
O símbolo nunca é apenas um símbolo e por isso deve ser preservado.
Nos últimos tempos assistimos a uma tentativa de devassa de um dos maiores símbolos não apenas dos cristãos mas de todos aqueles que – de uma forma ou outra – aceitam o monoteísmo judaico como raiz e origem.
Em outras palavras, agredir um símbolo que unifica as três religiões monoteístas: O Judaísmo o Islamismo e o Cristianismo é – no final das contas – uma agressão não já ao monoteísmo mas sim ao Deus que estas representam.
Gênesis 9:13
8 Então disse Deus a Noé e a seus filhos, que estavam com ele:
Gênesis 9:8-17
9 “Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com os seus futuros descendentes,
10 e com todo ser vivo que está com vocês: as aves, os rebanhos domésticos e os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra.
11 Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”.
12 E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:
13 o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra.
14 Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris,
15 então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida.
16 Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.
17 Concluindo, disse Deus a Noé: “Esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra”.
O exemplo da bandeira nacional
Se pensamos em uma bandeira, que representa um país, uma nação, vemos que ela é uma coisa tão séria que desrespeitar ela, é desrespeitar a nação. Não é à toa que quando os terroristas querem ofender os Estados Unidos da América, o que costumam fazer é queimar uma bandeira ou inverter ela.
Se focamos agora em “Quando” a bandeira de uma nação é criada, repararemos que ela é forjada na sua forma final apenas no fim da luta pela sua independência. Muitas vezes, uma bandeira precisa absorver duas facções que antes brigavam e sangravam o país. Outras vezes, ela trás as cores da nação original mas organizadas de uma forma distinta como no caso mencionado da bandeira dos Estados Unidos e a bandeira Inglesa.
A bandeira brasileira, por exemplo, toma elementos da natureza e dos seus ideais e os estampa juntos evocando a dimensão continental do “impávido colosso”.
Seja como for, uma bandeira visa unificar um conjunto de pessoas sob um mesmo ideal, forma administrativa, língua, território, etc.
Do mesmo jeito que a bandeira é geralmente uma das últimas coisas forjadas na nova nação, é ela também a última a ser arrancada quando já não sobra mais nada de uma nação derrotada na guerra. Por exemplo, quando os russos (que naquela época lutavam junto com os ingleses, os americanos e os franceses contra a Alemanha Nazista) entraram em Berlim em maio de 1945, a coisa que simboliza a queda da Alemanha de Hitler é a subida até o topo do Reishtag (O pseudo parlamento alemão de 1933 a 1945) por alguns soldados russos para arrancarem a bandeira. Com essa eliminação daquela bandeira específica se anunciava a derrota total da Alemanha Nazista sem deixar lugar a dúvidas a diferença das dúvidas que ficaram na Primeira Guerra Mundial e que fez possível a realização da loucura da Segunda Guerra Mundial.
Os símbolos no antigo testamento
No antigo testamento existem vários símbolos que marcam de forma decisiva o povo de Deus em todos seus estágios. Podemos lembrar de alguns altares ou pedras colocados em diversos locais cujo significado era repetido de geração em geração como forma de solidificar a narrativa necessária para a criação do povo.
Eliminar ou remover um desses símbolos é, em muitas formas, agredir o povo já que a identidade dele tem que ser buscada nesses marcos históricos.
Tanto é assim que povos fora da Bíblia sucumbiram, mas seus símbolos continuam a nos falar das suas crenças, seus ideias e suas práticas. Pode ser que não concordemos com esse conjunto de coisas, mas entendemos – mesmo após essa civilização não estar mais entre a gente – que há ali um vórtice de conceitos que se amalgamaram há muitos milênios é que fazemos bem em manter. Seja como fonte de conhecimento universal, como alertas de rumos sociais mal tomados ou apenas por respeito a uma civilização que já se foi.
Um exemplo deste tipo de desacato histórico aconteceu em 2015 quando representantes do Estado Islâmico destruíram várias estátuas do tempo assírio e acadiano que estavam no museu de Mosul por considera-las idólatras. O prejuízo à arqueologia e à história universal foi irreparável e o que sobreviveu foi uma amostra da tolice à que o extremismo religioso nos pode levar.
Mas há um símbolo no antigo testamento que não é feito por mãos humanas. Ele não nos pertence, nos foi concedido como um recordatório, um memorial. Ele está cheio de um significado que lhe é único e por isso é necessário, de tempos em tempos, revisitar ele. Trata-se do arco-iris.
É bastante óbvio que sabemos que o arco-íris é um efeito ótico e meteorológico em que a luz do sol é separada nas cores que compõem seu espectro quando esta brilha sobre as gotícula de água suspensas no ar. Porém, se aplicado ao arco-íris o mesmo conjunto de conceitos do que se aplica a uma bandeira que – descrita apenas desde uma perspectiva física – não passaria de um pano pintado com algumas figuras.
A necessidade viceral de redefinir o símbolo
Existe no ser humano comum a necessidade profunda de quebrar com o padrão estabelecido. Isso não é de todo ruim. Se assim não fosse, nunca tivéssemos ido à lua, ou teríamos tido vacinas, ou vencido a pólio, ou nos apropriado dos antibióticos nem extendido seu potencial. Se não tivéssemos quebrado com o status-quo nunca teríamos inventado a imprensa ou atravessado o oceano ou construído estradas nem castelos, nem casas, nem teríamos agricultura nem sairíamos das cavernas.
