Gostaria de apresentar uma síntese, visto que, não posso compreender a extensão deste complexo processo e, todavia se minha capacidade de interpretação fosse mais eficiente, provavelmente ainda apresentaria uma elucidação imperfeita. Como mau interlocutor não tenho a pretensão de esclarecer dúvidas, mas apenas apresentar novos prismas. Não sou cientifico e acredito que isso possa excitar você caso também seja um tarado existencial. Espero que não entenda minha reflexão como exageradamente filosófica, pois, a fiz para fins de edificação.
Acredito que a santidade é um processo de plenificação. No momento em que escrevo “plenificação”, meu corretor ortográfico não aceita a palavra, e entendo, quem sabe precocemente, que não se trata de insuficiência de expressão de nosso idioma, mas, de um dilema de nossa existência, o que nos deixa com poucos escapes interpretativos. A palavra pleno designa coisas que são por si só.
O sagrado trata de objetos ou pessoas “coisadas” consideradas figuras místicas ou sacralizadas por instituições ou grupos. Já o santo é pleno, não instituído por pessoas ou tempos mas apenas pela vontade de Deus. Partindo destas pré-suposições seriamos obstinados e frustrados, pois realmente percebemos que na vida as coisas não funcionam bem assim, e, apesar disso, Deus não se esquece de sua criação e como gesto de amor se sacrifica “pagando” o preço de nos suportar para que sua vontade seja recebida.
Esta afirmação coloca em choque as bases da vida, visto que, agora que as coisas são plenas ainda vemos e vivenciamos as catástrofes (não apenas no sentido natural), mas das personalidades e das consciências humanas que persistem em se aprofundar na própria e deliberada estupidez gerando diversas crises reais.
Importante é não confundirmos realidades com circunstâncias, visto que as circunstancias são reações e a perspectiva de uma realidade plena precisa ser percebida. Para tanto é necessária uma sensibilidade capaz de nos desconjuntar em nossa interioridade mortificada plenificando nossa existência como reação ao tempo e à vida.
Agora pensamos em como engatinhar na plenitude, visto que o pleno (teoricamente) não admite processos de plenificação e a santidade é uma característica integral. Neste momento vejo apenas Cristo, o único ser integral, como um ponto de partida e de chegada. Para que eu seja integral devo abraçar meus princípios e entender que já fui – enquanto um filho de Deus – redimido pela cruz, santificado, e devo permanecer e crescer em consciência e pratica para que assim minha percepção enquanto perspectiva se torne gestora da minha vida para uma nova dimensionalidade (ou observação). Caminhar com integralidade demanda exposição de defeitos (como a única coisa da qual devemos nos gloriar). Não por crer que agora que vivemos para a liberdade, plenitude e santidade sejamos perfeitos – pois não é esta a perspectiva do evangelho – mas por desejar ser totalmente habitado pela plenitude de Deus mesmo com nossas limitações (para que não nos gloriemos das obras e reconheçamos que somos fracos e fortalecidos pela graça).
Viver em plenitude é entender e procurar a verdadeira realidade, que é a do amor em lugares impossíveis aos nossos olhos, por entender que somos constantemente inundados por um Deus onipresente e onipotente, e que das suas indescritíveis características, a mais relevante que nos foi comunicada e pode ser vivida é o Amor. Vale ressaltar que para viver a santidade é necessário estruturalmente a fé em nossa composição, pois sem ela perdemos a perspectivas do pleno e do eterno. Outra observação válida é a de que as crises existenciais são certas, e não são elas que determinam o nível de envolvimento do ser humano com a plenitude, mas, como já dito, a fé e o amor são estes parâmetros, pois, a consciência em Cristo nem sempre nos eleva, mas, mantém a firme convicção na esperança da plenitude da qual participo.
Temos apenas verrugas de plenitude implantadas dentro do nosso ser, mas diante da existência entendo que qualquer porção é porção e que o grande na verdade é o verdadeiro.
Santificação é se apaixonar pela vida e pelas suas formas e essências, entender que em tudo Deus está, e como reação desta grande loucura aprender a amá-lo. Devemos recriar-nos e reconstruir-nos após os quebrantamentos, afim de simplesmente encontrar a essência de Deus. Que possamos ter uma fé independente do visível e das garantias, apegada ao eterno, não conhecido mas revelado.
Embora havendo tentado elucidar meu ponto de vista em relação ao tema, exponho como minha experiência diária as frustrações que sofro, pois, constantemente levo rasteiras enquanto me apego a esta perspectiva. Entendo que os elementos fé, amor, santidade, devem ser compreendidos e vivenciados. Deparamo-nos com a natureza pecaminosa administrando os nossos dias, nos consumindo pelos frutos da auto justificação, afundando as nossas perspectivas e, nestas horas, vejo que a santidade deve ser protagonizada por nossa consciência e a redenção deve ser a única ferramenta a permitir nossa permanência nesta caminhada. Como disse no inicio, a cruz deve ser o nosso ponto de partida, de condução e chegada, pois, embora a plenitude seja completa, ainda pode apenas ser habitada, e como não somos plenos, pela graça somos salvos.
Assim Santidade é uma simples perspectiva, ela nada mais é do que uma caminhada, e caminhada de consciência e fé em Jesus.
V.M.D Brito