A insuportável leveza dos pseudo-líderes cristãos

Em tempos de sequidão espiritual, surgem os pseudo-líderes no meio cristão que sem nenhum peso de glória divina eludem os mais indoutos induzindo-os a amar o dinheiro sobre qualquer outra coisa.

Me choca a facilidade com que alguns autodenominados bispos e outras ervas, promovem ideias espúrias ao evangelho e são louvados por isso.  Me espanta como a iniquidade aumenta da mão de quem -supostamente- deveria estar ali para impedir tal coisa.

Veja por exemplo a inauguração de uma replica aumentada do templo de Salomão.  Deslavadamente o construtor do templo acaba sendo o sacerdote que intermédia a vida espiritual do que assiste ao ritual com a divindade.  E esta intermediação acontece por vias puramente materiais em que o fiel investe uma certa quantia que lhe produzirá um retorno que a maior parte das vezes é meramente financeira.

O povo, por sua vez, gosta de ser eludido desta forma pois o ouvido dele tem uma tendencia natural a ouvir pregações do tipo ‘toma-lá-dá-cá’.  Neste povo existe a real necessidade de se sentir seguro seguindo certos ritos, por mais que esse rito nada mais seja do que uma pretensão de barganha material com um ser espiritual inatingível por este meio.

Então para mim, tanto os líderes quanto os liderados são culpados de construir essas coisas.  Como diz Stagg: o homem é responsável de se tornar irresponsável.

Desde quando Deus está interessado com algum bem material?  Desde quando Deus precisa de moedas para agilizar o trâmite espiritual? Claro, alguém me vai dizer que a pessoa precisa se desprender dos bens materiais para atingir benesses espirituais porque é este amor ao dinheiro o que acaba lhe afastando da riqueza espiritual.  Tá, isso é certo, então porque o líder não lhe diz para vender tudo e dar aos pobres?  Se ele é tão espiritual assim, porque ele não propõe a mesma solução que Cristo promoveu? Por que ele se coloca como pedágio entre os homens e Deus?

Quando um líder se coloca na postura de intermediário ele desafia a ação do próprio Jesus que -ao morrer na cruz- eliminou a parede de divisão não só entre judeus e não judeus mas também entre Deus e os homens.

Quando um líder incentiva o seu povo a construir um templo (mega, macro, micro) no qual o ritual de sacrifico pretende ser re-institucionalizado por meio do qual o homem-de-a-pé conseguiria de alguma forma se achegar à divindade, ele desafia o próprio Salomão que na oração inaugural do templo original falou “podem por acaso estas paredes te conter?”

Finalmente, quando o povo se deixa eludir desta forma, ele se torna responsável pelo seu próprio sangue construindo para si mesmo poços secos dos quais é impossível extrair qualquer tipo de água espiritual. O povo decididamente vá atrás destas coisas não como ovelhinhas enganadas mas pelo insuportável que pode ser a liberdade de relacionamento com o Cristo.  Não se engane o leitor pensando que o povo está sendo eludido e enganado sem a intervenção da consciência particular.  Não! O povo vai porque o povo gosta. Ele sente falta de rituais que consiga entender e -em certo sentido- controlar. Só há possibilidade de um ditador surgir quando o povo bate palmas para o mesmo. Então, são dois abismos se encontrando.  Dois buracos negros chamando um ao outro.  Uma destruição convocando uma outra destruição maior.

Não se iluda então o leitor, pois se há leveza no líder é porque há leveza no povo e esse esquema se torna insuportável e com isso a terra perde a bênção que viria de uma liderança sábia. Ou, como diz o proverbio “Os pecados de uma nação fazem mudar sempre os seus governantes, mas a ordem se mantém com um líder sábio e sensato” e também “Ainda que você moa o insensato como trigo no pilão, a insensatez não se afastará dele

O evangelho não tem a ver com rituais na presença de um líder autonomeado.  Se de alguma forma, o leitor está querendo se conectar com a divindade, com o Criador, com o Jeová do antigo testamento o caminho não é o do auto-sacrifício e sim da rendição.  Sua alma está em guerra, em luta contra o Criador.  Renda-se.  Jesus já é o sacrifício perfeito.  Você é aceito, amado, aprovado no Cristo e não no seu esforço pessoal e não no ato de ir no culto ou dizimar ou qualquer coisa assim.

 

Sobre Esteban D. Dortta

Esteban é um pastor evangélico. Estudou teologia no Seminário Teológico Batista do Uruguai entre 1991 e 1994. Nascido em 1971, vive no Brasil desde 1995. Entende que a liberdade de pensamento, expressão e reunião são essenciais para o desenvolvimento não apenas cristão, mas de toda a sociedade.