{"id":984,"date":"2026-01-30T07:10:00","date_gmt":"2026-01-30T10:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/?p=984"},"modified":"2026-01-26T11:24:33","modified_gmt":"2026-01-26T14:24:33","slug":"como-tu-les","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/como-tu-les\/","title":{"rendered":"Como tu l\u00eas?"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que presente dar para uma congrega\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 todo dia que um grupo de pessoas faz anivers\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Unidos por uma mesma vis\u00e3o, uma congrega\u00e7\u00e3o vai se desenvolvendo e os anos v\u00e3o se acumulando. Assim como na vida pessoal, \u00e9 de se esperar que essa experi\u00eancia traga sabedoria e essa sabedoria traga um peso de identidade local para a congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Num tempo de universalidade eletr\u00f4nica; de uma pretensa sabedoria coletiva manifestada pelas redes sociais, uma igreja local identificada com seu bairro e sua cidade tem fartos motivos para se sentir orgulhosa do caminho andado. Ent\u00e3o recebam meu afago: o interesse pela congrega\u00e7\u00e3o e pelo bairro em que est\u00e3o s\u00e3o marcas elogi\u00e1veis em uma igreja local.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, sendo pregador, preciso intentar elaborar uma reflex\u00e3o que n\u00e3o apenas afague a congrega\u00e7\u00e3o, mas que a alavanque para os desafios que ainda lhe esperam. Tem que ser alguma coisa que, lan\u00e7ando m\u00e3o do mais sagrado de uma congrega\u00e7\u00e3o batista (isto \u00e9, seu conhecimento da B\u00edblia) tamb\u00e9m lhe sirva de ponto de apoio para os desafios da sociedade atual.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pode ser apenas uma repeti\u00e7\u00e3o de velhos conceitos ou de registros hist\u00f3ricos. N\u00e3o porque eles sejam inv\u00e1lidos, mas pelo fato de que &#8211; por serem muito conhecidos &#8211; n\u00e3o mais se pensam como solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para a realidade em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Termos como reden\u00e7\u00e3o, justifica\u00e7\u00e3o, santifica\u00e7\u00e3o com sua precis\u00e3o e seu conte\u00fado s\u00e3o deixados de lado n\u00e3o por err\u00f4neos, mas porque os poss\u00edveis ouvintes desta sociedade n\u00e3o mais almejam por respostas aos problemas que eles atendem. Isso por estarem t\u00e3o ocupados nos entretenimentos de coisas perif\u00e9ricas da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha, parece-me in\u00fatil tentar falar da heran\u00e7a batista e seus princ\u00edpios. Por exemplo, entendo que arriscaria perder meus ouvintes falando sobre como lutamos na Inglaterra pela liberdade pessoal; ou a centralidade da B\u00edblia; ou a liberdade de consci\u00eancia; ou a universalidade do sacerd\u00f3cio de todo crente; ou a falta de distin\u00e7\u00e3o entre ato administrativo e culto; ou a autonomia de cada congrega\u00e7\u00e3o ou a separa\u00e7\u00e3o de igreja e estado. Novamente, n\u00e3o porque esses assuntos n\u00e3o sejam importantes ou relevantes, mas porque soam como antigos, ou ultrapassados, ou desnecess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o caso de discorrer sobre a necessidade e a inutilidade da escola b\u00edblica. Inutilidade porque ela passa apenas conhecimento e n\u00e3o \u00e9 um substituto v\u00e1lido do discipulado. E necessidade porque o conhecimento que ela traz \u00e9 tremendamente necess\u00e1rio no discipulado. Isto \u00e9, no andar di\u00e1rio dos disc\u00edpulos de Jesus na terceira batista de Prudente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o qual caminho escolher? Como preparar uma prega\u00e7\u00e3o para uma congrega\u00e7\u00e3o madura que segue adiante, que se cuida, que tem identidade com seu Senhor e com seu bairro? Que devo dizer para um grupo de pessoas que atenta para uma busca pelo seu Senhor?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Olhemos para Lucas 10 26<\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Perguntou-lhe Jesus: Que est\u00e1 escrito na lei? Como l\u00eas tu?