Arquivo da categoria: Sociedade

Artigos que falam sobre a vida comum, em sociedade.

A morte como gatilho social

Estava escrevendo o material para uma aula esses dias e lembrei de um ditado: Há duas coisas das quais o homem não escapa: da morte e dos impostos. Refletindo sobre isso – e como era assunto da aula – argumentava do porquê (maquiavelicamente falando) é importante para um governo manter os valores dos impostos em um patamar aceitável. Lembro de ter lido sobre uma regra resultado de uma análise de que até 21% de carga impositiva, é mais barato pagar impostos do que sonegar. Todavia, essa barreira é facilmente transposta quando certos interesses (mormente mesquinhos) se sobrepõem com o qual obtemos o pior dos mundos.

Especificamente sobre a aula que estava preparando, ficava fácil argumentar a razão pela qual as dez tribos judias se sublevaram contra Roboão (filho e sucessor de Salomão) pois ele não quis baixar os impostos mas ainda tornar-se mais duro com o povo.

Então do ditado, me faltava a outra parte, a morte. Ai comecei a escrever, mas acabou ficando muito longo para ser apenas uma nota marginal e por isso decidi escrever este esboço de um artigo que talvez veja em algum outro momento.

Quando uma sociedade começa a não poder saber como, onde, ou de que forma seus mortos são enterrados o terror toma conta da mesma. Isso porque é apenas a morte a que iguala todos os seres humanos.

Uma pessoa pode ter nascido rica, ter crescido bem abastada, frequentar uma boa escola. Mas ai chega um ponto em que ela entende que a sociedade em que vive não faz juz a certos valores que lhe são caros (geralmente associados à liberdade) e começa a lutar por eles.

O regime de plantão primeiro coage, depois censura, após isso trancafia, desterra e… no último dos casos, mata o individuo sumindo com o cadaver.

Com isso, até aqueles que eram contrários originalmente à causa se juntam a ela já que se aconteceu com Fulano, pode acontecer comigo. Ou pior: com meus filhos.

Essa é a razão – em última instância – do encerramento de muitos governos represores e também de certos levantamentos recentes já que é o túmulo (e não o berço) o que iguala os individuos e é ela o ápice do esmagamento de outros direitos.

Baste pensar nos seguintes exemplos em ordem cronológica: a queda dos regimes de exceção na America Latina, o desmembramento dos países do bloco soviético e a primavera árabe. Todos eles tem muitos mortos no porão. As sociedades aguentaram um mundo de coisas. Mas quando chegaram nos mortos, a coisa começou a virar. Pode ter levado anos, mas o silêncio que toma conta da comunicação faz sentir essa virada.

Se nós observamos ao largo e alto da America Latina, há um monte de famílias cuja opção política é contraria àquela que se nega a investigar sobre desaparecidos, mortos sem túmulo, etc. E é isso que modula todo seu pensar já que essas mortes estão grandemente vinculadas com traição ao que lhe é mais íntimo e sagrado.

Mais recentemente o que mais nos afeta socialmente em medio à pandemia da COVID19 é justamente o não poder enterrar o morto sem vê-lo por última vez. Então essas mortes, servem como exemplo e aproximação por analogia para aquelas outras.

Agora, imagine quando se repete a história uma e outra vez de que há um “desaparecido”. Isto é, um morto sem razões suficientes, sem túmulo adequado, sem um momento para a despedida e – via de regra – por razões bizarras. O que pensamos (dizendo ou não) é: “É só uma questão de tempo até acontecer comigo”

É por essas e outras que digo que o ditado popular, mais uma vez, revela algumas verdades muito interessantes. O lance dos impostos o tratarei na aula; mas vejo que essas duas opressões são as que marcam o inicio de uma reação.

Um outro dia gastarei tempo procurando as pesquisas e as referências. (Em especial da barreira de 21%… eu acho que era Indonésia, mas não lembro)

Já pensou!?

Já pensou que no relato do gênesis Deus faz a mulher em separado?
Já pensou que o herdeiro da promessa feito a Abraão tinha que sair de Sara e não de Hagar por mais que fosse legalmente correto?
Já pensou que – mesmo havendo Abraão tido um filho da escrava – Deus não a esqueceu e lhe deu uma promessa similar à que dera a Abraão?
Já pensou que para os judeus Abraão, Isaque e Jacó estão em pé de igualdade com Sara, Rebeca e Raquel?
Já pensou que as lágrimas de Ana regaram o mesmo local onde seu filho haveria de receber seu chamado?
Já pensou que Maria suportou a humilhação pública por causa do Salvador?
Já pensou que a ultima preocupação de Jesus na cruz foi com a sua mãe?
Já pensou que na ressurreição para quem Jesus apareceu primeiro foi para as mulheres?
Já pensou que numa sociedade em que o testemunho da mulher não valia grande coisa Deus deu a elas o privilégio de serem suas primeiras testemunhas?
Já pensou que a melhor ilustração da relação entre Jesus e a Igreja é o casamento e que o casamento nada mais é do que a junção da imagem plena de Deus (“à imagem de Deus o criou;
homem e mulher os criou.”)
Já pensou….?

Vencemos!

