Agora, o que ele falara s\u00f3 manifestava conhecimento terreno das coisas. E Jesus o chamou de <strong><em>Advers\u00e1rio<\/em><\/strong>, <strong><em>Tentador<\/em><\/strong>, <strong><em>Acusador<\/em><\/strong>, <strong><em>Maligno<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O que tinha acontecido?<\/p>\n<p>Pedro aceitava que Jesus era o Messias (Cristo), mas rejeitava o que o pr\u00f3prio Messias tinha como miss\u00e3o e m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Na ideia comum da \u00e9poca ao respeito do Messias se juntava tudo. O ungido por Deus para libertar o povo da opress\u00e3o Romana e junto com isso as expectativas politico-militares ao redor dessa ideia de liberta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel confessar corretamente o nome de Jesus e ainda tentar subordin\u00e1-lo ao mundo que gostar\u00edamos que ele constru\u00edsse.<\/p>\n<p>Portanto, o medo de crer aparece quando queremos que Jesus confirme nossa vis\u00e3o de mundo, mas ele come\u00e7a a julg\u00e1-la.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Quero voltar ao Pedro sobre as \u00e1guas. <\/p>\n<p>Vamos considerar a ideia de &ldquo;sair do barco&rdquo;<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos falando de abandonar nossa fam\u00edlia, tradi\u00e7\u00e3o experi\u00eancia, religi\u00e3o ou prefer\u00eancia pol\u00edtica. Isso seria simplista demais. Essas coisas fazem parte da forma\u00e7\u00e3o de quem somos e podem carregar muita verdade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 mais profunda, muito mais: <strong>nenhuma delas pode ocupar o lugar de Cristo<\/strong><\/p>\n<p>Pedro n\u00e3o descobriu que o vento era imagin\u00e1rio. Ele n\u00e3o estava na <em>matrix<\/em> e Neo veio a salv\u00e1-lo. O vento era real. O mar continuava perigoso. O barco era, humanamente, o local mais seguro para estar. E ele estava exatamente no lugar e na a\u00e7\u00e3o que queria: andar sobre as \u00e1guas que nem Jesus.<\/p>\n<p>O chamado era real.<\/p>\n<p>Quem chamava era real.<\/p>\n<p>Mas o medo, ou falta de f\u00e9 como Jesus indica no vers\u00edculo a seguir, se fez presente.<\/p>\n<p>Todas suas cren\u00e7as anteriores lhe passavam como um lastre. E o faziam afundar. <\/p>\n<p>Seguir Jesus pode exigir que coloquemos os p\u00e9s onde tudo aquilo que sempre soubemos dizia que n\u00e3o havia ch\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crer \u00e9 permitir que a palavra de Cristo tenha mais autoridade sobre n\u00f3s do que aquilo que aprendemos a considerar verdadeiro, seguro e poss\u00edvel. T\u00falio era um empregado banc\u00e1rio exemplar. Os \u00faltimos 20 anos os passou de ag\u00eancia em ag\u00eancia at\u00e9 que estabilizou naquela cidade. Formou fam\u00edlia, teve filhos, ele e sua esposa criavam seus &hellip; <a href=\"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/medo-de-crer\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Medo de crer<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1394,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1397","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"lang":"pt","translations":{"pt":{"id":1397,"slug":"medo-de-crer"},"es":{"id":1398,"slug":"miedo-de-creer"},"en":{"id":1399,"slug":"fear-of-believing"}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/mlr63ku2e7ti.i.optimole.com\/w:auto\/h:auto\/q:mauto\/ig:avif\/https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/featured-pt-1.png","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4RFIP-mx","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1397"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1397\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1400,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1397\/revisions\/1400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}