Lá na minha terra quando uma mulher muito bonita e vista na companhia de um homem feio, se costuma dizer: o que será que ele falou para ela?
Também por lá é sabido que se um homem não falar exatamente o que a mulher quer ouvir e do jeito que ela quer, o carinha está encrencado.
Pode ser que o discurso nada tenha a ver com a realidade mas se for do jeito que a patroa quer, a sopa está garantida. Convenhamos então que todo relacionamento íntimo depende da lábia e a boa prosa do elemento masculino da relação.
De tempos em tempos estes “garanhões domésticos” por chamá-los de alguma forma, ocupam os palanques de todo o território nacional, ora para solicitar votos para o governo local, ora para o governo estadual e federal. Acredito eu, que muito deles até que possam ser bem intencionados e confesso que tenho uma queda especial pelos membros do senado que me transmitem um certo ar de fidalguia e estabilidade. Ao final das contas, eles são capazes de sobreviver aos outros mandatos e por terem um papel mais pensante na coisa, seus feitos alcançam às vezes muitas gerações.
Mas, utopias à parte me parece que tanto os bons quanto os maus políticos fazem uso de um mesmo método de aproximação: o do acasalamento licencioso com a coisa pública. Ou seja, no palanque ou o moço fala o que a moça quer ouvir ou nada de votos na eleição. Nada importa à moça se o moço vai cumprir ou se tem tido conduta ilibada, o lance é que nessa hora ela quer ser galanteada e se a prosa for boa, as gentilezas (e o cofre) da moça estão garantidos.
Nada me importa neste momento sobre as intenções do moço nem sobre as motivações dele. Me interessa sim a conduta da moça. Como se deixa enganar! Como se deixa levar! Como por umas boas e poucas palavras de efeito escolhidas a dedo por algum conselheiro partidário ou pessoal ela deixa de prestar atenção do que realmente lhe deveria ser mais caro: os seus próprios filhos.
Já reparou que nas línguas neo-latinas as palavras República, Democracia e Liberdade são femininas? Bom, eu acredito que não é por acaso. Essas três respondem ao mesmo padrão de resposta do que a moça casada com o rapaz feio: “Que será que o rapaz lhe disse?”
Nestas e nas próximas eleições da sua vida pratique a metamorfose da sua mente. Seja tomado de uma metanoia abrangente: reflita sobre a vida do seu candidato. Utilize todos os meios ao seu alcance para conhecer não só a proposta de palanque mas se há um compromisso com a verdade ao longo da vida do candidato. Informe-se. Pergunte. Analise. Não espere que um anjo (ou um pastor metido a besta) lhe indique que tem que votar em este ou tal candidato. Gaste seu tempo e suas energias pois com certeza estes “garanhões domésticos” vão usufruir da nossa riqueza por um bom tempo quando são mau-caráter e os raramente bons dificilmente poderão fazer alguma coisa.