Uma visão pesimista sobre o fim da pandemia

Aviso aos navegantes: esta é uma obra ficcional escrita durante a pandemia do COVID19. Ainda estamos em isolamento social e – talvez – indo para lockdown.

Esteban d. dortta – Maio 15 2020

Por fim vencemos!

Após meses de luta, de reclusão e ao custo de várias vidas conseguimos vencer o vírus que tão terrivelmente assolou a humanidade durante mais de um ano. Parece mentira que possamos andar livremente de novo pelas ruas, respirar o ar fresco, tomar um café na padaria, reencontrar os amigos.

Aos poucos a sociedade se recompõe da sua forçada letargia que lhe foi imposta para poder sobreviver. É verdade sim que muitos empregos foram perdidos e vários deles para sempre. Mas também é verdade que algumas coisas que antes fazíamos de um jeito as passamos a fazer de outro.

Para trás fica o tempo de medo e pavor que este vírus provocou na gente. Junto com o medo, foram-se a ansiedade, a incerteza, o desassossego por não saber qual dos nossos em que canto do mundo o vírus ia pegar.

A falsa sensação se segurança que a rotina dá, placidamente começou a tomar conta dos nossos corações. Assim como o sol morno de uma manhã outono nos esquenta as costas, aos poucos fomo-nos aquecendo e esquecendo do terror do isolamento. Para trás ficam a calamitosa dependência de amigos de verdade, família, Deus. Ao final das contas, quem – de fato- precisa de algum deles agora que estamos bem?

Não mais frases de alento ou de aconchego, não mais dicas de como amar o próximo em situação de convívio forçado, não mais orações comunitárias nem expressões de saudades. Quem precisa de meu esforço e dedicação, quem realmente merece toda minha atenção é a profissão, o trabalho, o serviço, … o dinheiro. Ao final das contas, quem vive sem ele?

Os poucos vamos mentindo e enganado os outros dizendo que aprendemos muitas coisas durante a pandemia. Mas o que é que de fato aprendemos se assim que podemos voltamos a fazer as mesmas coisas que fazíamos antes?

No que hoje – em meados de 2021 – somos melhores do que éramos em final de 2019? Nos tornamos mais honestos em nossos negócios? Temos mais misericórdia com o próximo? Somos mais amorosos com nossos filhos? Damos mais tempo para nosso cônjuge? Deixamos um tempo livre apenas para estar sozinhos e pensar?

Não, óbvio que não! Isso ai é para fracos! Para tolos que não entendem que o que realmente interessa é correr dia após dia. Isso é apenas para aqueles que se interessam com coisas que pareceram ser importantes durante um tempo, mas o que realmente interessa está lá fora e longe de mim: as coisas que não tenho, os amores que não me deram, os viagens que não realizei e outras coisas semelhantes a estas.

Mas não posso dizer isso, “pega mal”. É por isso que mentimos e dizemos que aprendemos, que somos diferentes, que a sociedade está melhor. E é por essa mesma razão que minto que estou mentindo e falo a mim mesmo e repito até o convencimento “saímos melhor do que estávamos, vencemos!”

A herança esquecida

Era uma vez um povo que vivia sua pequena felicidade. Não se sentia infeliz nem muito menos. Tinha achado seu ponto de equilíbrio e – mesmo que ocasionalmente os membros desse povo falassem uns ao outro da triste situação dos que não pertenciam a este povo – pouco e nada faziam ao respeito. Era mais uma formalidade que ajudava na aceitação por parte dos outros do mesmo povo, do que realmente uma carga.

Tudo nesse povo era circular. Nele nada era quadrado, triangular, hexagonal, ou de qualquer outra forma poligonal. Tudo era simplesmente um círculo. Alguns maiores, outros menores, mas sempre círculos. Haviam por vezes círculos tão enormes que, observados de perto e por pouco tempo, pareciam uma reta.

Para se ter uma ideia, os planos e projetos eram circulares. Eles começavam e acabavam sempre no mesmo ponto que tinham começado (ou acabado antes, ninguém mais sabia). De esta forma, se podia ter a ideia de movimento sem nunca ao menos passar por lugares ou situações novas. Tudo quanto se observava já era conhecido por alguém de alguma forma e com isso os mais novos não tinham necessidade de sentirem medo ou aflição já que alguém da geração anterior (ou anterior à anterior, ninguém mais sabia) já tinha passado por lá.

Haviam ao menos quatro círculos básicos na vida deste povo: o íntimo, o particular, o simulado e o externo irreal. No círculo íntimo ninguém entrava a não ser a própria pessoa. Neste espaço, as ideias e sonhos se revolviam de forma mais ou menos desorganizada mas sem nunca ao menos poderem sair para os círculos mais externos. Como muito, alguma ideia que já tinha sido ouvida nos círculos mais externos era devolvida ao círculo particular, com muita dificuldade ao simulado (sempre e quando a aceitação fosse de alguma forma garantida) mas, com certeza, nunca, mas nunca mesmo, sairiam ao círculo externo irreal.