Quando vemos a luta sem quartel que está ocorrendo em que um símbolo está sendo esvaziado de seu conteúdo original, precisamos nos atentar de que “Um símbolo nunca é apenas um símbolo” e de que toda vez que um símbolo é atacado o que se ataca não é seu significado mas aqueles que lhe dão significado.
Toda vez que um símbolo é esvaziado, o único propósito é o de preenche-lo com um novo significado. Desta forma, se ele representa uma outra coisa do que seu sentido original, ele comunica uma outra coisa, mas como as duas coisas comunicadas andam juntas por um tempo o que se obtém é na realidade confusão que é – no final das contas – o que se procura.
O arco-íris, além de ser um símbolo outorgado e não um construído, representa uma nova aliança em um recomeço da criação de Deus. Não apenas isto, mas nele há uma garantia implícita de que o mundo nunca mais será destruído por água. E nesse sentido, quando falamos de mundo, não falamos apenas da Terra como planeta, mas de toda forma de vida. Por isso o texto bíblico diz “Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio”
É por isso que o símbolo é universal atingindo a criação inteira e outorgado pelo seu criador. É um símbolo do dador de vida para toda forma de vida.
Quais são as razões para a existência de um memorial tão imponente?
O arco-íris é preenchido com seu conceito divino, apenas depois do dilúvio. Ou seja, o efeito visual já existia já que ele aparece em cachoeiras, géiseres, etc. Mas o seu significado como registrado na escritura só lhe foi dado após o dilúvio.
Esse dilúvio veio por qual razão? Bem, exatamente por situações muito parecidas às que estamos vivendo: a maldade e a depravação do ser humano tinham chegado a tal nível que o Criador “se arrependeu” de ter criado o homem.
Poucas vezes aparece está expressão “Deus se arrependeu” no registro bíblico. Indica apenas que o caminho que a criação de Deus tinha tomado, havia passado de todos os seus limites e o Criador precisa intervir de forma decisiva no rumo.
Toda vez que Deus re-cria sua criação o faz com graça e misericórdia, mas também se mostrando todo-poderoso. Vemos isso em Adão e Eva em que depois de expulsos do jardim eles foram cuidados por Deus. Vemos isso em Noé e o dilúvio. Também o vemos na escolha de Abrão. No cuidado de José para preservar o seu povo escolhido.
Se continuamos a história do povo escolhido, vemos essa mesma atitude de re-criação em não abandonar o povo quando eles quiseram ter um rei “como as outras nações” e também em levantar profetas e líderes durante o tempo do exílio que conduziriam seu povo de novo ao trilho do propósito original.
Apesar de todas as desgraças que o ser humano aprontou nesse interregno, Deus manteve fiel sua palavra de não destruir o mundo novamente. Muito pelo contrário, ele se apegou ao seu propósito pois até o silêncio profético entre Malaquias e João o Batista fala fortemente do propósito divino que nem um preludio fala de um evento maior que está por vir.
Mas por que, então, tão veemente ataque?
Voltando às razões da significação outorgada ao arco-íris no livro de Gênesis, vemos que é o final da intervenção de Deus nos rumos da sua criação.
O que molesta o ser humano é a existência de um Deus real, Criador, Eterno, Todo-poderoso que intervêm na história quando julga que o ser humano e suas escolhas estão levando sua criação (que nunca deixa de ser sua) por caminhos que conduzem à destruição.
Molesta tanto, que o ser humano comum se vê na necessidade de mudar os marcos antigos porque falam – de forma gritante – de um Deus amoroso que mantêm sua fidelidade aos seus propósitos.
Este Deus é molesto pois lhe fala de dentro, de um lugar onde não pode ser arrancado. Lhe fala a partir do cerne da sua consciência que lhe acusa enquanto estiver com alguma vida. Logo, tentando apagar o símbolo de graça, amor, e intervenção, pretende-se apagar (talvez de forma inconsciente) uma voz que lhe chama para o seu Criador.
A Igreja, em suas mais diversas manifestações, faz bem em mostrar o rumo certo. Faz bem em manter bem claro o ideal. Acerta ao defender os símbolos originais e seus conteúdos.
Então como combinar o amor cristão com a mensagem de amor? Que amor é esse que não para na aceitação ou na tolerância? Não são estes valores altruístas cristãos?
Não vamos entrar aqui nessas questões por ser o tempo limitado. Mas baste apenas dizer que tolerância e aceitação ficam aquém da proposta bíblica assim como o altruísmo. São três valores injetados na proposta cristã para fazê-la palatável a quem não quer se submeter ao Senhorio do Rei, Jesus.
A proposta de Jesus é o amor. Mas já o era desde o Antigo Testamento.
Uma das passagens mais conhecidas é a de Mateus 22:34-40 em que Jesus é interrogado capciosamente pelos Fariseus sobre qual é o maior dos mandamentos. A resposta de Jesus é dividida em duas partes bem conhecidas: “Amaras ao Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento” e “Amaras ao teu próximo como a ti mesmo” encerrando com “disto depende a Lei e os Profetas”.
Esse “amor” do qual Jesus fala não tem a ver com passar a mão por cima do pecado mas também não tem a ver com apedrejar o pecador. Jesus mesmo é o exemplo de que o caminho do amor é bem mais profundo e comprometido com a pessoa. O texto que ele usa para responder aos Fariseus é o de Levítico 19:18. O texto imediatamente anterior encerra o que – ao meu ver – é uma das melhores definições do que é o amor comunitário e de que tipo de amor o mundo está precisando hoje. Esse texto diz assim:
17 Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado. 18 Não te vingarás nem guardarás irá contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor
Levítico 19:17-18