{"id":970,"date":"2022-11-15T23:48:38","date_gmt":"2022-11-16T02:48:38","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=970"},"modified":"2022-11-15T23:48:40","modified_gmt":"2022-11-16T02:48:40","slug":"a-republica-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/a-republica-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"A rep\u00fablica do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"\n<p>Sobre as rela\u00e7\u00f5es viscerais do Exercito Brasileiro e a forma\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica; de como isso o impede de subverter a ordem na atual conjuntura; e de qual deva ser sua conduta como crist\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o que vivemos nesta transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de novembro de 1889, a rep\u00fablica foi proclamada. Nela se misturam quatro situa\u00e7\u00f5es de grande magnitude que tinham se acumulado ao longo dos anos: militares insatisfeitos com o soldo, a carreira e a proibi\u00e7\u00e3o de manifestar suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas; civis desgostosos com a monarquia; descontentamento entre as elites emergentes por se verem sub-representados na vida pol\u00edtica da monarquia; grupos que desejavam uma maior participa\u00e7\u00e3o pelo voto; e claro, a quest\u00e3o abolicionista. Essa \u00e9, em resumo, a receita da proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O Manifesto Republicano<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por um acaso o movimento republicano come\u00e7a em 1870 logo depois da Guerra do Paraguai, dando in\u00edcio a uma separa\u00e7\u00e3o entre os interesses da popula\u00e7\u00e3o e a capacidade da monarquia de atender aos mesmos. Esse movimento \u00e9 formalizado pelo <strong><a href=\"http:\/\/www.cbg.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/manifesto-republicano.pdf\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/www.cbg.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/manifesto-republicano.pdf\">Manifesto Republicano<\/a><\/strong> que em suas linhas finais diz assim:<\/p>\n\n\n\n<p><code>Somos da Am\u00e9rica e queremos ser americanos. A nossa forma de governo \u00e9, em sua ess\u00eancia e em sua pr\u00e1tica, antin\u00f4mica e hostil ao direito e aos interesses dos Estados americanos. A perman\u00eancia dessa forma tem de ser for\u00e7osamente, al\u00e9m da origem de opress\u00e3o no interior, a fonte perp\u00e9tua da hostilidade e das guerras com os povos que nos rodeiam. Perante a Europa passamos por ser uma democracia mon\u00e1rquica que n\u00e3o inspira simpatia nem provoca ades\u00e3o. Perante a Am\u00e9rica passamos por ser uma democracia monarquizada, aonde o instinto e a for\u00e7a do povo n\u00e3o podem preponderar ante o arb\u00edtrio e a onipot\u00eancia do soberano. Em tais condi\u00e7\u00f5es pode o Brasil considerar-se um pa\u00eds isolado, n\u00e3o s\u00f3 no seio da Am\u00e9rica, mas no seio do mundo. O nosso esfor\u00e7o dirige-se a suprimir este estado de coisas, pondo-nos em contato fraternal com todos os povos, e em solidariedade democr\u00e1tica com o continente de que fazemos parte.<\/code><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O Ex\u00e9rcito<\/h4>\n\n\n\n<p>Podemos afirmar, sem medo a errar, que na nascente desse torrentoso rio chamado <strong>rep\u00fablica<\/strong> encontra-se o desejo visceral de fazer parte dos povos americanos e n\u00e3o apenas uma extens\u00e3o de um reino al\u00e9m do oceano que n\u00e3o mais atendia (se \u00e9 que alguma vez o fez) os interesses do ser brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A profissionaliza\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o militar est\u00e1 diretamente relacionada com esse desassossego dos militares com a situa\u00e7\u00e3o. Entendiam que lhes faltava o reconhecimento devido pelos servi\u00e7os prestados na guerra do Paraguai. Por outro lado, eles se entendiam como os tutores do Estado brasileiro. Sob essa \u00f3tica, nada mais obvio do que almejar que suas opini\u00f5es politicas pudessem ser ouvidos. Na monarquia, eles eram proibidos de se manifestarem tanto dentro da corpora\u00e7\u00e3o como em ve\u00edculos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Insuflados pelo positivismo (que acreditava no progresso continuo da humanidade) eles entendiam que esse processo deveria ser conduzido por um governante e que se necess\u00e1rio for, este poderia se afastar do desejo da popula\u00e7\u00e3o. Traduzido: um governo republicano ditatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada