{"id":493,"date":"2015-08-15T21:06:15","date_gmt":"2015-08-16T00:06:15","guid":{"rendered":"http:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=493"},"modified":"2015-08-16T18:47:29","modified_gmt":"2015-08-16T21:47:29","slug":"jesus-e-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/jesus-e-a-morte\/","title":{"rendered":"Jesus e a morte"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans', Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: xx-large;\"><b>Evangelho de Jo\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: 'Liberation Sans', Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: x-large;\">Jesus e a Morte<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"center\">Jo\u00e3o 11:1-12:50<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"center\"><a title=\"Jesus e a Morte. \u00c1udio de 16\/Ago\/2015\" href=\"https:\/\/goo.gl\/SFTeCF\" target=\"_blank\">Clique aqui para ouvir<\/a><\/p>\n<h2 class=\"western\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"western\">Enquanto estamos vivos nos achamos grande coisa. Mesmo at\u00e9 quem tem que mexer com cad\u00e1veres, se acha grande coisa. Por\u00e9m, quando a morte bate de pertinho, entendemos nossa pr\u00f3pria grande limita\u00e7\u00e3o<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p class=\"western\">Caminhamos para a morte. \u00c9 inevit\u00e1vel. Por conta do nosso esp\u00edrito ser eterno, nos achamos com capacidade de realiza\u00e7\u00e3o eterna. Provar isso \u00e9 bastante simples: observe os mais idosos, repare que eles tem sonhos como se ainda tivessem 30, 50, 70 anos de vida por diante.<\/p>\n<p class=\"western\"><span lang=\"pt-BR\">A morte \u00e9 a \u00faltima grande consequ\u00eancia nesta terra da entrada do Pecado<\/span><sup><span lang=\"pt-BR\"><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/span><\/sup><span lang=\"pt-BR\"> no mundo. A limita\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 um corol\u00e1rio das nossas pr\u00f3prias decis\u00f5es irrevers\u00edveis como ra\u00e7a. Escolhemos \u2013 como ra\u00e7a \u2013 nos parecermos com o Criador e por <\/span><span lang=\"pt-BR\">conta di<\/span><span lang=\"pt-BR\">sso nos distinguimos ainda mais. \u00c9 uma ironia fatal (sem ironias).<\/span><\/p>\n<p class=\"western\">Assim como o cego de nascen\u00e7a n\u00e3o tinha escolhido ser cego mas a cegueira era um fruto do Pecado (e o apedrejamento era o curso socio-legal do pecado de adult\u00e9rio mesmo que a adultera n\u00e3o teria escolhido essa consequ\u00eancia) assim tamb\u00e9m n\u00e3o escolhemos ter vida perec\u00edvel.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-493-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/instantes-jorge-luis-borges-tit\u00e3s.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/instantes-jorge-luis-borges-tit\u00e3s.mp3\">https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/instantes-jorge-luis-borges-tit\u00e3s.mp3<\/a><\/audio>\n<h2 class=\"western\">O in\u00edcio de tudo<\/h2>\n<p class=\"western\"><span lang=\"pt-BR\">O que faz o criador? Se respeita plenamente a decis\u00e3o do Homem<\/span><sup><span lang=\"pt-BR\"><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/span><\/sup><span lang=\"pt-BR\"> e o deixa seguir seu pr\u00f3prio rumo sem intervir, ele mesmo se torna irrespons\u00e1vel pela sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. Se ele interv\u00eam na marra e lhe imp\u00f5e suas decis\u00f5es, o Homem o poderia \u2013 com justi\u00e7a \u2013 acusar <\/span><span lang=\"pt-BR\">o criador <\/span><span lang=\"pt-BR\">de injusto, intervencionista e por ai vai. Isso por s\u00f3 elencar um par de op\u00e7\u00f5es simplificantes. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\">O pior \u00e9 que o inimigo da cria\u00e7\u00e3o (que transformamos, como ra\u00e7a, em pr\u00edncipe deste mundo pelas nossas decis\u00f5es livres l\u00e1 no \u00c9den) ficaria impune. Por mais que o que ele fez foi plenamente legal (pois escolhemos no pleno uso da nossa liberdade), \u00e9 imoral e por tanto alguma forma de tir\u00e1-lo do poder deve de existir. Ao mesmo tempo, Deus \u00e9 justo, ou seja, ele n\u00e3o poderia enganar a humanidade como o <i>pr\u00edncipe deste mundo<\/i> fez.