Sempre quando quero voltar a um lugar que me marcou e me deixou saudades e, que no coração, mente/razão “eu amei” (mesmo o lugar sendo o mesmo e não tendo sofrido tantas alterações de espaço e ambiente), o tempo em que eu lá vivi, partilhei e compartilhei não se encontram mais. Um misto de todos os sentimentos ali vividos vem à tona, mas o tempo passou e se ocupou de apenas guardar na memória o quanto foi feliz aqueles momentos.
Sabiamente o poeta Rubem Alves, em um de seus documentários, nos aconselha a não voltar a tais lugares. As imagens bastam para as recordações e, lembranças doem menos que a presença viva de cada tempo usufruído. Para mim estes espaços, que me fazem sofrer ao recordar, se tornaram “sagrados”. Falam de um “tempus fugit”, um tempo que voou e, irreversivelmente, não volta nunca mais. Encontrar “tempus” que não sejam “fugit” é o mesmo que dizer que devemos engaiolar a beleza da vida para nossa eterna contemplação; é o mesmo que congelar imagens, momentos e ali gastar a vida até evaporar-se; é o mesmo que dizer ao pôr-do-sol que se ponha a cada hora e perpetue sobre nossa cabeça a transcendência de seu ato; é o mesmo que satisfazer os prazeres da nossa vida num instante apenas.
Sou transportado constantemente a esses tempos da memória, das imagens, da saudade, dos amores, dos sabores e das amizades. Doe tanto não poder pegá-lo na mão e manuseá-lo como era e como foi. Mais triste é saber que esses lugares, sacralizados pelo tempo, não nos pertencem mais. Que o tempo se ocupou de, simplesmente, passar. Que o tempo, como é sua função, correu para frente e nem avisou que assim sempre será.
*Inspirado em Rubem Alves…