Por conta dos círculos serem concêntricos o equilíbrio do esquema todo dependia em grande medida do ponto mais básico assim como da velocidade de giro dos círculos mais externos, mais ou menos como o rodopiar de um pião. Enquanto tudo continuasse a girar com a suficiente velocidade o pino continuaria como ponto de apoio e enquanto o ponto de apoio continuasse lá, tudo iria a continuar girando e a tão bem conhecida e estática felicidade estaria garantida.

A herança esquecida – Júlio

Anteriormente…

Júlio não era de todo circular. Suas ideias iam e vinham. Algumas eram ideias estranhas. Bom, ao menos não eram circulares. Para falar a verdade, Júlio era mesmo meio amassado. Ele não girava muito bem. Até o círculo particular se incomodava com o jeito em que ele girava. No círculo simulado ele não se encaixava e vira e mexe falava de coisas que só podiam ter vindo do círculo externo irreal. Para que o leitor me entenda melhor, mais do que girar em círculos, o Júlio rodopiava alternando a volúpia rodo ativa com certo degringolamento na própria rota: Um louco solto.

Uma das coisas mais perigosas que Júlio falava era que o último círculo estava mal etiquetado. Ele dizia que o último círculo não podia levar nunca a palavra irreal na etiqueta. Apenas círculo externo seria suficiente. Apenas pensar nesta ideia fazia os circulões (assim eram chamados os membros deste povo), como dizia, apenas pensar nesta ideia fazia os circulões mais velhos estremecerem na base. Como o leitor pode imaginar, uma estremecida neste povo não era o mais desejável já que um círculo poderia bater no outro, fazendo-o estremecer-se e podendo desencadear uma reação em cadeia.

Da última vez que isso tinha acontecido o desmoronamento, o tombo, a sensação de insegurança tinham invadido o povo ao ponto que – não podendo mais rejeitar as ideias – tiveram que se desfazer do circulão ousado. Como era que se chamava? Era um nome com ésse. Sofos? Saliente? Solidão? Salvador? É isso ai! O circulão aloprado chamava Salvador.

Salvador tinha a mania de mostrar que círculos, por mais enormes e velhos que fossem, nunca seriam linhas retas. Ele insistia que haviam outras formas igualmente válidas de construir um povo; triângulos, quadrados, pentágonos, etc. O problema estava com o caminho. Segundo Salvador, o essencial era reconhecer que o andar não podia estar limitado à reprodução da própria forma do povo. Ou seja, ele dizia que haviam outros povos no círculo externo irreal que alias, ele -que nem Júlio- insistia em tirar a palavra irreal da etiqueta. Estes povos tinham as formas mais variadas mas todas elas, assim como os circulões, insistiam em que o caminho a ser seguido tinha a própria forma do membro individual do povo apenas mudando em tamanho e – por consequência – em historicidade. Quando mais velho e maior, tanto melhor e seguro o caminho a ser seguido; isso contanto a forma fosse idêntica à do povo que o transitasse.

Salvador insistia em que a forma que o caminho assumia e o tempo transitado não eram um atestado de que o próprio caminho era certo. Por outro lado, estas coisas não tinham como competir com a relevância do destino a ser atingido nem muito menos com a aventura das descobertas que o próprio caminho poderia vir a oferecer.

O orgulho com que os circulões se gabavam de quão seguro era seu próprio caminho, quão elegante e suave era se comparado ao dos triangulões ou dos quadradões via-se gravemente ameaçado pelo sorriso meigo e simples de Salvador que – na sua aparente loucura – conseguia enxergar vida além do círculo externo irreal.

As pessoas que o ouviam falar, o faziam por meio do círculo simulado. Este era meio como que uma última linha de defesa para a pseudo realidade particular e a quase realidade interior. No círculo simulado, a realidade era antagônica à aceitação. As ideias eram expostas sempre e quando fossem circulares. Maiores, menores; com traços largos ou finos; mas circulares. Os mais ousados traziam ideias ovais que não passavam de círculos deformados. Passado o choque inicial, a ideia passava a ser considerada pois não se tratava de nada mais do que um círculo sob forte pressão ou qualquer eufemismo do tipo.

Salvador vinha e falava de triângulos, quadrados, hexágonos e outros polígonos como se eles também fossem formas válidas de vida. Mostrava aos circulões que tanto fossem triangulões, quadradões, ou circulões, o importante mesmo era escolher um outro caminho que não era a mesmice de sempre. Porém a coisa realmente pegava quando ele abandonava os polígonos e passava a falar dos poliedros. Onde já se viu ter três dimensões? Volume? É claro que ele fazia isso não apenas para chacoalhar as ideias dentro do círculo íntimo de cada circulão o que já de por si constituiria um objetivo bastante ousado. O propósito dele era mostrar que o importante era o caminho e não a forma de quem o transita.

Júlio se sentia de certa forma conectado com Salvador. Não que fossem contemporâneos. Nada disso. Havia uns dois mil anos de separação histórica. A coisa era mais profunda.
Júlio tinha nascido como qualquer outro circulão; ou seja: dois circulões complementares se uniam, mitigando as diferenças do círculo simulado e passando a constituir um novo círculo particular, abandonando – na medida do possível – os respectivos círculos particulares ao que tinham pertencido para formar um outro circulo melhor e maior na medida do possível ou pelo menos aparentar que assim era.