<\/p>\n<h2 class=\"western\">A solu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"western\">A morte de Jesus na cruz tem v\u00e1rias consequ\u00eancias muitas delas imensur\u00e1veis desde nossa perspectiva de criaturas sujeitas a este mundo material. A s\u00edntese deste assunto est\u00e1 em Jo\u00e3o 12:31 e 32: <i>Agora, \u00e9 o ju\u00edzo deste mundo; agora, ser\u00e1 expulso o pr\u00edncipe deste mundo; e eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim<\/i>. O \u00e1pice da hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o nascimento do Cristo numa manjedoura e sim a morte do mesmo na cruz. \u00c9 a morte e n\u00e3o a ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo o que destrona o pr\u00edncipe deste mundo. A legalidade da morte foi eliminada por ter morrido o \u00fanico ser humano justo e com isso o Criador readquire os seus direitos sobre o ser humano e sua exist\u00eancia eterna.<\/p>\n<h2 class=\"western\">A estrutura do texto<\/h2>\n<p class=\"western\">Neste trecho observamos o seguinte fluxo: Cap 11: fato \u2013 discurso \u2013 a\u00e7\u00e3o \u2013 rea\u00e7\u00e3o Cap 12: fato \u2013 a\u00e7\u00e3o \u2013 discurso \u2013 rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\">Ou seja, \u00e9 mais ou menos a mensa estrutura que observamos em cada um dos blocos de Jo\u00e3o. N\u00e3o poderia ser de outra forma, j\u00e1 que \u00e9 a pr\u00f3pria estrutura prim\u00e1ria do texto a que foi usada para estabelecer os blocos.<\/p>\n<p class=\"western\">Novamente, as duas grandes partes que comp\u00f5em o bloco mostram certo paralelismo e os assuntos est\u00e3o entrela\u00e7ados. Igual que nos outros blocos, o destaque \u00e9 para a incredulidade de muitos em contraposi\u00e7\u00e3o com a credulidade (muitas vezes dubitativa) de poucos.<\/p>\n<h2 class=\"western\">L\u00e1zaro<\/h2>\n<p class=\"western\">Quando Jesus trata com Marta sobre a morte do Lazaro, a f\u00e9 de Marta (muitas vezes criticada por preferir os afazeres da casa do que estar com o mestre) \u00e9 exposta &#8211; assim como sua dor &#8211; na frase recolhida em Jo\u00e3o 11:24 \u201c<i>Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurrei\u00e7\u00e3o, no \u00faltimo dia<\/i>\u201d. Isso refletia talvez a classe social \u00e0 que Marta, Maria e Lazaro pertenciam (Bethania significa casa dos pobres) e quase que por conseguinte a linha doutrinaria e politica \u00e0 que pertenciam: os fariseus<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a>. Isso porque os fariseus eram mais pov\u00e3o que os saduceus e acreditavam na ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m refletiria algum ensinamento pr\u00e9vio dado por Jesus; mas ai estar\u00edamos especulando ainda mais, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 registro espec\u00edfico disso.<\/p>\n<p class=\"western\">Seja como for perante a morte do seu amigo Lazaro, Jesus exp\u00f5e seus sentimentos e tamb\u00e9m seu poder. Este homem \u00e9 o que dizia que podia perdoar pecados e se bem haviam controv\u00e9rsias sobre se um homem podia ou n\u00e3o perdoar outro homem o que n\u00e3o haviam d\u00favidas era que ningu\u00e9m poderia ressuscitar mortos. Em Jo\u00e3o n\u00e3o temos a frase \u201c<i>Qual \u00e9 mais f\u00e1cil? dizer: Os teus pecados te s\u00e3o perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?<\/i>\u201d como em Lucas 5:23 por\u00e9m a proposta \u00e9 a mesma: Os cap\u00edtulos 8 e 9 falam do perd\u00e3o de pecados, o 10 fala de Jesus e seu rebanho e o 11 e 12 falam do poder de Jesus sobre a morte. E da mesma forma que nos evangelhos sin\u00f3ticos, \u00e9 esse perd\u00e3o dos pecados (e a libera\u00e7\u00e3o da raiz do pecado) o alicerce sobre o qual pode ser constru\u00edda a igreja demolindo a constru\u00e7\u00e3o anterior mas mantendo a mesma base: O criador \u00e9 Senhor da criatura.