Era uma vez um moço italiano chamado Guglielmo Marconi. Nascido em Bolonha, Itália em abril de 1874. Antes dele e até 1896, o telegrafo sem fios era impraticável se bem já tivéssemos cabos e o telefone já se mostrava viável desde 1849 com Antonio Meucci e 1876 com Graham Bell.
A verdade é que após Marconi ganhamos – como humanidade – uma certa liberdade e velocidade na comunicação que nunca tinha sido imaginada pelo homem comum. Em 1897 Nikola Tesla apresenta uns estudos que Marconi iria utilizar para em 1899 realizar a primeira transmissão pelo Canal da Mancha. Nunca mais seriamos os mesmos. São essas coisas que tem a humanidade: um invento a muda como um todo.
Depois veio o rádio, a televisão, o satélite, a internet, telefone sem fio e em algum momento demos um pulo substancial em termos computacionais e temos aplicativos fantásticos – desde o ponto de vista técnico – como Facebook, WhatsApp e outros que nos permitem de forma instantânea estar conectados com virtualmente qualquer ser humano.
Quando Marconi morreu em 1937, ele recebeu um funeral com honras de estado e à guisa de homenagem, todas as emissoras do mundo ficaram dois minutos em silêncio. Duvido que Jan Koum (inventor do WhatsApp) ou Mark Zuckerberg (inventor do Facebook) recebam semelhante honraria ou equivalente no momento da sua morte.
Vivemos no que gosto de chamar de um mundo hiper conectado. Se formos ver, não há necessidade real de estarmos tão conectados assim. Obvio que é bacana e muito prático. Eu mesmo uso tudo o que tenho ao alcance para me manter em contato com familiares, amigos, irmãos, clientes… Todavia, percebo que há gente que não consegue viver sem.
Em alguns locais já é possível observar placas com os dizeres “Aqui não temos WiFi, conversem entre si”. Também há projetos de lei visando impedir o uso do celular em alguns locais públicos.
Não paramos mais para estarmos juntos e muito menos sozinhos. Assistimos um filme, mas cada qual com seu próprio celular, tablet, notebook… se ao menos fosse um livro.
Estamos pendente do tom que indica uma mensagem entrando, uma curtida, um sinal distante e – provavelmente – artificial de apoio mas dificilmente nos prendemos nas palavras da pessoa que está ao nosso lado. É um inferno. Cada um por si e a internet por todos nós.
O amor vai se esfriando, não por falta de contatos mas pelo excesso deles. É a mesma coisa que bebermos Coca-Cola para apagarmos a sede. Sede só se apaga com agua. O resto é ladainha. Assim tambên tentamos receber afeto, aceitação e apreço por meios artificiais e com laços afetivos duvidosos.
Postei esses dias só para provocar que as esmolas não deveriam de ser publicadas nas redes sociais. Isso porque percebi que há vários que postam o que fazem de bem ao próximo apenas para receberem a ovação dos seguidores da rede social de plantão. Obvio que estava parafraseando Jesus mas mesmo assim a reação não se fez esperar.
Moro num pais que fiz meu por adoção. Logo, meus parentes estão todos distantes. Obvio que os meios de comunicação modernos me permitem uma comunicação muito mais do que necessária.
Todavia, nada substitui o contato direto com minha mãe, pai, irmãs, tios e primos.
Vivemos um inferno isolacionista. Cada um no seu quadrado pretendendo estabelecer com o distante o que deveríamos estabelecer com o próximo. Comunicando sentimentos e ideias com quem podemos desligar se sua opinião nos é contrária.
É um simulacro de vida. Parece com a real, mas não é. Assim como teus rins irão à falência se apenas bebes refrigerante, assim também tua vida emocional vai para o buraco sem relações reais.
Como diz a letra de Tele-Fome de Jota-Quest: Não adianta falar de amor ao telefone, isso é ilusão