mais natural para uma institui\u00e7\u00e3o fortemente alicer\u00e7ada em uma cadeia de poder. Sem essa cadeia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel coordenar toda a tropa na hora da crise. \u00c9 aquela mistura estranha de ideias em que uma institui\u00e7\u00e3o dedicada a conservar a ordem deseja impor sua vis\u00e3o de ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja como for, \u00e9 ineg\u00e1vel que o Ex\u00e9rcito Brasileiro em toda sua extens\u00e3o fez parte do movimento republicano, negociando aqui e acol\u00e1 o restante da ideia, como corresponde a qualquer democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, e como consequ\u00eancia da influ\u00eancia do positivismo na tropa, a institui\u00e7\u00e3o era a favor da laicidade do estado em contraposi\u00e7\u00e3o a um estado cat\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a forma\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica muito deve ao esfor\u00e7o ciente do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Das outras for\u00e7as<\/h4>\n\n\n\n<p>Sem a presen\u00e7a do ex\u00e9rcito, as outras for\u00e7as dificilmente poderiam pensar em reverter a situa\u00e7\u00e3o a curto prazo. Desde o manifesto republicano at\u00e9 o desfecho v\u00e3o quase 20 anos. Sem a participa\u00e7\u00e3o (o descontento) do ex\u00e9rcito dificilmente a popula\u00e7\u00e3o poderia se levantar.<\/p>\n\n\n\n<p>As capitanias e posteriores prov\u00edncias estavam constitu\u00eddas de tal forma que era virtualmente imposs\u00edvel que se levantassem com for\u00e7a e coordena\u00e7\u00e3o suficiente como para subverter a ordem vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Era necess\u00e1rio que essas for\u00e7as se combinassem de uma tal forma para que a monarquia fosse invi\u00e1vel, que sem o ex\u00e9rcito isso seria improv\u00e1vel. Ele era, em certo sentido, o fator de for\u00e7a comum a todos os outros movimentos e com a capilaridade suficiente como para poder catalisar isso tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, mesmo assim, leva quase 20 anos em banho-maria at\u00e9 a formaliza\u00e7\u00e3o de um novo projeto de na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Que n\u00e3o se enganem os observadores ocasionais: o Ex\u00e9rcito Brasileiro tem um compromisso institucional com a na\u00e7\u00e3o brasileira e seu projeto republicano.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O golpe de 1964<\/h4>\n\n\n\n<p>Muito se discute se o que aconteceu em 1964 foi um golpe ou uma interven\u00e7\u00e3o militar. H\u00e1 ainda os que dizem que se tratou de uma resposta ao clamor popular e que por isso foi um movimento leg\u00edtimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma interven\u00e7\u00e3o militar interna, acontece quando os poderes institucionais convocam as for\u00e7as armadas a defender a ordem p\u00fablica, a paz social, a estabilidade institucional ou uma mistura dessas tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi isso o que aconteceu em 1964. N\u00e3o havendo nenhum pedido formal (por parte do Congresso Nacional) que validasse qualquer uma das marchas das duas frentes militares que se mobilizaram em 31 de mar\u00e7o, pode-se concluir que n\u00e3o se tratou de uma &#8220;interven\u00e7\u00e3o militar&#8221; nos moldes da constitui\u00e7\u00e3o de 1946.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma derrocada do poder escolhido democraticamente pelo uso da for\u00e7a sob o ponto de vista de uma parte da popula\u00e7\u00e3o. Ou, como definido por Gabriel Naud\u00e9: um golpe de estado. Parte funcional do estado se levantando contra outra parte do pr\u00f3prio estado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A situa\u00e7\u00e3o daqueles anos<\/h4>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es dos generais Costa e Silva no Rio de Janeiro e Ol\u00edmio Mour\u00e3o Filho em Minas Gerais s\u00e3o compreendidas em virtude do estado de coisas que vigoravam na primeira metade dos anos 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>Jango com suas &#8220;reformas de base&#8221; conquistava a desagrad\u00e1vel posi\u00e7\u00e3o de ser indesejado pela classe m\u00e9dia urbana, pelas elites, pela igreja, pelo ex\u00e9rcito e pela imprensa. Era visto como conivente com o comunismo, a desordem social e a desarticula\u00e7\u00e3o da ordem na hierarquia militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos (h\u00e1bil articulador de v\u00e1rios golpes de estado ao longo da America Latina e sua infame &#8220;Escola das Am\u00e9ricas&#8221;) estavam deteriorando-se com as consequ\u00eancias inevit\u00e1veis no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte do povo se manifestava a favor de uma interven\u00e7\u00e3o militar com a &#8220;Marcha da fam\u00edlia com Deus pela liberdade&#8221;, por exemplo. O sentimento que havia nesse movimento era o do medo a um poss\u00edvel golpe militar comunista. Em 18 de mar\u00e7o de 1964 o manifesto de conclama\u00e7\u00e3o foi publicado pela Folha de S\u00e3o Paulo que era assinado por 34 entidades, v\u00e1rios grupos anticomunistas e grupos crist\u00e3os (cat\u00f3licos e protestantes).