<\/p>\n<p class=\"western\">A espera de Jesus antes de ir at\u00e9 Bet\u00e2nia e as tr\u00eas coloca\u00e7\u00f5es que repetem \u201c<i>Se estivesses aqui ele n\u00e3o teria morrido<\/i>\u201d levam a pensar que este milagre era mister de acontecer <i>antes<\/i> de ele mesmo ser morto. Ou seja, todos (Marta v.20, Maria v.32, os amigos da fam\u00edlia v.37) achavam que Jesus poderia ter impedido a morte, mas n\u00e3o que poderia venc\u00ea-la revertendo seus efeitos. Nem mesmo Marta \u2013 que \u00e9 a que chega mais perto \u2013 consegue descifrar o que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p class=\"western\">Quatro dias no t\u00famulo n\u00e3o foram suficientes para deter a vida. Por\u00e9m, mesmo a vida sendo devolvida a um morto que j\u00e1 cheirava mal, nem por isso a f\u00e9 dos homens se voltaram para Jesus. O interesse de Jesus em que as pessoas cressem, fica manifesto no v.42. O fato de que era isso que naturalmente se esperava dos que entendiam o prop\u00f3sito de Jesus, fica recolhido no v.45 nas palavras \u201c<i>muitos &#8230; vendo o que Jesus fizera, creram nele<\/i>\u201d E finalmente, que os l\u00edderes religiosos do momento sabiam que o povo poderia chegar a crer fica registrado no v.48 \u201c<i>Se o deixarmos, todos crer\u00e3o nele, e ent\u00e3o os romanos vir\u00e3o e tirar\u00e3o tanto o nosso lugar como a nossa na\u00e7\u00e3o<\/i>\u201d<\/p>\n<h2 class=\"western\">A un\u00e7\u00e3o em Bet\u00e2nia<\/h2>\n<p class=\"western\">At\u00e9 hoje o corpo de um judeu \u00e9 preparado mais ou menos da mesma forma em que eram preparados no tempo de Jesus. De fato, o ritual pelo que os judeus se conduzem hoje \u00e9 o institu\u00eddo pelo rabi Gamaliel, o mesmo que ensinou Paulo.<\/p>\n<p class=\"western\">Basicamente ele \u00e9 um ato religioso judaico e n\u00e3o apenas um mero ritual higi\u00eanico por mais que a higiene esteja presente. Um resumo simples deste ritual deveria elencar as seguintes caracter\u00edsticas: 1) S\u00f3 judeus podem fazer parte da sociedade sagrada que cuida do corpo. 2) O corpo \u00e9 completamente limpo e envolto em uma mortalha obrigatoriamente simples. 3) O corpo n\u00e3o pode ser embalsamado nem cremado. 4) O corpo deve ser sepultado na terra. 5) Caso seja usado um caix\u00e3o, este deve ter buracos para que o corpo entre em contato com o solo. 6) Tudo o que n\u00e3o for parte natural do corpo, deve ser retirado e n\u00e3o podem ser enterrados juntos com o corpo. 7) Ap\u00f3s a lavagem do corpo, s\u00e3o despejados pouco mais de 12 litros de \u00e1gua para purific\u00e1-lo. 8) Ap\u00f3s enxugado, o corpo \u00e9 vestido com as mortalhas. 9) Em caso dos homens, veste-se o Talit (xale de seda) e se poss\u00edvel, o mesmo que era usado quando ele fazia suas prezes em vida. 10) Entre a lavagem do corpo e o enterro n\u00e3o se deve ter uma interrup\u00e7\u00e3o de mais de 3 horas.<\/p>\n<p class=\"western\">Seis dias antes da P\u00e1scoa<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a> Jesus e seus disc\u00edpulos est\u00e3o em Bet\u00e2nia com Lazaro e suas irm\u00e3s. O jantar foi preparado para o mestre. Lazaro, o ressuscitado, era a atra\u00e7\u00e3o para uma multid\u00e3o que estava do lado de fora.<\/p>\n<p class=\"western\">Neste cen\u00e1rio, Maria a irm\u00e3 de Marta e de Lazaro, derrama uma pequena fortuna sobre Jesus. Segundo os c\u00e1lculos presentes em Marcos e em Jo\u00e3o, se tratava do equivalente a trezentos dias de um trabalhador bra\u00e7al. Ou seja, descontados os s\u00e1bados e feriados para festas religiosas, era o que uma pessoa comum poderia conseguir (se n\u00e3o gastasse nada) em mais de um ano. Se tomamos como exemplo que uma diarista ganha R$120,00<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a> por dia e a dracma e o den\u00e1rio equivaliam ao sal\u00e1rio de um dia de trabalho bra\u00e7al, ent\u00e3o estamos falando de alguma coisa como R$ 300*100, ou seja, R$ 36.000 em valores de hoje. Talvez assim possamos sentir a indigna\u00e7\u00e3o de Judas ao ver que o