Bem, particularidades à parte, Júlio foi crescendo bastante bem. Aprendeu as habilidades de simular o pensamento, esconder a verdade, fugir das ideias que não fossem circulares, enfim, tudo aquilo que os mais antigos achavam essencial para o pequeno Júlio chegar com sucesso a participar do círculo simulado e evitar o mais possível o contato com o círculo externo irreal. A não ser, claro, aquelas vezes em que a necessidade o empurrasse para obter algum recurso com os triangulões ou os quadradões vizinhos.

O inferno isolacionista

hiper-conectadosEra uma vez um moço italiano chamado Guglielmo Marconi. Nascido em Bolonha, Itália em abril de 1874. Antes dele e até 1896, o telegrafo sem fios era impraticável se bem já tivéssemos cabos e o telefone já se mostrava viável desde 1849 com Antonio Meucci e 1876 com Graham Bell.

A verdade é que após Marconi ganhamos – como humanidade – uma certa liberdade e velocidade na comunicação que nunca tinha sido imaginada pelo homem comum. Em 1897 Nikola Tesla apresenta uns estudos que Marconi iria utilizar para em 1899 realizar a primeira transmissão pelo Canal da Mancha. Nunca mais seriamos os mesmos. São essas coisas que tem a humanidade: um invento a muda como um todo.

Depois veio o rádio, a televisão, o satélite, a internet, telefone sem fio e em algum momento demos um pulo substancial em termos computacionais e temos aplicativos fantásticos – desde o ponto de vista técnico – como Facebook, WhatsApp e outros que nos permitem de forma instantânea estar conectados com virtualmente qualquer ser humano.

Quando Marconi morreu em 1937, ele recebeu um funeral com honras de estado e à guisa de homenagem, todas as emissoras do mundo ficaram dois minutos em silêncio. Duvido que Jan Koum (inventor do WhatsApp) ou Mark Zuckerberg (inventor do Facebook) recebam semelhante honraria ou equivalente no momento da sua morte.


Vivemos no que gosto de chamar de um mundo hiper conectado. Se formos ver, não há necessidade real de estarmos tão conectados assim. Obvio que é bacana e muito prático. Eu mesmo uso tudo o que tenho ao alcance para me manter em contato com familiares, amigos, irmãos, clientes… Todavia, percebo que há gente que não consegue viver sem.

placa-decorativa-mdf-vintage-frases-nao-temos-wifi-fr048-D_NQ_NP_777503-MLB28050905517_082018-FEm alguns locais já é possível observar placas com os dizeres “Aqui não temos WiFi, conversem entre si”. Também há projetos de lei visando impedir o uso do celular em alguns locais públicos.

Não paramos mais para estarmos juntos e muito menos sozinhos. Assistimos um filme, mas cada qual com seu próprio celular, tablet, notebook… se ao menos fosse um livro.

Estamos pendente do tom que indica uma mensagem entrando, uma curtida, um sinal distante e – provavelmente – artificial de apoio mas dificilmente nos prendemos nas palavras da pessoa que está ao nosso lado. É um inferno. Cada um por si e a internet por todos nós.

O amor vai se esfriando, não por falta de contatos mas pelo excesso deles. É a mesma coisa que bebermos Coca-Cola para apagarmos a sede. Sede só se apaga com agua. O resto é ladainha. Assim tambên tentamos receber afeto, aceitação e apreço por meios artificiais e com laços afetivos duvidosos.

Postei esses dias só para provocar que as esmolas não deveriam de ser publicadas nas redes sociais. Isso porque percebi que há vários que postam o que fazem de bem ao próximo apenas para receberem a ovação dos seguidores da rede social de plantão. Obvio que estava parafraseando Jesus mas mesmo assim a reação não se fez esperar.


Moro num pais que fiz meu por adoção. Logo, meus parentes estão todos distantes. Obvio que os meios de comunicação modernos me permitem uma comunicação muito mais do que necessária.

Todavia, nada substitui o contato direto com minha mãe, pai, irmãs, tios e primos.


Vivemos um inferno isolacionista. Cada um no seu quadrado pretendendo estabelecer com o distante o que deveríamos estabelecer com o próximo. Comunicando sentimentos e ideias com quem podemos desligar se sua opinião nos é contrária.

É um simulacro de vida. Parece com a real, mas não é. Assim como teus rins irão à falência se apenas bebes refrigerante, assim também tua vida emocional vai para o buraco sem relações reais.

Como diz a letra de Tele-Fome de Jota-QuestNão adianta falar de amor ao telefone, isso é ilusão

Vote melhor: Não vote num messias.

Tempo de eleições se presta para a manifestação da mais pura das imbecilidades: A espera por um messias.

Antes que abandone a leitura, deixe-me lhe dizer que não estou com isto desacreditando do Messias Jesus ou alguma coisa parecida mas sim enfatizar que é tosco esperar por uma única pessoa que salve a nação. Se formos ver era isso mesmo o que se esperava de Jesus no seu tempo e os seus próprios discípulos não entenderam que se tratava de um outro tipo de Reino e não um sujeito ao padrão terreno. Neste sentido, até ele mesmo teve que ‘desconstruir’ a ideia de um Messias terreno.

