{"id":25,"date":"2014-02-15T14:28:44","date_gmt":"2014-02-15T16:28:44","guid":{"rendered":"http:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=25"},"modified":"2014-08-04T01:50:05","modified_gmt":"2014-08-04T04:50:05","slug":"precos-custos-e-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/precos-custos-e-valores\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7os, custos e valores"},"content":{"rendered":"<p>O que \u00e9 mais barato? Uma garrafa de cerveja descart\u00e1vel de 300ml por R$1,19 ou um litro de leite UHT por R$1,38?<br \/>\nQual vale mais? Qual custa menos?<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos -como de costume- sem dinheiro na fila do supermercado fazendo as contas para ver se a compra tinha sido satisfat\u00f3ria. Fazemos isso porque precisamos chegar no fim do m\u00eas comendo mais ou menos bem n\u00e3o por sermos sovinas, tacanhos, seguros,\u00a0avaros ou coisa parecida;<\/p>\n<p>Aquele dia foi -por\u00e9m- po\u00e9tico por chama-lo de alguma forma.<\/p>\n<p>Na nossa frente havia umas 10 pessoas no caixa e logo ap\u00f3s de chegarmos j\u00e1 se formaram mais seis ou sete pessoas atr\u00e1s. \u00a0O interessante era o conte\u00fado dos carrinhos. \u00a0O nosso carro tinha o comum de uma fam\u00edlia de tamanho m\u00e9dio mais uma caixa de leite comprada fora de \u00e9poca, isso porque naquele supermercado o leite \u00e9 mais barato na primeira semana mas o m\u00eas n\u00e3o tinha come\u00e7ado t\u00e3o empolgado como deveria, ent\u00e3o est\u00e1vamos dando aquela refor\u00e7ada.<\/p>\n<p>J\u00e1 os carrinhos de nossos colegas de fila (de algum modo temos que chama-los) estavam repletos, lotados, transbordantes de cerveja. \u00a0Falei &#8220;Pronto, perdi uma promo\u00e7\u00e3o. Onde estava minha cabe\u00e7a que n\u00e3o fiz a conta direito? Por que n\u00e3o \u00e9 inicio de m\u00eas? cad\u00ea a sexta-feira?&#8221;<\/p>\n<p>Meio sem gra\u00e7a (e com muito tempo sobrando pela velocidade de decanta\u00e7\u00e3o da fila) me locomovi at\u00e9 o setor apropriado para ver se eu tinha visto errado. Achei a promo\u00e7\u00e3o: Garrafa de cerveja por R$ 1,19. \u00c9.. n\u00e3o devia ter visto. \u00a0Cheguei perto e vi a causa: Era uma daquelas garrafinhas descart\u00e1veis de 300ml com conte\u00fado pr\u00e9-choco \u00e0 temperatura ambiente. Ai pensei &#8220;Meu, esse povo t\u00e1 louco mesmo!&#8221; \u00a0&#8220;Em que cabe\u00e7a cabe que isso \u00e9 uma promo\u00e7\u00e3o?&#8221; Explico: \u00e9 de se esperar que em uma promo\u00e7\u00e3o voc\u00ea -se bem n\u00e3o ganhe- pelo menos sinta que ganha alguma coisa numa &#8220;promo\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Voltando de m\u00e3os vazias e com um sorriso no rosto, fiquei a pensar nessa catarses de confus\u00e3o coletiva que estava presenciando. Ou seja, n\u00e3o interessa do que fosse a promo\u00e7\u00e3o se tratava de uma daquelas propagandas que estava no umbral do engano beirando a pura sacanagem marqueteira de algu\u00e9m querendo desovar estoque. \u00a0Mas tinha dado certo, ali\u00e1s, muito certo. \u00a0Todos os caixas estavam cheias de carrinhos com uma duas e at\u00e9 tr\u00eas caixas do produto.<\/p>\n<p>Minha mente, ent\u00e3o, se elevou a coisas mais produtivas como os seguintes par\u00e1grafos de reflex\u00e3o que \u00e9 -ao final de contas- o que uma hist\u00f3ria t\u00e3o bizarra nos pode provocar.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que o povo tem por &#8216;valor&#8217;?. \u00a0Qual o &#8216;custo&#8217; de uma certa coisa? E o que isso tudo tem a ver com &#8216;pre\u00e7o&#8217;?<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos o &#8216;custo&#8217; de alguma coisa seria a somat\u00f3ria de produ\u00e7\u00e3o, transportes, estocagem, exposi\u00e7\u00e3o e m\u00e3o de obra mais uma margem de lucro. \u00a0Hoje o &#8216;custo&#8217; est\u00e1 mais parecido com um chute. \u00a0Ou seja, na simplifica\u00e7\u00e3o da coisa &#8216;custo&#8217; hoje \u00e9 o que o mercado est\u00e1 disposto a pagar por uma determinada coisa. Levadas as coisas ao extremo, reduzir os custos \u00e9 reduzir os escr\u00fapulos.