{"id":1470,"date":"2026-10-14T08:22:29","date_gmt":"2026-10-14T11:22:29","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=1470"},"modified":"2026-10-14T13:17:56","modified_gmt":"2026-10-14T16:17:56","slug":"eu-jonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/eu-jonas\/","title":{"rendered":"Eu, Jonas"},"content":{"rendered":"<p>E repentinamente, tudo ficou escuro.<\/p>\n<p>O barulho ensurdecedor das ondas desapareceu. O vento frio, os gritos dos homens, o conv\u00e9s debaixo dos meus p\u00e9s \u2014 tudo sumiu. Primeiro veio a \u00e1gua. Depois, uma escurid\u00e3o t\u00e3o completa que eu j\u00e1 n\u00e3o sabia onde terminava meu corpo e come\u00e7ava aquilo que me cercava.<\/p>\n<p>Havia sons. Poucos. Estranhos. Sons que eu n\u00e3o sabia identificar.<\/p>\n<p>Tentei gritar.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m respondeu.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o percebi uma coisa ainda mais incompreens\u00edvel: eu estava vivo.<\/p>\n<p>Tudo o que sabia sobre o mar me dizia que, a essa altura, deveria estar morto. Bem morto. Mas n\u00e3o estava.<\/p>\n<p>Talvez eu soubesse porque ainda sentia a roupa encharcada grudada no corpo. Talvez pelo medo. Talvez porque imaginamos que os mortos n\u00e3o sintam solid\u00e3o. Ou sim sentem?<\/p>\n<p>N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>S\u00f3 sei que estava vivo e n\u00e3o tinha como explicar isso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o me ajoelhei como pude. Me curvei perante o meu criador. E orei.<\/p>\n<p>N\u00e3o como aquela repeti\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e vazia que conhecia decor. Mas com o cora\u00e7\u00e3o. Com todo meu ser.<\/p>\n<p>Chorei. Implorei. Clamei pela miseric\u00f3rdia \u00e0quele que vive por sempre. Porque al\u00e9m de vivo, me sentia expulso da sua presen\u00e7a. N\u00e3o havia como ir mais fundo. Mais longe.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o de l\u00e1, decidi fazer o \u00f3bvio: voltar meu olhar para o Criador. Na escurid\u00e3o. No sil\u00eancio. Sem nada a n\u00e3o ser minha voz. Me voltei com tudo e com nada ao mesmo tempo para o meu Criador.\u00a0<\/p>\n<p>Foram dias assim.<\/p>\n<p>E por mais que eu n\u00e3o podia ir mais fundo nem mais longe, mesmo assim, a angustia subia e tudo o preenchia. E eu orava. E era arrebatado pela sua miseric\u00f3rdia. A sua compaix\u00e3o era t\u00e3o palp\u00e1vel quanto a escurid\u00e3o que me cercava.\u00a0<\/p>\n<p>E eu passei a conhecer um outro tipo de paz. Em escurid\u00e3o. Em angustia. Em paz. N\u00e3o tinha eu como reverter minha situa\u00e7\u00e3o. Mas a paz do meu Criador estava a\u00ed. E eu a desfrutava.<\/p>\n<p>T\u00e3o repentinamente como entrara nessa situa\u00e7\u00e3o, fui devolvido \u00e0 terra firme.<\/p>\n<p>Nunca o sol me pareceu t\u00e3o radiante nem o c\u00e9u t\u00e3o azul.<\/p>\n<p>As palavras de J\u00f3 n\u00e3o sa\u00edam da minha cabe\u00e7a: &#8220;Eu sei que o meu Redentor vive&#8221;. O fato de eu estar vivo era &#8211; para mim, naquele momento &#8211; a prova de que meu Criador estava vivo e era misericordioso. Sim, se havia uma coisa que sabia de antes, mas agora a tinha experimentado era sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Se eu tinha sido lan\u00e7ado \u00e0s profundezas do mar n\u00e3o era sen\u00e3o pela minha negligencia, pelo meu desatino, pela minha desobedi\u00eancia, pelo meu confronto com aquele que me chamara para ir \u00e0 cidade grande.<\/p>\n<p>E l\u00e1 estava eu na praia. Sozinho. Meus pensamentos e eu. S\u00f3. Apenas desfrutando a b\u00ean\u00e7\u00e3o de poder ver.