equivalente a um carro popular estava sendo despejado logo sobre os p\u00e9s<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a> de Jesus. Era muuuito dinheiro sendo jogado fora de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p class=\"western\">A interpreta\u00e7\u00e3o do fato dada por Jesus \u00e9 dupla. Por um lado, responde \u00e0s supostas inquieta\u00e7\u00f5es levantadas por Judas e talvez algum outro sobre o melhor uso que se faria desse dinheiro se fosse destinado aos pobres dizendo \u201c<i>os pobres voc\u00eas sempre ter\u00e3o consigo<\/i>\u201d. Por outro lado, abre uma linha interpretativa que nenhum dos presentes tinha levantado ainda: \u201c<i>que o guarde para o dia do meu sepultamento<\/i>\u201d<\/p>\n<p class=\"western\">Ent\u00e3o o que parece um simples relato de um jantar se transforma em uma alus\u00e3o gritante ao \u00faltimo inimigo do ser humano. Os tra\u00e7os n\u00e3o s\u00e3o mais os suaves e delicados tra\u00e7os de uma obra renascentista e assumem as cores vibrantes e o alto-contraste de uma obra impressionista.<\/p>\n<p class=\"western\">Na mesma mesa est\u00e3o um traidor, uma mulher subjugada pela figura do jovem mestre, um homem ressurreto, uma mulher pragm\u00e1tica, os disc\u00edpulos que poucas semanas depois abalariam Jerusal\u00e9m, e o criador do mundo que em poucos dias haveria de ser submetido \u00e0 morte.<\/p>\n<h2 class=\"western\">Os gregos que visitam Jesus<\/h2>\n<p class=\"western\">Se h\u00e1 uma passagem enigm\u00e1tica em Jo\u00e3o, e essa dos gregos que procuram por Jesus. A rea\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o \u00e9 a de atend\u00ea-los sen\u00e3o a de dizer \u201c<i>Chegou a hora de ser glorificado<\/i>\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\">O que esses gregos fazem aqui?<\/p>\n<p class=\"western\">Bom, desde o ponto de vista da mec\u00e2nica do relato, a mesma coisa que o oficial romano do 4:43ss. Ou seja, mostrar que o alvo da vinda de Jesus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o povo Judeu e sim a cria\u00e7\u00e3o toda. Isso fica mais evidente quando vemos o vers\u00edculo que prepara esse caminho neste bloco: 11:51,52: \u201c<i>[Caif\u00e1s] \u2026 sendo o sumo sacerdote aquele ano, profetizou que Jesus morreria pela na\u00e7\u00e3o judaica, <\/i><i><span style=\"text-decoration: underline;\">e n\u00e3o somente por aquela na\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelos filhos de Deus que est\u00e3o espalhados<\/span><\/i><i>, para reuni-los num povo.<\/i>\u201d<\/p>\n<p class=\"western\">Pela segunda vez no relato joanino, uma voz vem do c\u00e9u para confirmar o prop\u00f3sito divino nesta hist\u00f3ria toda. A primeira no batismo e agora com a visita dos gregos.<\/p>\n<p class=\"western\">A escolha da figura do trigo no contexto da visita dos gregos nos relembram duas coisas: 1) o trigo junto com a cevada constitu\u00edam a base da dieta grega. 2) As terras gregas eram ideais para o plantio de oliveira com o que se formaram col\u00f4nias gregas fora do seu territ\u00f3rio para produzir o gr\u00e3o cuja demanda sobrepujava a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\">Tal era a import\u00e2ncia do trigo na cultura hel\u00eanica que algumas moedas levavam a figura do trigo. Um estudo moderno<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a> indica que um rob\u00f4 da Gr\u00e9cia do s\u00e9culo I era movido a trigo.<\/p>\n<p class=\"western\">Com toda essa informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o parece fruto do mero acaso que Jesus escolhesse o trigo para ilustrar claramente o que haveria de acontecer com ele para os visitantes gregos (v12:24ss). Mais adiante, ele escolheria uma outra imagem que falaria ao inconsciente coletivo judeu ao dizer \u201c<i>Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim<\/i>\u201d v.32<\/p>\n<h2 class=\"western\">A incredulidade dos judeus e \u201co \u00faltimo dia\u201d<\/h2>\n<p class=\"western\">O trecho final do nosso bloco se inicia com uma palavra desalentadora \u201c<i>Mesmo depois de que Jesus fez todos aqueles sinais miraculosos, n\u00e3o creram nele<\/i>\u201d (v37)<\/p>\n<p class=\"western\">A explica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o \u00e9 direta e simples mas n\u00e3o simplista. Ele cola duas passagens de Isa\u00edas. O cap\u00edtulo 53 e o 6. A explica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o \u00e9 a seguinte: N\u00e3o criam, porque n\u00e3o podiam. Os olhos lhes tinham sido fechados para n\u00e3o conseguir crer. Ou dito de outra forma, eles n\u00e3o criam para que se cumprisse a profecia de Isa\u00edas. Para muitos isso parece injusti\u00e7a, mas \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio j\u00e1 que desta forma, o verdadeiro soberano recebe gl\u00f3ria, ao passo que nossa liberdade, sempre nos leva para longe do Cristo e sua salva\u00e7\u00e3o. Ou, usando as palavras de Jo\u00e3o, Isa\u00edas falou isso porque ele viu a gl\u00f3ria de Jesus. Esta gl\u00f3ria, segundo o pr\u00f3prio Jesus e a voz vinda do c\u00e9u, estava atrelada \u00e0 sua morte. Ou seja, se n\u00e3o fosse pelo pr\u00f3prio Jesus ter dito, n\u00e3o ver\u00edamos gl\u00f3ria na morte. Do mesmo jeito, naturalmente n\u00e3o achamos justi\u00e7a em exigir uma f\u00e9 genu\u00edna de homens que n\u00e3o podem t\u00ea-la. A \u00fanica perspectiva poss\u00edvel \u00e9 desde a soberania do Criador.<\/p>\n<p class=\"western\">O trecho final se encerra com uma refer\u00eancia \u00e0 morte e ao julgamento que na mente dos judeus aconteceria logo ap\u00f3s a morte.<\/p>\n<p class=\"western\">\u201c<i>Se algu\u00e9m ouve as minhas palavras, e n\u00e3o lhes obedece, eu n\u00e3o o julgo. Pois n\u00e3o vim para julgar o mundo, mas para salv\u00e1-lo. H\u00e1 um juiz para quem me rejeita e n\u00e3o aceita as minhas palavras; a pr\u00f3pria palavra que proferi o condenar\u00e1 no \u00faltimo dia.<\/i>\u201d (v47-v48)<\/p>\n<p class=\"western\">Costumamos pensar nesse \u201cultimo dia\u201d como um evento distante no futuro. Deixe-me lhe mostrar o que os judeus (para quem foram escritas em primeiro lugar estas palavras) pensam sobre a morte e o julgamento usando uma refer\u00eancia ao Tahar\u00e1 ou a purifica\u00e7\u00e3o do corpo do morto:<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>A tradi\u00e7\u00e3o judaica reconhece a democracia da morte. Portanto, exige que todos os judeus sejam enterrados com o mesmo tipo de roupa. Ricos ou pobres, todos s\u00e3o iguais perante D&#8217;us, e o que determina sua recompensa n\u00e3o \u00e9 aquilo que vestem, mas aquilo que s\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\"><p>H\u00e1 1900 anos, Rabi Gamaliel instituiu essa pr\u00e1tica para que os pobres n\u00e3o se envergonhassem e os ricos n\u00e3o rivalizassem entre si ao exibir roupas dispendiosas ao serem enterrados.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\"><p>As roupas a serem vestidas devem ser apropriadas para algu\u00e9m que em breve estar\u00e1 em julgamento perante D&#8217;us Todo Poderoso, o Mestre do Universo e Criador do homem. Portanto, devem ser simples, feitas \u00e0 m\u00e3o, perfeitamente limpas e brancas. Estas mortalhas simbolizam pureza, simplicidade e dignidade. Mortalhas n\u00e3o t\u00eam bolsos. Portanto, n\u00e3o podem levar riquezas materiais. Nem um pertence do homem, exceto sua alma, tem import\u00e2ncia. <a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a>Talvez um livro palat\u00e1vel para o leitor comum seja \u201cO carrasco do amor\u201d de Irvin D.Yalom. O autor mostra com uma linguajem simples diversos encontros (mistura de realidade e fic\u00e7\u00e3o) no setting psicol\u00f3gico nos quais os diversos protagonistas demostram sua angustia com a morte. Da introdu\u00e7\u00e3o (p.13) escolhi a seguinte frase: \u201c<i>\u00c0 medida que envelhecemos, aprendemos a tirar a morte da mente; desviamos a aten\u00e7\u00e3o do tema; n\u00f3s a transformamos em algo positivo; a negamos com mitos confortadores; lutamos pela imortalidade por meio de obras imortais, lan\u00e7ando nossa semente no futuro <\/i><i>por meio de nossos filhos ou abra\u00e7ando um sistema religioso que\u00a0ofere\u00e7a\u00a0perpetua\u00e7\u00e3o\u00a0espiritual<\/i>\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>J\u00e1 combinamos anteriormente chamar de <i>Pecado<\/i> com &#8216;P&#8217; mai\u00fascula \u00e0quele poder que permeia toda a cria\u00e7\u00e3o desde a escolha de Ad\u00e3o e Eva e chamar de <i>pecado<\/i> com &#8216;p&#8217; minuscula \u00e0s decis\u00f5es particulares contrarias \u00e0 vontade divina seja por a\u00e7\u00e3o, omiss\u00e3o ou pensamento.