<\/p>\n<p>J\u00e1 &#8216;pre\u00e7o&#8217; \u00e9 o que est\u00e1 na etiqueta e que o consumidor final vai levar. \u00a0Ou seja, \u00e9 a ponta do iceberg, o frangir dos ovos, a remela dos olhos. Deixamos que nos enganem facilmente derrubando o numero que est\u00e1 na etiqueta e chamando o dia de &#8216;black-friday&#8217; e mesmo que seja um bom engodo, gostamos de acreditar nele.<\/p>\n<p>E finalmente temos o &#8216;valor&#8217; que seria o que realmente a coisa comprada acrescenta (ou tira) \u00e0 nossa vida. Um exemplo extremo ilustra melhor isto. \u00a0Digamos que uma casa popular (dois quartos, geminada, sem pintar) um carro popular (palio, 1996, pintura desbotada) e a latinha de cerveja estivessem na pratilheira do mercado com uma etiqueta de &#8216;pre\u00e7o&#8217; id\u00eantica. Qual &#8216;vale&#8217; mais? \u00a0Bom, obviamente a que mais acrescenta \u00e0 vida de quem compra. \u00a0Ent\u00e3o se voc\u00ea est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o similar \u00e0 minha, optaria pela casa em primeiro lugar. Mas digamos de que quem compra j\u00e1 tem n\u00e3o uma mas duas casas muito boas, e um ou dois carros do ano&#8230; para que considerar a casinha brejeira e o carro que a cada seis meses tem que levar a alinhar ou perde os pneus?<\/p>\n<p>Ou seja, &#8216;custo&#8217;, &#8216;valor&#8217; e &#8216;pre\u00e7o&#8217; est\u00e3o amarrados n\u00e3o intrinsecamente como a propaganda n\u00e3o dita nos pretende adoutrinar e sim com a vida do comprador. \u00a0Por isso que cada vez mais as ferramentas sociais que consideram a massa s\u00e3o mais relevantes do que a opini\u00e3o de um \u00fanico comprador isolado. \u00a0Como se diz comumente: Uma andorinha n\u00e3o faz ver\u00e3o.<\/p>\n<p>A igreja, por estar inserida no mundo, n\u00e3o est\u00e1 isenta de pensar nesse padr\u00e3o. O que tanto custou na cruz, por ser de gra\u00e7a, achamos que n\u00e3o vale nada. Pronto, \u00e9 como diz 1Pd.1:9 por ternos esquecido da remiss\u00e3o de pecados n\u00e3o crescemos. \u00a0Simples.<\/p>\n<p>Reconstruindo a ideia: nos tornamos frios na f\u00e9 por n\u00e3o valorizar a origem da mesma. Aquilo ao que n\u00e3o lhe damos valor, achamos que n\u00e3o custa nada e por n\u00e3o custar nada, deve haver coisa melhor.<\/p>\n<p>Tem dois velhos c\u00e2nticos que nos trazem a ideia que estamos elaborando. Um deles diz &#8220;Eu sei que foi pago um alto pre\u00e7o, para que contigo fossemos um meu irm\u00e3o&#8221; e o outro &#8220;Eu nunca saberei o pre\u00e7o dos meus pecados l\u00e1 na cruz&#8221;<\/p>\n<p>Tanto um quanto o \u00a0outro falam de um pre\u00e7o desconhecido, isto \u00e9, um custo que o &#8216;p\u00fablico&#8217; n\u00e3o conhece, sabe ou entende, mas que est\u00e1 ai. Enquanto o primeiro fala de um &#8216;alto pre\u00e7o&#8217; sem conseguir precisar o qu\u00e3o alto \u00e9 o segundo fala dos custos desse produto chamado salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em qualquer caso, o valor que o &#8216;consumidor&#8217; cada vez mais frequente no &#8216;supermercado&#8217; neo-evang\u00e9lico admite pelo produto &#8216;salva\u00e7\u00e3o&#8217; est\u00e1 cada vez mais in\u00f3cuo pois o desconhecimento (pensamento e pr\u00e1tica) est\u00e3o cada vez mais longe do original. \u00a0Isso torna a igreja morna. E por isso, vomit\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 mais barato? Uma garrafa de cerveja descart\u00e1vel de 300ml por R$1,19 ou um litro de leite UHT por R$1,38? Qual vale mais? Qual custa menos? Est\u00e1vamos -como de costume- sem dinheiro na fila do supermercado fazendo as contas para ver se a compra tinha sido satisfat\u00f3ria. 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