{"id":874,"date":"2021-04-07T13:08:39","date_gmt":"2021-04-07T16:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=874"},"modified":"2023-12-29T20:11:53","modified_gmt":"2023-12-29T23:11:53","slug":"a-morte-como-gatilho-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/a-morte-como-gatilho-social\/","title":{"rendered":"A morte como gatilho social"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-opt-id=1653006219  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/d\/d1\/Jefferson_Barracks_National_Cemetery.JPG\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Estava escrevendo o material para uma aula esses dias e lembrei de um ditado: <em>H\u00e1 duas coisas das quais o homem n\u00e3o escapa: da morte e dos impostos.<\/em> Refletindo sobre isso &#8211; e como era assunto da aula &#8211; argumentava do porqu\u00ea (maquiavelicamente falando) \u00e9 importante para um governo manter os valores dos impostos em um patamar aceit\u00e1vel. Lembro de ter lido sobre uma regra resultado de uma an\u00e1lise de que at\u00e9 21% de carga impositiva, \u00e9 mais barato pagar impostos do que sonegar. Todavia, essa barreira \u00e9 facilmente transposta quando certos interesses (mormente mesquinhos) se sobrep\u00f5em com o qual obtemos o pior dos mundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente sobre a aula que estava preparando, ficava f\u00e1cil argumentar a raz\u00e3o pela qual as dez tribos judias se sublevaram contra Robo\u00e3o (filho e sucessor de Salom\u00e3o) pois ele n\u00e3o quis baixar os impostos mas ainda tornar-se mais duro com o povo. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o do ditado, me faltava a outra parte, a morte. Ai comecei a escrever, mas acabou ficando muito longo para ser apenas uma nota marginal e por isso decidi escrever este esbo\u00e7o de um artigo que talvez veja em algum outro momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando uma sociedade come\u00e7a a n\u00e3o poder saber como, onde, ou de que forma seus mortos s\u00e3o enterrados o terror toma conta da mesma. Isso porque \u00e9 apenas a morte a que iguala todos os seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pessoa pode ter nascido rica, ter crescido bem abastada, frequentar uma boa escola. Mas ai chega um ponto em que ela entende que a sociedade em que vive n\u00e3o faz juz a certos valores que lhe s\u00e3o caros (geralmente associados \u00e0 liberdade) e come\u00e7a a lutar por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime de plant\u00e3o primeiro coage, depois censura, ap\u00f3s isso trancafia, desterra e\u2026 no \u00faltimo dos casos, mata o individuo sumindo com o cadaver.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, at\u00e9 aqueles que eram contr\u00e1rios originalmente \u00e0 causa se juntam a ela j\u00e1 que se aconteceu com Fulano, pode acontecer comigo. Ou pior: com meus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a raz\u00e3o &#8211; em \u00faltima inst\u00e2ncia &#8211; do encerramento de muitos governos represores e tamb\u00e9m de certos levantamentos recentes j\u00e1 que \u00e9 o t\u00famulo (e n\u00e3o o ber\u00e7o) o que iguala os individuos e \u00e9 ela o \u00e1pice do esmagamento de outros direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Baste pensar nos seguintes exemplos em ordem cronol\u00f3gica: a queda dos regimes de exce\u00e7\u00e3o na America Latina, o desmembramento dos pa\u00edses do bloco sovi\u00e9tico e a primavera \u00e1rabe. Todos eles tem muitos mortos no por\u00e3o. As sociedades aguentaram um mundo de coisas. Mas quando chegaram nos mortos, a coisa come\u00e7ou a virar. Pode ter levado anos, mas o sil\u00eancio que toma conta da comunica\u00e7\u00e3o faz sentir essa virada.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00f3s observamos ao largo e alto da America Latina, h\u00e1 um monte de fam\u00edlias cuja op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 contraria \u00e0quela que se nega a investigar sobre desaparecidos, mortos sem t\u00famulo, etc. E \u00e9 isso que modula todo seu pensar j\u00e1 que essas mortes est\u00e3o grandemente vinculadas com trai\u00e7\u00e3o ao que lhe \u00e9 mais \u00edntimo e sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente o que mais nos afeta socialmente em medio \u00e0 pandemia da COVID19 \u00e9 justamente o n\u00e3o poder enterrar o morto sem v\u00ea-lo por \u00faltima vez. Ent\u00e3o essas mortes, servem como exemplo e aproxima\u00e7\u00e3o por analogia para aquelas outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, imagine quando se repete a hist\u00f3ria uma e outra vez de que h\u00e1 um &#8220;desaparecido&#8221;. Isto \u00e9, um morto sem raz\u00f5es suficientes, sem t\u00famulo adequado, sem um momento para a despedida e &#8211; via de regra &#8211; por raz\u00f5es bizarras. O que pensamos (dizendo ou n\u00e3o) \u00e9: &#8220;\u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 acontecer comigo&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por essas e outras que digo que o ditado popular, mais uma vez, revela algumas verdades muito interessantes. O lance dos impostos o tratarei na aula; mas vejo que essas duas opress\u00f5es s\u00e3o as que marcam o inicio de uma rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro dia gastarei tempo procurando as pesquisas e as refer\u00eancias. (Em especial da barreira de 21%&#8230; eu acho que era Indon\u00e9sia, mas n\u00e3o lembro)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava escrevendo o material para uma aula esses dias e lembrei de um ditado: H\u00e1 duas coisas das quais o homem n\u00e3o escapa: da morte e dos impostos. 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