Mas voltando no nosso assunto; independente se você polariza para esquerda ou para direita, no fundo, espera por um ‘Salvador da Pátria’. Alguém que vai botar ordem e progresso onde -aparentemente- só há desmando e atraso. Esta ideia de um ‘Salvador da Pátria’, se junta com a outra de ‘Isto só acontece no Brasil’. É mais ou menos um sentimento de inferioridade coletivo associado ao ‘complexo de Gabriela’: nascemos errado, logo sempre seremos errados. Duas falacias separadas apenas por uma vírgula.

Brasil não nasceu errado. E mesmo se tivesse nascido, não está por isso condenado a estar errado o resto da sua existência. O mesmo se aplica aos outros países das ex colônias hispano-portuguesas assim como às holandesas, britânicas, francesas.

Se o problema está na gênesis da nação, logo, apenas quem pudesse mudar esse inicio é que poderia mudar as coisas. Já se o problema está no coletivo inferiorizado, apenas alguém que pudesse mudar a identidade essencial do povo como um todo é que teria as chances necessárias para mudar a atual situação. É por isso que – ao meu ver – esperar por um messias (de esquerda, direita, centro) é tolice. Na realidade está mais para um auto-engano ou cândido desconhecimento que outra coisa.

Pode ser desconhecimento por se ignorar os procederes necessários a uma democracia, suas negociações intrínsecas, seus diálogos necessários. E não me refiro com isto ao aproveitamento sistemático da máquina democrática por assim dizê-lo. Me refiro a que -na mesa da democracia- o diálogo e a negociação são essenciais. Logo, ao esperar por um ‘Salvador da Pátria’ se espera em realidade por alguém que com pulso firme coloque as coisas no eixo. Sim, é verdade que as coisas estão fora de eixo. Sim, é verdade que o Estado tem sido tomado por assalto. E sim, é verdade que isso não acontece apenas na ‘Pátria amada’, acontece também na ‘Terra dos Livres’ assim como na ‘Pátria Livre’ das estepes siberianas. Todavia, nada disso justifica o sacrifico da democracia. Muito pelo contrario, é a atual situação a que clama por uma democracia forte. Talvez com revisões, mas mais forte. Talvez uma democracia mais chegada ao povo comum, ao empresário local, ao dono de casa, à chefe de família, mas democracia no fim das contas.

Pode ser auto-engano. Mas não qualquer coisa, um auto-engano bem orquestrado com intervenção de um forte viés de negação da própria realidade. Um engodo de tal tamanho que nos parece ser real. Por exemplo, é bem provável que lhe falte coragem para fazer as mudanças na sua vida pessoal que lhe levaria a trilhar um caminho diferente (não necessariamente melhor, isso o tempo vai dizer). Faltando essa coragem no âmbito pessoal, é de se entender a necessidade de um ‘Salvador da Pátria’. É uma simples inversão da ideia de que ‘a culpa é dos outros’ ao colocar ‘a responsabilidade em apenas um’. Pensa-se que se há um único homem com responsabilidade e valor suficientes, as coisas vão se encaixar. Se adiciona a isso o lance do ‘caráter’… fulano é integro. Na verdade você não faz ideia do caráter do fulano, apenas precisa acreditar em alguma imagem que a mídia ou o marketing vendem, isso se junta com sua inabilidade no mundo democrático, se soma à letargia e pronto, temos a receita pronta para um ‘Homem de Deus’ (de esquerda, direita ou centro) que vai salvar o mundo.

Veja se isso não se repete nos filmes que assiste, nos times de futebol, no banco da sua escolha, na escola que escolhe para os seus filhos…. sempre há a ideia de que um único lance, um único jogador, um único mocinho, uma única peça vai solucionar o todo quando o o todo é -por natureza- caótico.

Então que rumo tomar? Se não há messias, se o simples fato de associar as soluções dos problemas à escolha correta ou errada de uma única pessoa já está errada, o que fazer? Como atacar o caos com uma única bala? Porque eu não sei se reparou, mas você sim tem uma única bala (marcada) a cada quatro anos e o caos é enorme. Como um simples votante pode pôr isso tudo ao vento e arejar a coisa de vez?

Voto em branco ou nulo é suicídio. É jogar à roleta russa com o pais. É uma irresponsabilidade tamanho casa pois o que conta é o total de votos válidos. Logo, para alguém responsável é uma opção inviável.

Perguntar ao seu xamã, pajé, pastor, padre, agiota, em quem vai votar, é mais tolo ainda, já que o cara não tem uma bolinha de cristal para saber o certo ou errado. Ele está tão confuso, angustiado e cansado como você.

Colocar todos os candidatos numa sacola e sortear é melhor do que a pergunta porque pelo menos não passa vergonha. É menos irresponsável porque pelo menos é a ‘sorte’ a que decide. Mas serve apenas como ponto de partida, para as próximas eleições você vai ter que voltar às raízes.

