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A Igreja na Pandemia

A Igreja (não como instituição, mas assim, com maiuscula, como corpo vivo de Cristo) tem passado por varias e boas ao longo da sua existência.

É facil nos distanciarmos de certos períodos (como o da idade média) dizendo “ah, não, isso não fomos nós, foram eles” e não nos permitir a chance de aprender com erros do passado.

Obvio que – como fruto da reforma – não posso aplicar um plural e dizer “sim, fomos nós!” mas por outro lado, devo ter a suficiente humildade para reconhecer que respondemos solidariamente por tudo o que se chame de “igreja cristã” perante a sociedade.

Estamos -mais uma vez- perante um desafio descomunal. Uma coisa que transborda nossa capacidade humana de compreensão. É tempo de abandonar -então- certas aproximações obscurantistas sobre o problema que nos é comum a todos os seres humanos que habitamos este planeta e entregar-nos juntos à busca de uma solução que venha a ser de bênção a cristãos, musulmanos, hindus, ateus, ou seja: ao ser humano como um todo.

É verdade que – por exemplo – na desgraça da segunda guerra, houveram pessoas que se ergueram como gigantes e nos carregaram nas costas. E é também verdade que houveram -agora sim no pequeno rebanho reformado- pessoas do porte de Karl Barth que se atreveram a enfrentar -de forma aberta e direta- a profunda escuridão que se levantava sobre a raça humana.

Porém, não deixa de ser vergonhosa verdade, que houveram muitos cristãos de uma e outra vertente que se lançaram sobre o problema com soluções covardemente prontas sem se atrever a analisar a realidade.

Situação semelhante – voltando no tempo – nos aconteceu com a gripe espanhola e com a primeira guerra mundial. Mas é obvio que o evento que mais se parece com o atual é o da peste negra ou peste bubônica sobre a Europa.

Foi na peste que o ritual se mostrou completamente inutil como de fato é. Foi na peste que nossa maior lição como Igreja deveria ter sido aprendida. Mas foi exatamente nela que abandonamos o posto. Obvio, claro, que sempre houveram inquietos homens que se atreveram a trilhar caminhos diferentes dos já conhecidos. Mas quando tomamos distância do evento, vemos que esses pobres herois de nada serviram no que veio a seguir: o desmoronamento total da sociedade feudal e o descalabro da igreja de Roma que -não por acaso- seguiam estruturas similares.

Agora, nos encontramos perante situação igual e com pessoas sofrendo por coisas que não merecem o sofrimento. Me refiro ao fato de se a igreja vai poder se congregar ou não. Se os membros vão ou não voltar para os rebanhos locais. Se a forma de fazer culto vai ser retomada. Se …. se cabem ou não 500 anjos na ponta de um alfinete.

É obvio que mudou. É evidente que não podemos masi continuar a querer cultuar como era há 500 anos atrás. É notório que devemos abandonar o navio e nos atrevermos na mata virgem. Se realmente nos interesam as vidas dos que se perdem, nada mais natural de que ir até eles onde eles estão e não esperar que -sei lá porquê razão- eles venham até nosso conforto.

Aproveite a oportunidade. Se abra para o novo normal.