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tamb\u00e9m podia ouvir. Ent\u00e3o ele me chamou de novo. A mesma coisa que semanas atr\u00e1s: &#8220;V\u00e1 \u00e0 grande cidade de N\u00ednive e pregue contra ela a mensagem que lhe darei&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00ednive era uma cidade importante. A economia da regi\u00e3o passava por l\u00e1. E era enorme. Tr\u00eas dias eram necess\u00e1rios para poder atravessa-la.<\/p>\n<p>Me aproximei por um caminho que passava por uma pequena colina antes de entrar na cidade \u00e0 dist\u00e2ncia. Sentei para observ\u00e1-la. Era realmente grande. Enorme. E com um movimento de gente que eu n\u00e3o tinha visto antes.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o obedeci o Criador. Mensagem simples: &#8220;daqui a quarenta dias N\u00ednive ser\u00e1 destru\u00edda&#8221;. Sem muitas explica\u00e7\u00f5es. Sem maiores frases do que essa. A destrui\u00e7\u00e3o da cidade estava decretada. A data da execu\u00e7\u00e3o da sua pena estava prescrita j\u00e1. E eu j\u00e1 sabia que eles n\u00e3o se arrependeriam. Ent\u00e3o, para que alongar a mensagem? Uma frase simples e direta bastava.<\/p>\n<p>E a\u00ed aconteceu uma coisa que eu n\u00e3o entendia. Ou talvez, sim entendia mas me negava a aceitar.\u00a0<\/p>\n<p>Como era poss\u00edvel que esse povo parasse e se arrependesse com uma frase t\u00e3o simples? \u00c9 verdade que os pecados deles estavam escancarados. Mas eles conseguiam chegar a esse n\u00edvel de reconhecimento? Eu n\u00e3o acreditava! Como assim que se arrependiam!?<\/p>\n<p>E pior, n\u00e3o foi uma coisa que veio de cima para baixo. Primeiro foram as pessoas comuns. Os obreiros. Os mercadores. Todas as pessoas, das mais importantes \u00e0s mais singelas proclamavam jejum assim que a mensagem ia chegando.\u00a0<\/p>\n<p>Era incr\u00edvel. E olha que dos tr\u00eas dias que precisava para percorrer a cidade, eu apenas fiz o primeiro deles.<\/p>\n<p>As noticias chegaram ao Rei.<\/p>\n<p>Eu, embrutecido que estava, falei: pronto, agora sim vai chegar quem coloque ordem nisso tudo e a cidade volte a ser o que era e assim poder\u00e1 ser destru\u00edda como o merece. Porque, gente, se havia algu\u00e9m que merecia ser destru\u00edda era essa povo.\u00a0 Oh sim! Como o mereciam! At\u00e9 Deus estava de acordo comigo. N\u00e3o foi para isso que me chamou?<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o. O rei proclamou jejum. E n\u00e3o era pouca coisa n\u00e3o. Todo ser vivo devia fazer jejum. As vestes lindas, suaves e vistosas deviam ser trocadas por outras toscas de pano que machucavam a pele.\u00a0<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, ele ordenou que se abandonasse a viol\u00eancia e os maus caminhos. Isso sim confirmava minha tese! At\u00e9 o rei da cidade n\u00e3o apenas sabia da barbaridade em que vivia N\u00ednive, ele era conivente e agora&#8230;. e agora!?\u00a0 \u00a0agora ele tamb\u00e9m se arrependia e com ele a cidade inteira.<\/p>\n<p>Ahh que raiva! Que dor na boca do est\u00f3mago! Que sabor amargo na minha boca!<\/p>\n<p>Como assim que at\u00e9 o rei se arrependia!?\u00a0 Ah n\u00e3o, eu n\u00e3o queria nem ver o que o Criador iria fazer. Eu o conhecia.\u00a0<\/p>\n<p>Esse cora\u00e7\u00e3o mole dele. Vou te contar.\u00a0<\/p>\n<p>Furioso fiquei.<\/p>\n<p>Estava t\u00e3o raivoso e embrutecido que cacei um lugar solit\u00e1rio para orar. E lhe disse: &#8220;Est\u00e1 vendo!? \u00c9 por isso que eu n\u00e3o queria vir. Lembra quando eu estava tranquilo em casa? Ent\u00e3o, foi exatamente por isso que decidi fugir para T\u00e1rsis. E voc\u00ea o sabe muito bem. Eu te conhe\u00e7o. Sei desse teu cora\u00e7\u00e3o propenso a perdoar. Sei que voc\u00ea promete castigar, mas depois muda de ideia. Estou farto disso tudo! Me mata. Vai. Chega. Arranca minha vida. N\u00e3o pode ser pior do que viver!