Me explico: Para mim a solução não passa por um messias ou uma consulta aos seus iguais ou um sorteio. A solução para o caos é adicionar caos à equação e para isso é necessário voltar à raiz da democracia. Não há necessidade de novas leis nem nada. Apenas saber o seguinte: Quando Solon -pai da democracia- inventou esse lance do povo ter o poder, o fez sobre bases representativas e -olha só- um candidato eleio podia ocupar um determinado posto apenas uma única vez na vida. Olha que beleza, quando este homem inventou o lance, conhecia muito bem a natureza humana e sabia que ia dar errado. Por isso, colocou o melhor contrapeso já inventado: você só pode ser guardião do templo da Deusa X por cinco anos uma única vez na vida. Pronto… Seja bom ou ruim, em cinco anos sai e parte para outra.

Obvio que não dá para mudar as leis de um pais para se atentar a isso. Vão surgir um monte de pseudo-defensores da democracia dizendo que se o povo quer o fulano de novo no poder, porque não colocá-lo. Mas a minha proposta é: Nunca vote na mesma pessoa duas vezes para o mesmo cargo. Parece tolo mas pense um momento comigo: as coisas estão como estão porque nós -o povo- as colocamos assim. (Obvio que uma boa teoria da conspiração acalma a consciência) As pessoas (e em especial certas empresas disfarçadas de partidos políticos) se perpetuam na teta da mãe pátria, apenas porque nós -o povo- os mantemos lá. Ai o que acontece se os candidatos não se elegem? a própria pseudo-empresa vai ter que achar outros candidatos pra preencher a vaga. Aos olhos deles, a culpa não é do povo que pensou por conta própria (ao final das contas, eles entendem que o povo não pensa pois se pensassem não teriam sobrevida) e sim do candidato. Isso vai levar a um desarranjo institucional interno e criar as condições para que um candidato mais apto (leia-se: com melhor capacidade de engano) surja e seja posto. Até lá, quem entrou no poder (Senado, Deputados, Presidencia, Camara dos Comuns, Sociedade de Futebol de Chapinha) vai -por uma questão de pura vaidade- tentar mostrar serviço. Para a próxima rodada, ele pode que seja ou não re-eleito -isso não interessa ao método proposto- mas o sistema como um todo melhora porque não há mais certeza sobre a manutenção da situação já que o povo pensa e usa a única bala que tem para matar o parasita e permitir que algum raio de luz ilumine a pilha de esterco na que nos metemos.

Você celebra a páscoa?

Há muitos cristãos que acreditam piamente que o que se encerra hoje é a celebração da páscoa.

É verdade que a comemoração dos judeus é verdadeiramente a páscoa. Está certo em celebrarmos a data deles? Sim, se você conseguisse celebrar o Ramadã morando ou estando sob influencia muçulmana, a resposta é sim. Ou seja, não é uma festa de origem cristã, ela em si mesma não lhe diz à cristandade. Portanto, não é uma festa nossa assim como não o é o Natal que é uma apropriação da festa pagã do “Sol Invictus” do tempo dos romanos. (Mais sobre isso aqui)

Porém, ficando claro que é uma festa que não é da nossa origem, uma segunda análise nos leva exatamente na direção contrária. O que se celebrava na páscoa? A liberação que havia de vir ainda. Ou seja, naqueles dias da primeira páscoa se escolhia e preparava o cordeiro durante os dias anteriores. Por quatro dias, ele era preservado e todos na casa sabiam o que estava se preparando. Imagino que a sensação deveria ser similar à que sentimos perto do Natal no mundo cristão ou do Ramadã no mundo muçulmano. Ou seja, grande e aberta expectativa.

No final do quarto dia, ele era abatido (Ex12:6). Lembro meu vó abatendo um carneiro. Eles morrem em silêncio. Em todas as casas haveria um certo silêncio naquela mesma hora. Talvez um certo murmurio suave e um tanto solene enquanto se explica aos mais novos o que está acontecendo e como isso é uma preparação do que haveria de vir.

Parte desse sangue serviria para marcar o batente da porta. Num claro sinal público de comprometimento pela fé no que haveria de acontecer. (Ex12:7)

Depois começaria a outra parte da celebração. O churrasco (Ex12:8), o jantar. Quem nunca comeu ou comeu e não gostou não tem noção de como é gostoso um churrasco de carne de carneiro (meio adocicada) acompanhada com ervas amargas. É uma delicia ao palato. Quem nunca esteve numa churrascaria gaucha de verdade (não as imitações paulistas) não sabe o como é gostoso comer não apenas a carne, mas também todas as outras partes do animal. Uma verdadeira festa de sabores.

Comento estes detalhes culinários apenas para trazer à tona um fato que geralmente não associamos com as celebrações religiosas judaicas: São uma baita festa. Os povos semíticos são povos expressivos e as celebrações tem música, dança e, claro, por ser uma festa judia iniciada em solo egípcio, tinha cerveja e da boa não das feitas com arroz e/ou cereais não maltados, eles usavam a melhor cevada disponível na região. Ao final das contas a saúde de adultos e infantes dependia disso. (Veja mais aqui)

Assim como a entrega dos dízimos, a festa das colheitas e tantas outras, a celebração da páscoa era exatamente isso, uma grande e ousada festa. Temos o costume infernal de solenizar tudo. Talvez pela herança dos conquistadores, talvez por achar que existe alguma diferença entre o sagrado e o criado, ou talvez por não nos sentirmos relaxados de fato na presença do Criador, quem sabe?

