Suportar também é amar

Tem um negócio em Colossenses que a gente lê rápido… mas, se parar pra pensar, é pesado:

“Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos.”

A gente foca no perdão. Mas antes vem o “suportar”. E suportar não é bonito.

Sim, suportar é servir de suporte ao outro, mas sob que condições que Paulo precisa falar em perdão?

Logo suportar é… aturar mesmo.

É quando o outro fala uma coisa que irrita.
Faz algo que você já pediu mil vezes pra não fazer.
Tem um jeito que te cansa.

E você pensa:

“de novo isso…”

A gente tem uma ideia meio romantizada de relacionamento.

Que vai fluir.
Que vai ser leve.
Que vai encaixar.

Não vai.

Conviver é difícil. Porque o outro não é você. E mesmo se fosse, já pensou ter que aturar alguém igual a você? Ou você acha que é o ser mais harmonioso e esbelto sobre a face da terra?

o outro não vai ser do jeito que você acha que deveria ser

E aí entra o ponto do texto. Não é só “perdoai-vos”.

É:

suportai-vos… e perdoai-vos

Ou seja, uma coisa segura a outra. Se não tiver perdão… não tem como suportar ninguém por muito tempo.

Porque vai acumulando. Pequenas coisas. Pequenas irritações. Pequenas decepções.

E quando você vê… já não quer mais nem estar perto.

Só que tem um detalhe meio incômodo nisso tudo:

você também é o “outro” na vida de alguém

Você também irrita. Também falha. Também cansa.

Então o jogo não é:

“como eu aguento o outro?”

É:

como a gente continua convivendo sendo imperfeito?

E Paulo responde:

“assim como o Senhor vos perdoou…”

Esse é o padrão. Não é o comportamento do outro. É o que Deus já fez com você. No fim das contas, relacionamento não se sustenta porque dá certo. Se sustenta porque existe perdão o tempo todo.

E às vezes amar não é sentir nada bonito.

É só isso aqui:

“ok… eu vou relevar isso de novo”

E seguir.

Sobre Esteban D. Dortta

Esteban é um pastor evangélico. Estudou teologia no Seminário Teológico Batista do Uruguai entre 1991 e 1994. Nascido em 1971, vive no Brasil desde 1995. Entende que a liberdade de pensamento, expressão e reunião são essenciais para o desenvolvimento não apenas cristão, mas de toda a sociedade.