<\/p>\n\n\n\n<p>Se calcula que 800 mil pessoas compareceram ao ato em 18 de mar\u00e7o na pra\u00e7a da S\u00e9 em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento era uma resposta ao com\u00edcio convocado pelo presidente em 13 de mar\u00e7o que &#8211; buscando alian\u00e7as com o Partido Comunista do Brasil, os mais radicais do PTB e os movimento sindical rural e urbano para viabilizar suas reformas &#8211; e ao que compareceram 350 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Ej\u00e9rcito Guerrillero del Pueblo<\/em>. Salta, Argentina<\/h4>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o em Cuba j\u00e1 estava bem arredondada quando Ernesto Che Guevara envia um grupo guerrilheiro (treinado extensamente em Cuba) ao seu pais natal: Argentina. Mais especificamente na prov\u00edncia de Salta. Era o &#8220;<em>Ejercito Guerillero del Pueblo<\/em>&#8221; cuja fun\u00e7\u00e3o era instaurar a revolu\u00e7\u00e3o no pais mais ao sul do nosso continente, formando assim uma pin\u00e7a norte-sul.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o revoltoso era <em>el Che<\/em>\u00a0(organizando e promovendo a guerrilha em America Latina) que muitos partidos comunistas de Am\u00e9rica Latina n\u00e3o aprovavam sua estrat\u00e9gia de luta armada generalizada que ele propunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Com Fidel em Cuba, o argentino Ernesto Che Guevara promovendo a &#8220;guerilla&#8221; em Salta (Argentina) durante 1963 e sabendo que o prop\u00f3sito comunista era elevar o proletariado por qualquer meio (o fim justifica os meios) nada mais f\u00e1cil que compreender do que o medo beirando o pavor que se respirava na sociedade brasileira de 1964.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentir era de que em lugar do Hino Nacional Brasileiro, pronto dever\u00edamos cantar o hino da <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=r94rA-ZRMos\">Internacional Socialista,<\/a> tal a visceralidade do movimento comunista internacional na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse, d\u00e1 para entender a Costa e Silva e a Ol\u00edmio Mour\u00e3o Filho, mas n\u00e3o d\u00e1 para justifica-los. O que se deu posteriormente com o cerceamento de v\u00e1rios direitos b\u00e1sicos e o assoreamento das institui\u00e7\u00f5es legais em virtude da batalha contra os insurgentes \u00e9 simplesmente uma mancha (que muitos consideram necess\u00e1ria) na hist\u00f3ria das For\u00e7as Armadas em geral e do Ex\u00e9rcito Brasileiro em particular.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">E n\u00f3s?<\/h4>\n\n\n\n<p>Estamos vivendo em um pais ideol\u00f3gicamente dividido. Essa divis\u00e3o permeia a sociedade sem observar limites, sejam eles quais forem.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mesma divis\u00e3o \u00e9 observada ao longo do continente americano, mas tamb\u00e9m na Europa (uma extrema-direita ascendente j\u00e1 governa It\u00e1lia), na \u00e1sia (lembram do assassinato do ex primeiro-ministro japon\u00eas em julho de 2022) e na <a href=\"https:\/\/www.controlrisks.com\/our-thinking\/insights\/ten-key-issues-in-africa-in-2022\">\u00c1frica<\/a> (Nig\u00e9ria, Qu\u00eania e Angola que s\u00e3o potencias regionais tiveram elei\u00e7\u00f5es apertadas)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil falar da situa\u00e7\u00e3o de nosso pais j\u00e1 que h\u00e1 muitas emo\u00e7\u00f5es envolvidas e onde entra a emo\u00e7\u00e3o, a raz\u00e3o pula pela janela. Ent\u00e3o, numa tentativa de met\u00e1fora, olhemos para fora.