O cheiro do churrasco na brasa no ar, a noite caindo e as sensações se juntando. Havia expectativa, ansiedade, alegria e tristeza. Tudo junto. Mais ou menos como a morte do único parente rico e muito bem querido e respeitado em uma família pobre. Os sentimentos se misturam, não tem jeito.

Havia expectativa por ser a primeira vez que iria a acontecer o que estava por acontecer. Tristeza porque iam deixar tudo o que tinham conhecido como realidade nos últimos quatrocentos e trinta anos. Alegria, porque ao fim seriam libertos e ansiedade porque o que estava por acontecer, se escapava da mão deles.

A festa era de cunho divino no sentido que tinha sido uma idealização de YHWH transmitida a Moisés. A própria celebração era realizada com componentes culturais próprios. A abrangência do sacrifício era para todos os escolhidos e apenas para eles (Ex12:3,45). A participação era -como todas as celebrações do antigo testamento- pela fé já que a pessoa poderia se abster de crer e deixar de pintar o batente da porta, por exemplo. A realização prática era na família e, se ela for pequena, junto com a família do vizinho numa demonstração particular de fé comunitária.

Então a noite foi ficando escura. Algumas músicas foram parando. Algumas risadas diminuindo. Após a meia noite (Ex12:29) os primeiros gritos foram se ouvindo. As primeiras frases de arrependimento ditas em pranto foram sendo ouvidas. Em todas as casas onde a marca de sangue no batente da porta não tinha sido feita, o anjo do Senhor entrou e matou o filho mais velho não apenas das pessoas, mas dos animais. Em todas as casas no Egito havia um filho morto (Ex.12:30)

Nessa mesma madrugada, o Egito manda os judeus – sua grande e barata mão de obra – ao deserto. A liberação que uns poucos esperavam, pela qual muitos clamavam, mas que de fato a maioria não desejava que se concretiza-se estava sendo finalmente realizada. (Ex.12:31-33)

Deus era fiel ao seu próprio plano. Deus não tinha esquecido da sua promessa. Deus não tinha abandonado seu povo como muitos achavam. Deus, continuava sendo O Soberano. A fé não era mais necessária pois estava claro até para o mais obstinado descrente que Deus era quem mandava no pedaço. Não se tratava mais de crer que um dia a salvação chegaria, era obvio e manifesto que o lance estava acontecendo ali e nesse momento.

cruz-vazia

Uns 1400 anos depois um outro cordeiro morreria. Um judeu de origem humilde. Um carpinteiro de profissão. Ele falava que a salvação da qual muitos falavam, poucos acreditavam e menos pessoas ainda esperavam de fato que se concretiza-se, dependia dele. Especificamente da morte dele.

A morte de Jesus o Cristo se dá justamente na celebração da páscoa. Ele morre e aqueles que ouvem hoje sua mensagem e depositam a fé nele (pois pode-se ouvir, entender, concordar mas não se render) são salvos. A ressurreição dele (que celebramos todo domingo) apenas nos lembra de que ele prometeu voltar da morte e também prometeu um dia vir buscar os seus. Logo, se se mostrou poderoso para cumprir a primeira promessa (muito mais difícil de cumprir do que a segunda por se tratar dele mesmo) é capaz de cumprir a segunda.

Então, meu querido, que páscoa você celebra? A dos ovinhos de chocolate e das frases feitas? A de evitar comer certos tipos de comida? A do recolhimento vazio? A do tempo do Êxodo? O apostolo Paulo tem uma frase muito linda sobre este momento.

O orgulho de vocês não é bom. Vocês não sabem que um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermentada?
Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.
Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade.
1 Coríntios 5:6-8

Então não se trata de celebrarmos a festa judaica ou a europeia. Se trata de celebrarmos a morte e ressurreição do amado. Mas não uma celebração como evento isolado da vida. Está mais para uma celebração por causa da nova vida que nele temos.

Que presente dar?

Época natalina se presta para sorrir, desejar uma vida melhor e dar presentes.

É claro que a data não tem como coincidir com o nascimento de Jesus de fato, é o solstício de inverno no hemisfério norte (21/dez) e coincide com a festa pagã do Dies Natalis Solis Invicti  ou o nascimento do sol não conquistado, invicto. Mas isso não interessa agora até porque não vamos mudar a realidade de que no mundo “cristianizado” celebramos natal no 25 de dezembro e ponto.

O fato é que surge a pergunta: Que presente comprar? Que presente dar?

Há aqueles que tem uma tendência de comprar uma coisa cara, como se o valor do presente refletisse – de alguma forma – o valor dado à pessoa numa salada de valores e não-valores capaz de deixar qualquer um louco.

Há os outros que por incapacidade de decidir, não conseguem dar presentes e para piorar criticam e condenam quem assim o faz.

E tem aqueles outros que dão coisas que eles mesmos gostariam de receber numa total prática pseudo amorosa de hedonismo não confessado.

A prova de que não sabemos presentear é o cartão de crédito.