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>Novamente Homem (com &#8216;H&#8217; mai\u00fascula) indica a ra\u00e7a, ao passo que um indiv\u00edduo o representaremos com &#8216;h&#8217; min\u00fascula.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a>Os fariseus (que segundo Josefo, um historiador judeu e por sinal fariseu que viveu entre os anos 37 e 100, eram estimados em 6000 \u00e0 \u00e9poca) eram mais bem quistos pela sociedade comum, pelo homem de a p\u00e9, do que os saduceus. H\u00e1, pelo menos, dois fariseus importantes que o leitor evang\u00e9lico conhece bem: Gamaliel (Atos 5:34) e Paulo (Atos 22:3; Fil.3:5). O grande problema de Jesus (e Jo\u00e3o o Batista) com os fariseus, n\u00e3o era teol\u00f3gico e sim \u00e9tico; mais especificamente, o div\u00f3rcio existencial entre o discurso e a pr\u00e1tica do discursado.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a>H<span lang=\"pt-BR\">\u00e1 um s\u00e1bio desbalan\u00e7o no jeito em que o autor arranja seus assuntos cronologicamente. Se o cap\u00edtulo 1 fala da eternidade at\u00e9 o batismo de Jesus, do cap\u00edtulo 1 at\u00e9 o 11 o relato abrange tr\u00eas anos da vida adulta de Jesus. Na metade do livro <\/span><span lang=\"pt-BR\">e at\u00e9 o final do mesmo<\/span><span lang=\"pt-BR\">, o tempo para em uma semana. <\/span><span lang=\"pt-BR\">Por\u00e9m, do cap\u00edtulo 13 at\u00e9 o 19 ele se concentra em uma \u00fanica noite que \u00e9 a que Jesus foi tra\u00eddo e morto. Ent\u00e3o esta introdu\u00e7\u00e3o em dois movimentos ao assunto <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>morte<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\"> \u00e9 de extrema import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a>http:\/\/g1.globo.com\/minas-gerais\/noticia\/2015\/04\/pesquisa-aponta-variacao-no-preco-dos-servicos-oferecidos-por-diaristas.html<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a>Mateus e Marcos v\u00e3o dizer que \u00e9 sobre a cabe\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a>http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Ciencia\/0,,MUL78601-5603,00.html<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote9\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">9<\/a>http:\/\/www.chabad.org.br\/ciclodavida\/Falecimento_luto\/falecimento\/taharah.html<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evangelho de Jo\u00e3o Jesus e a Morte Jo\u00e3o 11:1-12:50 Clique aqui para ouvir Introdu\u00e7\u00e3o Enquanto estamos vivos nos achamos grande coisa. Mesmo at\u00e9 quem tem que mexer com cad\u00e1veres, se acha grande coisa. Por\u00e9m, quando a morte bate de pertinho, entendemos nossa pr\u00f3pria grande limita\u00e7\u00e3o1. Caminhamos para a morte. \u00c9 inevit\u00e1vel. Por conta do nosso &hellip; <a href=\"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/jesus-e-a-morte\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Jesus e a morte<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14,43,40],"tags":[],"class_list":["post-493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-conversao","category-evangelho-de-joao","category-teologia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4RFIP-7X","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=493"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":499,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493\/revisions\/499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}