&#8221;<\/p>\n<p>Tinha muito mais a falar para Ele. Mas a raiva me deixava cego, gago, embaralhado.\u00a0<\/p>\n<p>Tudo bem ele usar de miseric\u00f3rdia comigo e me resgatar de dentro daquele peixe enorme no fundo do mar. Mas a esses daqui!? Que tipo de brincadeira bizarra \u00e9 essa.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguia falar mais nada. Um n\u00f3 na garganta se me formou. As l\u00e1grimas rolavam dos meus olhos. N\u00e3o podia acreditar uma coisa dessas. Melhor, n\u00e3o podia aceitar porque eu o conhecia. Sabia que ele era assim.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ouvi nitidamente a voz dele. N\u00e3o a tinha ouvido no grande peixe. Mas agora l\u00e1 estava essa voz mansa dele de novo. Ele me perguntou: &#8220;Voc\u00ea tem alguma raz\u00e3o para essa f\u00faria?&#8221;<\/p>\n<p>O deixei sem resposta. Preferi largar ele para l\u00e1 sem lhe dizer ao menos uma frase. N\u00e3o merecia. Mais uma vez ele me desapontara. E n\u00e3o porque &#8211; insisto &#8211; n\u00e3o o conhecesse. Mas porque eu esperava que sua justi\u00e7a sobressa\u00edsse desta vez em lugar da sua miseric\u00f3rdia.\u00a0<\/p>\n<p>Tudo bem ele ser misericordioso com os do seu povo escolhido, mas com estes!? Brincadeira. S\u00f3 podia ser brincadeira.\u00a0<\/p>\n<p>Optei por lhe fazer o vazio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o terminei de atravessar a cidade. Me assentei distante e no alto. Fiz um tapume para evitar um pouco o vento seco enquanto aguardava o que &#8211; de fato &#8211; ia acontecer com a cidade. Por um lado eu gradava esperan\u00e7a que o arrependimento deles fosse pura engana\u00e7\u00e3o. E pelo outro esperava que o Criador destru\u00edsse tudo como prometera.<\/p>\n<p>E esperei.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o meu Criador, na sua miseric\u00f3rdia, fez brotar uma planta para que o sol n\u00e3o batesse t\u00e3o forte na minha cabe\u00e7a. Oh como fiquei feliz. Sim, eu podia me juntar a J\u00f3 e dizer mais uma vez &#8220;eu sei que meu redentor vive&#8221;. Ele me cuidava. Ele me sustentava. Com toda certeza ele me amava.<\/p>\n<p>Fui dormir tranquilo. Na doce esperan\u00e7a que o julgamento do Criador se abatesse sobre a cidade de uma vez por todas. Ao final das contas, Deus tinha mostrado sua bondade para comigo. Amanh\u00e3 poderia ser o dia dele mostrar o ju\u00edzo sobre esses outros.<\/p>\n<p>Ao outro dia acordei e vi que uma lagarta tinha acabado com a planta e esta se secara. Estava nascendo o sol e junto com ele se formara um vento forte, seco, quente. O dia prometia.<\/p>\n<p>Quem sabe e isso tudo n\u00e3o era parte da destrui\u00e7\u00e3o que Deus estava trazendo sobre essa gentalha!\u00a0 Quem sabe e n\u00e3o ia eu poder assistir de camarote tudo o que ia vir! Se o dia come\u00e7ava assim, o que seria para o meio dia?<\/p>\n<p>Mas o calor n\u00e3o parava de aumentar. E a cidade parecia continuar normal. Meus olhos pararam de distinguir a realidade da imagina\u00e7\u00e3o. E sentia quase desmaiando.\u00a0<\/p>\n<p>Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que o melhor era morrer. Ah&#8230; sim&#8230; nada como a morte para poder resolver tudo de uma vez.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o voltei a orar. N\u00e3o lhe tinha voltado a dirigir a palavra desde aquele dia. Dessa vez n\u00e3o andei com voltas. Simplesmente lhe disse que para mim a morte era melhor que a vida. N\u00e3o havia necessidade de dizer mais nada. J\u00e1 tinha gasto saliva demais com ele. Era apenas um \u00faltimo favor que eu estava pedindo. Simples. Eficiente. A minha morte. Nada mais fazia sentido!!!