Primeiro, quem amamos não precisa presente (não pare de ler, por favor, não desanime…rs) Ou seja, as pessoas que amamos e que nos amam (pois não há amor em apenas um sentido) não precisam de presente para manter a amizade. Então o cartão de crédito -se usado neste caso- deve ser com mesura de outra forma, meses ao fio lembraremos da inutilidade de ter comprado um presente caro para quem já temos no coração.

Segundo, aquele que não se ama não requer presente. Não é um presente caro ou um elogio que vão conquistar o coração do chefe ou a aprovação do cônjuge.  Isso porque quando damos um presente além das forças, todo mundo sabe que estamos mendigando alguma coisa, de outro jeito há um monte de coisas que requerem da nossa atenção. Então, nada de entrar em dividas para agradar um fulano que não se agrada de você.

Tá, então não damos presentes?

Faça como quiser, seja livre, mas se for dar um presente, dê apenas porque gosta, ama e conhece a pessoa. Nada mais lindo que receber aquele carinho – que pode ou não ser materializado – da pessoa amada. Vale mais tomar café junto com o amigo várias vezes durante o ano do que não ter dinheiro nem para o café por ter dado aquele presente caro completamente à toa.

Presentes apenas mostram o quando conhecemos a pessoa que irá receber-lo e serão completamente inúteis para quem não gosta da gente.

Dê a si próprio. Conce-da-se ao outro. Gaste tempo com quem ama. Perdoe. Viva livre. Ame. Não é esse por acaso o exemplo de Jesus o Rei?

MANIFESTO DOS BATISTAS BRASILEIROS SOBRE A OPERAÇÃO LAVA JATO

A liderança da Convenção Batista Brasileira (CBB) , se pronunciou recentemente através de um manifesto que será enviado às autoridades brasileiras sobre a Operação Lava Jato e a corrupção que assola nosso país.

O texto que segue é reprodução fiel do original:

Rio de Janeiro, 15 de abril de 2015.

Assunto: MANIFESTO REFERENTE À OPERAÇÃO “LAVA JATO”.

“Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que ele escolheu para lhe pertencer!” Salmos 33:12

DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA
AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

COM CÓPIAS PARA:
PRESIDÊNCIA DO SENADO FEDERAL
PRESIDÊNCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS.
PRESIDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
LÍDERES DAS BANCADAS EVANGÉLICAS DAS DUAS CASAS LEGISLATIVAS.
DIRETOR DA POLÍCIA FEDERAL
ORDEM DOS PASTORES BATISTAS DO BRASIL

A CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA (CBB), representando os mais de três milhões de Batistas brasileiros e congregados, atuando atualmente em todo o território nacional há mais de 130 (cento e trinta) anos, através de seu Conselho Geral, vem muito respeitosamente, por seu presidente, manifestar seu sentimento em relação às inquietantes questões relacionadas ao interesse público, no que tange aos aspectos éticos e morais confrontantes com nossos princípios e valores emanados da palavra que temos por regra de fé e prática, a Bíblia Sagrada.

O presente cenário, além de ferir nosso senso de dignidade e respeito ao cidadão brasileiro, despreza também os princípios consagrados por nosso arcabouço jurídico, como: legalidade, moralidade, eficiência, dentre outros.

Acompanhando às ações e iniciativas de combate efetivo à corrupção, especialmente em relação à operação chamada “LAVA JATO”, envolvendo agentes públicos e privados, bem como a apresentação de proposta de anteprojetos de lei pelo Ministério Público Federal, que visam agilizar, efetivamente, o combate à corrupção, materializada através das medidas que seguem:

“agilizar a tramitação das ações de improbidade administrativa e das ações criminais; instituir o teste de integridade para agentes públicos; criminalizar o enriquecimento ilícito; aumentar as penas para corrupção de altos valores; responsabilizar partidos políticos e criminalizar a prática do caixa 2; revisar o sistema recursal e as hipóteses de cabimento de habeas corpus; alterar o sistema de prescrição; instituir outras ferramentas para recuperação do dinheiro desviado. ” (fonte: www. combateacorrupcao. mpf. mp. br/10-medidas)

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL apresentou as propostas acima elencadas e, diante da coerência e relevância social das mesmas, manifestamos nosso inteiro apoio a estas medidas emanadas dos valorosos guardiões da Lei e do bem-estar coletivo. Reiteramos que, por entender que as referidas propostas de anteprojeto representam os mais legítimos anseios do povo brasileiro, apresentamos nossos cumprimentos aos ilustres membros do MPF.

Respeitando e valorizando o importante trabalho das autoridades que agem com dignidade e respeito à investidura a elas confiadas e deste mui digno MPF, desejosos de continuar trabalhando pelo bem-estar de nossa comunidade e do nosso país, colocamo-nos ao seu inteiro dispor para iniciativas de apoio que se façam necessárias.

Na expectativa que o presente manifesto receba de Vossas Excelências a devida atenção e registro, com conseqüente leitura nos colegiados correspondentes.

Com nossas orações,

Pr.Vanderlei Batista Marins

O original pode ser localizado no seguinte endereço: http://goo.gl/qn3mGY