<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Focaremos apenas nessa pequena frase: &#8220;<strong>Como l\u00eas tu?<\/strong>&#8220;. Essas tr\u00eas palavras podem fazer uma diferen\u00e7a na sua vida nesta noite. E por isso \u00e9 que demando sua aten\u00e7\u00e3o apenas nela por alguns minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>No centro da frase encontramos o verbo <em>ler<\/em>. Trata-se a a\u00e7\u00e3o de decifrar o conte\u00fado de algo escrito por saber reunir as letras e os sinais gr\u00e1ficos. Hoje, quase qualquer pessoa sabe ler. Mas nem sempre foi assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olhamos para o <a href=\"https:\/\/internetshakespeare.uvic.ca\/Library\/SLT\/ideas\/education\/literacy.html\">tempo de Shakespeare<\/a> que viveu entre 1554 e 1616, vemos que o n\u00famero de pessoas que conseguia ler era de 1 para 3 nos homens e talvez de 1 para 10 nas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olhamos a situa\u00e7\u00e3o do Brasil alguns anos depois &#8211; em 1759, quando os <a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiadobrasil\/os-jesuitas-no-brasil.htm\">padres jesu\u00edtas<\/a> (que entre suas atribui\u00e7\u00f5es tiveram a de fundar col\u00e9gios e promover a educa\u00e7\u00e3o) foram expulsos do pa\u00eds &#8211; apenas 1 em cada 1000 pessoas sabia ler. \u00c9 para 1890 que o Brasil come\u00e7a a mudar o m\u00e9todo e se preocupa com ensinar a escrever como tal. Ou seja, n\u00e3o apenas com a caligrafia, mas com a <em>coisa<\/em> escrita. Devemos lembrar que Dom Casmurro, por exemplo, foi escrito em 1899. Isso nos d\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o dessa brecha cultural entre a situa\u00e7\u00e3o inglesa de 1600 e a do Brasil de 1900.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o repare que, quando falamos em ler, n\u00e3o falamos em entender. Falamos apenas de conseguir reunir com algum sentido os s\u00edmbolos de uma forma tal que a pessoa pudesse minimamente receber comunica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 escrever, como para produzir a mesma, n\u00e3o era t\u00e3o almejado assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olhamos para a <a href=\"https:\/\/escribo.com\/2019\/04\/05\/alfabetizacao-e-letramento-no-brasil-evolucao-historica\/\">situa\u00e7\u00e3o do Brasil hoje<\/a>, 66% dos alunos terminam o 9\u00ba ano sem aprender o m\u00ednimo necess\u00e1rioda lingua portuguesa, segundo algumas pesquisas. Esse problema se estende at\u00e9 o ensino superior, onde estimativas indicam que 50% dos estudantes s\u00e3o <strong>analfabetos funcionais<\/strong>. Isso de por si j\u00e1 \u00e9 um esc\u00e2ndalo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A escola b\u00edblica<\/h3>\n\n\n\n<p>Cabe ent\u00e3o aqui o lembrete de que a escola b\u00edblica inicia-se na Inglaterra justamente com o prop\u00f3sito de capacitar as pessoas com a grandiosa ferramenta da leitura e sua irm\u00e3: a escrita. A origem e prop\u00f3sito original da escola b\u00edblica n\u00e3o \u00e9 &#8220;ESPIRITUAL&#8221; e sim &#8220;SOCIAL&#8221; para surpresa de muitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vale dizer que n\u00e3o h\u00e1 forma de separarmos o &#8220;ESPIRITUAL&#8221; do &#8220;SOCIAL&#8221;. Perceba como a popula\u00e7\u00e3o que menos tem acesso \u00e0 leitura &#8211; e por conseguinte &#8211; ao conhecimento formal, \u00e9 a mais f\u00e1cil de manipular. E a manipula\u00e7\u00e3o \u00e9 a ant\u00edtese do amor. E, sendo Deus amor, logo se segue que Ele n\u00e3o quer deixar sua cria\u00e7\u00e3o no escuro. De a\u00ed que conclu\u00edmos que aqueles que querem deixar a popula\u00e7\u00e3o sem conhecimento s\u00e3o sim uma manifesta\u00e7\u00e3o social de uma influ\u00eancia espiritual prejudicial e contr\u00e1ria aos prop\u00f3sitos divinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trazendo, ent\u00e3o, para a atualizade essa origem t\u00e3o pr\u00e1tica da escola b\u00edblica, seria ent\u00e3o necess\u00e1rio estender-nos a outras necessidades sociais da nossa \u00e9poca para ajudar a sociedade em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Primeiro s\u00e9culo<\/h3>\n\n\n\n<p>Mas, voltemos ao assunto da leitura. Como era no primeiro s\u00e9culo? Como era no tempo em que essa frase esteve nos l\u00e1bios do nosso Senhor e o seu interlocutor a ouviu? Como o verbo &#8220;ler&#8221; foi ouvido? E, por quem? Se a capacidade de ler era t\u00e3o absurdamente baixa 1600 anos depois de Jesus, n\u00e3o \u00e9 de se pensar que fosse menor no tempo de Jesus?