<\/p>\n<p>E ent\u00e3o ele de novo me perguntou a mesma coisa. Bom, ou pelo menos quase a mesma. Como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos tido aquele tempo de sil\u00eancio: &#8220;Voc\u00ea tem alguma raz\u00e3o para estar t\u00e3o furioso por causa da planta?&#8221;<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o podia acreditar. S\u00f3 podia ser provoca\u00e7\u00e3o. Ele que tudo o sabe. Por que perguntaria uma coisa dessas de novo?<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o tem necessidade que ningu\u00e9m lhe ensine nem lhe instrua pois ele \u00e9 fonte de todo conhecimento e sabedoria. Nada h\u00e1 que aconte\u00e7a sem que ele saiba. Que tipo de pergunta era essa!!??\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu lhe disse &#8220;SIM!!!!! TEEEENHO!!!!!. E estou furioso. T\u00e3o furioso que apenas a morte me parece apetec\u00edvel!&#8221;\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<h2>Olhando no espelho de Jonas<\/h2>\n<p><strong>H\u00e1 alguns passagens que gostaria de alinhar com o relato de Jonas<\/strong>. A hist\u00f3ria de Jonas \u00e9 bem conhecida. Mas geralmente passamos por alto algo que &#8211; pessoalmente &#8211; me parece muito relevante. Parece que o objetivo final de Deus n\u00e3o era apenas N\u00ednive e sim o profeta.\u00a0<\/p>\n<p>Todas as falas de Deus feitas a Jonas se podem agrupar em duas: a) instru\u00e7\u00f5es &#8211; que na realidade \u00e9 apenas uma: anunciar a N\u00ednive que seu tempo chegou. b) perguntas ret\u00f3ricas. S\u00e3o tr\u00eas perguntas que Deus faz para Jonas. As primeiras duas colocam de relevo que Jonas n\u00e3o tinha raz\u00e3o para essa f\u00faria toda. E a terceira abre para uma conclus\u00e3o bem simples: Assim como Jonas teve d\u00f3 da planta, n\u00e3o deveria Deus ter pena desse povo todo na sua ignor\u00e2ncia?<\/p>\n<p>O material em Jonas \u00e9 abundante e d\u00e1 para muitas coisas.\u00a0<\/p>\n<p>Mas me deixa apenas fisgar uma caracter\u00edstica de Jonas para depois vermos juntos sua dor.<\/p>\n<p>Jonas conhecia Deus. N\u00e3o era um conhecimento intelectual apenas. Era algo mais visceral. Ao ponto tal que sabia como seria o comportamento de Deus nessa situa\u00e7\u00e3o. Repare que Deus n\u00e3o contradiz esse conhecimento. Parece como se Deus dissesse: exatamente, esse sou eu. Claro, isso n\u00e3o quer dizer que Jonas conhecesse plenamente Deus. Isso \u00e9 imposs\u00edvel. Mas tinha o suficiente conhecimento de Deus como para entender para onde ia a hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p>Jonas n\u00e3o \u00e9 pego de surpresa por Deus nesse ponto. E ali vemos uma virtude da leitura completa de um texto curto como o de Jonas j\u00e1 que encontramos isso em Jonas 4:2 ou seja, quase no final do livro. Ent\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido dizer que esse conhecimento de Deus se deixa ver na raiva de Jonas. A raiva nasce do desapontamento. H\u00e1 uma expectativa frustrada. A fuga de Jonas n\u00e3o parece estar ancorada no medo e sim nessa vida frustrada com Deus.\u00a0<\/p>\n<p>Toda a raiva de Jonas n\u00e3o \u00e9 apenas uma rea\u00e7\u00e3o a um resultado pol\u00edtico ou externo; ela \u00e9 dirigida a Deus, cuja a\u00e7\u00e3o frustra aquilo que Jonas considerava que era justo acontecer. A ambival\u00eancia existencial do ser humano torna perfeitamente poss\u00edvel que haja na mesma pessoa sentimentos positivos em rela\u00e7\u00e3o a Deus coexistindo com ressentimento ou raiva. Uma coisa n\u00e3o nega a outra. A raiva interna n\u00e3o invalida a cren\u00e7a no Criador.<\/p>\n<p>E uma das coisas frustrantes do livro de Jonas \u00e9 exatamente que essa raiva paira no texto inteiro, mas n\u00e3o h\u00e1 transforma\u00e7\u00e3o da mesma.