Tem um negócio em Colossenses que a gente lê rápido… mas, se parar pra pensar, é pesado:
“Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos.”
A gente foca no perdão. Mas antes vem o “suportar”. E suportar não é bonito.
Sim, suportar é servir de suporte ao outro, mas sob que condições que Paulo precisa falar em perdão?
Logo suportar é… aturar mesmo.
É quando o outro fala uma coisa que irrita.
Faz algo que você já pediu mil vezes pra não fazer.
Tem um jeito que te cansa.
E você pensa:
“de novo isso…”
A gente tem uma ideia meio romantizada de relacionamento.
Que vai fluir.
Que vai ser leve.
Que vai encaixar.
Não vai.
Conviver é difícil. Porque o outro não é você. E mesmo se fosse, já pensou ter que aturar alguém igual a você? Ou você acha que é o ser mais harmonioso e esbelto sobre a face da terra?
o outro não vai ser do jeito que você acha que deveria ser
E aí entra o ponto do texto. Não é só “perdoai-vos”.
É:
suportai-vos… e perdoai-vos
Ou seja, uma coisa segura a outra. Se não tiver perdão… não tem como suportar ninguém por muito tempo.
Porque vai acumulando. Pequenas coisas. Pequenas irritações. Pequenas decepções.
E quando você vê… já não quer mais nem estar perto.
Só que tem um detalhe meio incômodo nisso tudo:
você também é o “outro” na vida de alguém
Você também irrita. Também falha. Também cansa.
Então o jogo não é:
“como eu aguento o outro?”
É:
como a gente continua convivendo sendo imperfeito?
E Paulo responde:
“assim como o Senhor vos perdoou…”
Esse é o padrão. Não é o comportamento do outro. É o que Deus já fez com você. No fim das contas, relacionamento não se sustenta porque dá certo. Se sustenta porque existe perdão o tempo todo.
E às vezes amar não é sentir nada bonito.
É só isso aqui:
“ok… eu vou relevar isso de novo”
E seguir.