<\/p>\n\n\n\n<p>Acontece que Jesus era judeu e estava falando para outro judeu. Em m\u00e9dia, alguns estimam que pelo menos a metade da popula\u00e7\u00e3o judia sabia ler e escrever. H\u00e1 os que projetam os n\u00fameros da comunidade rural de in\u00edcio do s\u00e9culo XX para dizer que talvez apenas 3% da popula\u00e7\u00e3o era alfabetizada. Mas isso se contradiz com registros do ano 64 dC em que havia um professor para cada 25 crian\u00e7as. Na realidade, <a href=\"https:\/\/www.religionenlibertad.com\/ciencia_y_fe\/17517\/la-abundancia-de-graffiti-antiguos-descubiertos-en-israel-refuerza-la-fiabilidad.html\">o povo judeu levava a s\u00e9rio a alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/a>. Ent\u00e3o podemos concordar com os historiadores mais conservadores e afirmar que ao menos 50% da popula\u00e7\u00e3o (sem fazer distin\u00e7\u00e3o entre homes e mulheres) era alfabetizada. O pr\u00f3prio Jesus (filho de um carpinteiro\/construtor) era alfabetizado. O encontramos lendo a Tor\u00e1 e escrevendo no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Compreendes o que est\u00e1s lendo?<\/h3>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o esse &#8220;<strong>Como l\u00eas tu?<\/strong>&#8221; n\u00e3o pode ser interpretado como &#8220;<strong>Ao final de contas, como \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea leia?<\/strong>&#8221; j\u00e1 que quem falava com Jesus n\u00e3o era uma pessoa comum, mas um mestre da Lei. Devemos interpretar esta frase como sendo: &#8220;<strong>Como <em>interpretas<\/em> o que l\u00eas?<\/strong>&#8221; Ou seja, &#8220;<strong>Qual \u00e9 o <em>significado<\/em> que voc\u00ea d\u00e1 \u00e0quilo que voc\u00ea mesmo l\u00ea?<\/strong>&#8220;. De fato, \u00e9 assim que a temos na maior parte das tradu\u00e7\u00f5es (Almeida Revista e Atualizada; King James Atualizada; e outras)<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o novo testamento, apenas Lucas usa esse verbo (<strong>\u1f00\u03bd\u03b1\u03b3\u03b9\u03bd\u03ce\u03c3\u03ba\u03b5\u03b9\u03c2<\/strong> <em>anagin\u014dskeis<\/em>) Em atos 8 30 Lucas nos mostra Felipe correndo ao encontro do oficial de Candace e perguntando: <em>voc\u00ea entende o que est\u00e1 lendo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ent\u00e3o Filipe correu para a carruagem, ouviu o homem lendo o profeta Isa\u00edas e lhe perguntou: \u201cCompreendes o que est\u00e1s lendo? Atos 8 30<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Aqui no evangelho, vemos esse verbo sendo usado por Jesus com carga similar: &#8220;<em>Em que forma voc\u00ea entende o que est\u00e1 lendo?<\/em>&#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos tempo para alongarmos no contexto. Baste apenas refrescar nossa mem\u00f3ria dizendo que este advogado ou erudito da Lei quis pregar uma pe\u00e7a em Jesus<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Certa vez, um advogado da Lei levantou-se com o prop\u00f3sito de submeter Jesus \u00e0 prova e lhe indagou: \u201c<em>Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?<\/em>\u201d<\/p><p>Ao que Jesus lhe prop\u00f4s: \u201c<em>O que est\u00e1 escrito na Lei? Como tu a interpretas?<\/em>\u201d<\/p><p>E ele replicou: \u201c<em>Amar\u00e1s o Senhor, teu Deus, de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, de toda a tua alma, de todas as tuas for\u00e7as e com toda a tua capacidade intelectual\u2019 e \u2018Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u2019<\/em>\u201d.