\u00a0<\/p>\n<p>Isso me faz lembrar de Mateus 25:14-30. O servo displicente enterra seu talento. Por falta de conhecimento do seu Senhor? N\u00e3o. Exatamente pelo contrario. Mais uma vez, Jesus &#8211; na sua par\u00e1bola &#8211; n\u00e3o contradiz aquele conhecimento. Faz parte da revela\u00e7\u00e3o. Sim: O Senhor colhe onde n\u00e3o plantou (ou voc\u00ea tem visto Jesus &#8211; que persiste em forma humana e est\u00e1 assentado \u00e0 direita de Deus &#8211; sarando, pregando, expulsando dem\u00f4nios?) Ent\u00e3o o conhecimento estava certo, a emo\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m me leva a pensar no irm\u00e3o do filho pr\u00f3digo. (Lucas 15:25-32) Conhecia ele seu pai? Em certo sentido sim. Sabia o quanto tinha custado formar aquilo tudo. Mesmo talvez querendo usufruir um pouco do que era seu por direito n\u00e3o o fez. Por que? por falta de conhecimento? N\u00e3o. Sabia do custo. Sabia da dor do pai pelo irm\u00e3o mais novo. O conhecimento estava certo. As emo\u00e7\u00f5es e as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>E o que mais me toca: Mateus 18:21-35. O servo recebe o perd\u00e3o de uma d\u00edvida impag\u00e1vel. Quando chega a vez dele de fazer o mesmo com um servo menor, n\u00e3o o faz. Ele conhecia o que era perd\u00e3o. O tinha acabado de experimentar. Conseguia aplicar para o seu conservo? n\u00e3o. Conhecimento certo. A\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o.<\/p>\n<p>Jonas conhecia o Senhor. O servo displicente tamb\u00e9m. O irm\u00e3o do filho pr\u00f3digo de igual modo. E n\u00e3o \u00e9 diferente com o servo da d\u00edvida enorme.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que o conhecimento deles \u00e9 parcial. Isso j\u00e1 foi estabelecido. Mas me surpreende nos quatro relatos o espa\u00e7o vago entre o que \u00e9 da possibilidade da a\u00e7\u00e3o de Deus e o lugar da a\u00e7\u00e3o humana. Ou dito de uma outra forma: alguma particularidade do Senhor conheciam. E essa particularidade a conheciam de forma at\u00e9 profunda poder\u00edamos dizer. Por\u00e9m, esse conhecimento n\u00e3o se traduzia em ter o mesmo cora\u00e7\u00e3o do Senhor. Sim, eram conhecimentos parciais. Mas achamos que deveriam ter sido suficientes para alterar suas emo\u00e7\u00f5es e condutas.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o o foram.<\/p>\n<p><strong>Todas essas hist\u00f3rias tem esse toque amargo no final.<\/strong> Algu\u00e9m n\u00e3o entendeu como funciona a coisa.<\/p>\n<p>E &#8211; na B\u00edblia &#8211; deve ser assim. N\u00e3o \u00e9 Hollywood.\u00a0<\/p>\n<p>Deve ficar claro que a mesma mensagem produz efeitos diferentes nas pessoas. A mesma a\u00e7\u00e3o de Deus provoca coisas distintas dentro de cada um de n\u00f3s.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, ent\u00e3o, de conhecimento intelectual.\u00a0<\/p>\n<p>E pior, n\u00e3o se trata de falta de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A angustia mais profunda desses textos \u00e9 que essas pessoas passaram perto da verdade eterna. E n\u00e3o conseguiram ser tocados por ela.<\/p>\n<p>Jonas tinha tudo para ser uma pessoa feliz. Almejava a morte porque conhecia o seu Senhor, mas n\u00e3o o entendia com o cora\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Da pr\u00f3xima vez que o Senhor o fa\u00e7a chorar; n\u00e3o corra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E repentinamente, tudo ficou escuro. O barulho ensurdecedor das ondas desapareceu. O vento frio, os gritos dos homens, o conv\u00e9s debaixo dos meus p\u00e9s \u2014 tudo sumiu. Primeiro veio a \u00e1gua. Depois, uma escurid\u00e3o t\u00e3o completa que eu j\u00e1 n\u00e3o sabia onde terminava meu corpo e come\u00e7ava aquilo que me cercava. Havia sons. Poucos. 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