A relevância do pentateuco

Tenho a impressão de que o humanismo exacerbado e a ideia de que “esta é minha opinião” nos tem levado como sociedade à beira do precipício. Se bem é evidente que sempre nos podemos comparar com nações em pior condição, creio que o padrão deve ser superior, mesmo que seja considerado utópico. 

Em alguma forma, nossa situação é semelhante à retratada em Juízes 21:25. “Cada um fazia o que bem lhe parecia”. Se bem é evidente que o texto foi escrito após Israel ter rei – e por tanto seu legado jurídico já estava bem solidificado – o certo é que o sistema de juízes não tinha dado certo. 

A injustiça no Brasil é enorme assim como o senso de impunidade. A impressão que fica é que o crime compensa e se não compensa, é porque ainda não se achou a forma adequada de praticá-lo.  Crimes bárbaros e traumáticos para a sociedade, como o assassinato de Daniella Perez, não são apenas uma mancha para todo o esquema legal, mas também para a cristandade brasileira e para os evangélicos em particular por haver entre nós um conceito errado de graça como se fosse antagônica à Lei e não a justa complementação das exigências da mesma.

A compreensão e valorização do Antigo Testamento, e em particular do pentateuco, é essencial para uma acertada compreensão da graça  em suas formas mais singelas (graça que achamos ser limitada ao Novo Testamento apenas). De outra forma, o abismo existencial está aí para tragar nossa comunidade que de evangélica apenas lhe restará o nome.

De uma forma bem concreta (e considerada por muitos anacrônica) o melhor instrumento já estabelecido para valorizar estas e outras coisas semelhantes é a escola bíblica, já que é nela que há (ou deveria haver) um espaço para o diálogo e discussão destes assuntos. 

Sobre Esteban D. Dortta

Esteban é um pastor evangélico. Estudou teologia no Seminário Teológico Batista do Uruguai entre 1991 e 1994. Nascido em 1971, vive no Brasil desde 1995. Entende que a liberdade de pensamento, expressão e reunião são essenciais para o desenvolvimento não apenas cristão, mas de toda a sociedade.