<\/p><p>Ent\u00e3o, Jesus lhe afirmou: \u201c<em>Respondeste corretamente; faze isto e viver\u00e1s<\/em>\u201d.<\/p><p>Ele, no entanto, insistindo em justificar-se, questionou a Jesus: \u201c<em>Mas, quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo?<\/em>\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 esse di\u00e1logo o que d\u00e1 p\u00e9 para a par\u00e1bola do Bom Samaritano que mesmo sendo muito conhecida, seria bom darmos outra olhada sobre &#8220;quem \u00e9 nosso pr\u00f3ximo&#8221; j\u00e1 que o pr\u00f3ximo &#8211; na par\u00e1bola &#8211; n\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 ca\u00eddo e sim o que ajuda, que, por sinal, \u00e9 samaritano. O modelo a ser seguido \u00e9 o de um ser desprez\u00edvel para este mestre da Lei.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que fazer com o modelo?<\/h3>\n\n\n\n<p>Mas voltando ao &#8220;<em>Como l\u00eas tu?<\/em>&#8221; o que nosso Senhor est\u00e1 fazendo \u00e9 &#8211; em primeiro lugar &#8211; colocando a responsabilidade da interpreta\u00e7\u00e3o nos ombros do seu interlocutor. Ningu\u00e9m mais do que a pr\u00f3pria pessoa \u00e9 capaz de nos dizer como ela est\u00e1 interpretando a sua leitura.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A diferen\u00e7a entre o <em>como<\/em> e o <em>qu\u00ea<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 no <em>como<\/em> e n\u00e3o no <em>qu\u00ea<\/em> que reside o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, algu\u00e9m poderia ler &#8220;Minha Luta&#8221; de Adolf Hitler e nunca na vida coincidir com ele em que a raiz de todos os males da humanidade seriam os judeus. O <em>qu\u00ea<\/em> &#8211; isto \u00e9, a coisa lida &#8211; nunca \u00e9 o problema e sim o <em>como<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo igual e contr\u00e1rio pode ser visto nesta passagem: o <em>qu\u00ea<\/em> esta pessoa estava lendo era a escritura, s\u00f3 n\u00e3o ficava claro o <em>como<\/em>. O <em>qu\u00ea<\/em> (que neste caso \u00e9, o equivalente do nosso antigo testamento) n\u00e3o era o problema, e sim o <em>como<\/em> a pessoa estava lendo.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disso \u00e9 que se pode analisar <em>qual<\/em> atitude ele teria para consigo mesmo e com seu pr\u00f3ximo. Dois seres que &#8211; segundo o nosso mestre &#8211; n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o distantes assim, ao final das contas, somos apenas uma \u00fanica ra\u00e7a: a humana.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como ensinamos?<\/h4>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, a atitude de Jesus nos deveria levar a mudar nosso jeito de ensinar ou partilhar o que sabemos sobre a escritura. Se bem h\u00e1 momentos como estes em que uma pessoa fala e os outros ouvem, tamb\u00e9m devemos ter momentos em que qualquer um pode dizer o que realmente pensa sobre o que est\u00e1 sendo ensinado. Ao final das contas, e sem querer ser chato com a identidade batista, a liberdade de consci\u00eancia \u00e9 um princ\u00edpio muito caro para n\u00f3s. \u00c9 a partir dessa liberdade que pode ser constru\u00edda a necessidade da liberdade de express\u00e3o que acha seu limite no direito alheio de fazer exatamente a mesma coisa. E \u00e9 no cerne da liberdade de express\u00e3o que o &#8220;como l\u00eas tu?&#8221; encontra sua mais profunda aplica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o no conceito de dizer qualquer coisa, mas no contexto da aceita\u00e7\u00e3o do outro como diferente, mas n\u00e3o t\u00e3o distinto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O rencontro com nossa identidade batista.<\/h3>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, de forma quase silenciosa, acabamos desembarcando na identidade batista e sua raz\u00e3o. O <em>Como voc\u00ea l\u00ea<\/em>, acaba sendo a mola propulsora das liberdades pessoais e de consci\u00eancia t\u00e3o seriamente amea\u00e7adas nos \u00faltimos anos no nosso continente. Tamb\u00e9m \u00e9 ela o despojo na guerra espiritual que vem sendo travada j\u00e1 que o iluminismo n\u00e3o \u00e9 nossa luz, mas sim a luz de Cristo e \u00e9 em Jesus &#8211; o Cristo &#8211; que encontramos este maravilhoso exemplo de aceita\u00e7\u00e3o do diferente. A livre interpreta\u00e7\u00e3o da realidade em que vivemos n\u00e3o \u00e9 um fruto dos movimentos humanistas, mas sim o ponto de apoio em que o pr\u00f3prio Jesus aplicava sua maior for\u00e7a: fazer o outro pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no &#8220;<em>Como voc\u00ea l\u00ea?