<\/p>\n\n\n\n<p>O pior exemplo vem dos Estados Unidos da m\u00e3o do ex presidente Donald Trump na sua cruzada particular de dilapida\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es do grande pais do norte. A viol\u00eancia (arma do comunismo dos anos 1960) \u00e9 a moeda comum e corrente destes neo-conservadores. Se coloca em d\u00favida o m\u00e9todo eleitoral (que por l\u00e1 ainda \u00e9 impresso)<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa situa\u00e7\u00e3o vergonhosa podemos olhar melhor para a nossa e encarar os descaminhos do ex deputado Roberto Jefferson e sua recep\u00e7\u00e3o a bala da pol\u00edcia federal recentemente. Tal parece que &#8211; para ele &#8211; as institui\u00e7\u00f5es do nosso pais n\u00e3o funcionam e por isso pode atirar e jogar granadas nos representantes do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, assim como outras figuras p\u00fablicas ou como um pai com seus filhos, educa pelo exemplo muit\u00edssimo mais do que pelas palavras. \u00c9 normal que se espere dos l\u00edderes uma lideran\u00e7a e \u00e9 bom que se espere uma boa lideran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que se chegue \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que metade mais um da popula\u00e7\u00e3o brasileira gritasse por uma interven\u00e7\u00e3o militar, ela n\u00e3o acontecer\u00e1. O Ex\u00e9rcito Brasileiro j\u00e1 se sujou as m\u00e3os uma vez e n\u00e3o o far\u00e1 desta, at\u00e9 porque as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se d\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o corremos risco de uma invas\u00e3o comunista at\u00e9 porque os pr\u00f3prios comunistas pensantes j\u00e1 optaram por outros caminhos. Todavia, como em todo crime, resta saber porque algumas pessoas assustam outros com este medo que era bem fundamentado em 1964, mas que carece de alicerce em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 a direita ou a esquerda que devem ser evitadas, \u00e9 o p\u00e2nico. O p\u00e2nico bloqueia a capacidade de pensarmos e de agirmos. Nos incapacita de forma profunda e instant\u00e2nea. E para piorar, \u00e9 contagioso e se transmite pela fala (seja esta impressa, de corpo presente ou distante). <em>NOTE: N\u00e3o disse que n\u00e3o \u00e9 para evitar o <strong>comunismo<\/strong>. Este, assim como o <strong>nazismo<\/strong>, devem ser evitados e combatidos. Todavia, numa simplifica\u00e7\u00e3o a-la Hitler, se nomeia comunismo a tudo aquilo que cheira n\u00e3o-conservador.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O que deve ser evitado \u00e9 o conluio com o poder p\u00fablico. A noiva (isto \u00e9, a Igreja) deve preservar-se pura para o seu noivo (isto \u00e9, Cristo). De nada serve dizer que confiamos em Deus, mas morremos de pavor de supostos poderes terrenos. De nada serve dizer que ele \u00e9 nossa esperan\u00e7a se esquecemos da nossa hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o e corremos rapidamente aos quarteis para achar oportuno socorro no tempo da ang\u00fastia. De nada serve dizer que amamos nosso pr\u00f3ximo se o odiamos visceralmente por ele n\u00e3o pensar como n\u00f3s. De nada serve dizer que confiamos em nosso Senhor para o futuro se nem consideramos a hist\u00f3ria, mas sim os contos que nos chegam pelo WhatsApp.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito para ser reconstru\u00eddo (ou redimido se assim o preferir). O Reino j\u00e1 foi instaurado. \u00c9 nossa responsabilidade agir de acordo com os princ\u00edpios desse Reino com o qual nem a extrema esquerda, nem a extrema direita, nem o extremo liberal t\u00eam alguma coisa a ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Como crist\u00e3os, voltemos ao b\u00e1sico: Jesus \u00e9 Rei, o ser humano \u00e9 reflexo dele e como tal precisa ser respeitado; cremos na liberdade de culto, de consci\u00eancia e de credo; cremos na laicidade do estado; cremos na separa\u00e7\u00e3o de Igreja\/Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Reino de Deus est\u00e1 no mundo, mas n\u00e3o pertence ao mundo. Ou dito de outra forma: n\u00e3o tem filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Como na\u00e7\u00e3o brasileira: voltemos a querer ser apenas brasileiros: sul-americanos plenamente envolvidos com nossos irm\u00e3os continentais em sintonia com o Manifesto Republicano de 1889. Muitos pa\u00edses de America Latina carecem de um bom exemplo republicano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre as rela\u00e7\u00f5es viscerais do Exercito Brasileiro e a forma\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica; de como isso o impede de subverter a ordem na atual conjuntura; e de qual deva ser sua conduta como crist\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o que vivemos nesta transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Em 15 de novembro de 1889, a rep\u00fablica foi proclamada. 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