Somos a Igreja, não Buzz Lightyear

Buzz Lightyear

Tenho um menino que gosta de assistir alguns desenhos animados.  Porém, vez ou outra me deparo com que os desenhos que tradicionalmente achamos serem para crianças, trazem um foco duplo, levando os adultos a considerarem outras faces da mesma verdade já conhecida.

Toy Story nos apresenta a personagem Buzz Lightyear e seu dilema de não possuir os poderes que tanto ele acha que tem mesmo que os deseje (e em certas ocasiões) os chegue a utilizar.  Porém, o que mais me chama a atenção dele é seu bordão “Ao infinito e além!” que traz lembranças de “2001, Uma odisseia no espaço” em que a frase é “Júpiter e ao infinito” ou coisa assim.

Vez por outra algumas pessoas muito bem intencionadas dentro da comunidade cristã, concluem que é necessário crescer.  Argumentam que todo corpo sadio cresce.  Que se as coisas estiverem bem, então é natural que haja crescimento.  E eu até que concordo com essa ideia, só pergunto, sempre?  A qualquer custo?

Quantos anos tem meu leitor? Se for um homem e estiver com 12, 16 anos, ainda tem alguns anos de crescimento pela frente ao passo que as meninas estão chegando ao fim do esticamento que tanta comida e horas de sono consume.  Se seu corpo for sadio, com certeza ele vai estabilizar e parar de crescer.

A ideia do crescimento ad-infinitum que tantos pastores tem seduzido ao longo das épocas não reflete o projeto original em que um grupo bem organizado cresce até o limite e depois disso se reproduz.  Ao crescer com rumo ao infinito, ela se perde em seu propósito, descuida seu cuidado mútuo e finalmente abandona seu primeiro amor.

É por isso que acho que a frase de Buzz Lightyear reflete a ideia de mais de um marqueteiro de plantão: “Ao infinito e além”.  Já pensou que a sua igreja deve crescer ao infinito? Bom, ainda dá tempo de se arrepender e tentar pegar o bonde do Senhor de novo.

Não confunda hipertrofia emocional com maturidade espiritual. Somos a Igreja de Cristo, não Buzz Lightyear.  Assim como são necessários muitos homens para povoar a terra, são necessárias muitas pequenas igrejas para trazer  luz ao mundo.

Sobre Esteban D. Dortta

Esteban é um pastor evangélico. Estudou teologia no Seminário Teológico Batista do Uruguai entre 1991 e 1994. Nascido em 1971, vive no Brasil desde 1995. Entende que a liberdade de pensamento, expressão e reunião são essenciais para o desenvolvimento não apenas cristão, mas de toda a sociedade.