<\/em>&#8221; que redescobrimos o princ\u00edpio da centralidade da b\u00edblia que t\u00e3o caro nos \u00e9 como membros de uma comunidade batista, j\u00e1 que \u00e9 a leitura da B\u00edblia e sua interpreta\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria (em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o padronizada, hier\u00e1rquica e imposta) que nossos antepassados acharam raz\u00e3o suficiente para lutar at\u00e9 a morte se fosse necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no &#8220;<em>Como voc\u00ea l\u00ea?<\/em>&#8221; que se revigora o princ\u00edpio da autonomia congregacional, j\u00e1 que lemos juntos, interpretamos juntos e comungamos juntos dessa mistura interpretativa e em paz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no &#8220;<em>Como voc\u00ea l\u00ea?&#8221;<\/em> que reunificamos o secular com o sagrado e o administrativo com o cultual. N\u00e3o pode haver tal distin\u00e7\u00e3o. Sou &#8220;eu&#8221; quem l\u00ea e &#8220;eu&#8221; quem interpreta e a esse &#8220;eu&#8221; n\u00e3o lhe conv\u00eam as divis\u00f5es. Sou apenas uma pessoa na minha intimidade, na minha vida cultual e na minha vida p\u00fablica. E aquilo que quero para mim o quero para meu pr\u00f3ximo. Isto \u00e9, meu irm\u00e3o de ra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 no &#8220;<em>Como voc\u00ea l\u00ea?<\/em> que se encontra a chave para a separa\u00e7\u00e3o entre a igreja e o estado, pois o estado (que tem seus deveres para com todos os cidad\u00e3os independente da sua cren\u00e7a) n\u00e3o tem direito nenhum a interferir na minha cren\u00e7a particular e por n\u00e3o querer isso para mim, tamb\u00e9m n\u00e3o o desejo para meu pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no &#8220;<em>Como voc\u00ea l\u00ea?<\/em>&#8221; que o discipulador se coloca em p\u00e9 de igualdade com seu c\u00f3-discipulo e podem, juntos, trilhar o caminho da descoberta da vida crist\u00e3 porque n\u00e3o se trata de uma imposi\u00e7\u00e3o de um ser superior e sim de uma caminhada e uma descoberta feita em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>E finalmente, \u00e9 no &#8220;<em>Como voc\u00ea l\u00ea?<\/em>&#8221; que encontramos a f\u00f3rmula b\u00e1sica para a escola b\u00edblica ou qualquer outro esquema de estudo da b\u00edblia. Em que ponto est\u00e1 o outro? Qual \u00e9 sua interpreta\u00e7\u00e3o? Quais suas lutas e afetos? Qual seu olhar sobre o mundo? At\u00e9 que ponto o olhar do Messias invadiu seu mundo \u00edntimo?<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, meu apelo nesta noite \u00e9: imitemos nosso mestre. Perguntemos ao outro como interpreta a escritura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto prop\u00f5e que o centro da f\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 **no que se l\u00ea**, mas **em como se l\u00ea**. Jesus desloca a responsabilidade da interpreta\u00e7\u00e3o para o leitor. A leitura b\u00edblica, quando comunit\u00e1ria e livre, funda discipulado, identidade batista, liberdade de consci\u00eancia e compromisso social.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,22],"tags":[175,177,179],"class_list":["post-984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-crescimento","category-identidade-eclesiastica","tag-biblia","tag-leitura","tag-simplicidade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4RFIP-fS","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1219,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions\/1219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/igrejapequena.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}