Não quero saber se você é católico ou pentecostal. Só quero saber de que lado da cruz você está.

Nosso canto é sempre melhor que o canto alheio.

De uma olhada na próxima escola bíblica, encontro de oração, eucaristia, comunhão, enfim, no que quiser.  Repare como nos esforçamos em estabelecer a grande diferença entre “nós” e “eles”.  “Eles” sempre estão errados e “nós” sempre estamos certos.  Como muito, os que dentre “Eles” estão certos é quase com certeza porque tem algum tipo de contato com “nós” ou de alguma forma os influenciamos.

Em linhas gerais, vale mais o rótulo, a tradição, as escrituras e o rito do que a cruz de Cristo.

Lembro sempre do sr. Emidio.  Conheci ele há uns 20 anos quase.  Católico praticante, leitor ávido das cartas paulinas, em especial Romanos e Gálatas.  Lembro até hoje de vários encontros onde a única coisa que eu podia fazer era consentir com a luz quele recebera. Apegando-se à escritura, entendia que era seu lugar naquela comunidade.  Ele entendia com o coração aberto que o único salvador era o que Bíblia propunha.  Aliás, a sua própria Bíblia, uma tradução de “Jerusalém” surradinha, com deuterocanônicos e tudo.

A escritura, fonte inegável de autoridade para grande parte da cristandade, deveria ser a única a nortear o básico: Só Cristo é o caminho para o Pai. O resto é invenção humana.  Os inúmeros pedágios, vias rápidas, atalhos, pontes que criamos, são só toscas emulações do verdadeiro caminho que é Jesus.

Agora pergunto eu, se Cristo em sua maravilhosa soberania, quis se revelar a um Católico, um Pentecostal, um Ortodoxo, um Batista, um Anglicano ou um Presbiteriano, quem sou eu para impedi-lo?  Como? Com que argumentos o convenceríamos a ficar no nosso curral?  Qual seria a maravilhosa sequencia de palavras que emanariam de nossa boca para limitar o Senhor e sua salvação?  Então, porque fazer isso com as ovelhas dele?

Temos que acabar de empurrar para o abismo a separação no mundo cristão que tanto se parece à que havia entre gentios e judeus no primeiro século.

Ou você está sob a salvação obtida por Cristo na cruz, ou está perdido. E isso não tem nada a ver com a etiqueta que penduraram na sua cachola.

 

Sobre Esteban D. Dortta

Esteban é um pastor evangélico. Estudou teologia no Seminário Teológico Batista do Uruguai entre 1991 e 1994. Nascido em 1971, vive no Brasil desde 1995. Entende que a liberdade de pensamento, expressão e reunião são essenciais para o desenvolvimento não apenas cristão, mas de toda a sociedade.